<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982</id><updated>2012-02-16T06:48:03.517Z</updated><category term='sociedade'/><category term='crónica'/><category term='ogm'/><category term='Xis'/><category term='livros'/><category term='televisão'/><category term='música'/><category term='educação'/><title type='text'>RoubArte</title><subtitle type='html'>O primeiro passo é o roubo. O segundo a imitação. O terceiro o desvio.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>64</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-5695757928609667623</id><published>2009-01-18T11:11:00.001Z</published><updated>2009-01-18T18:00:27.883Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Os desatracados (Miguel Esteves Cardoso)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se os portugueses vêem cada vez mais televisão, também há cada vez mais que não vêem. Nunca. Nem tão-pouco acompanham as coisas ditas de interesse público, sejam culturais, comerciais ou lá o que for. Desatracaram-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Os atracados andam a reboque da mesma caravana de agendas. Cada um tem uma opinião diferente. Mas todos vêem os mesmos programas e falam das mesmas pessoas e dos mesmos casos. Não é a discussão que é oprimente: é a agenda. A agenda é a lista das coisas escolhidas pelos empresários, políticos e editores para nós lermos; vermos; comprarmos; conhecermos; discutirmos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;É como o futebol. E basta não ligar ao futebol para ver o que se perde: nada. O pouco que importa acaba por chegar a toda a gente, já muito bem filtradinho, muito obrigado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Graças à Internet, cada vez há mais desatracados. Lêem livros que mais ninguém está a ler; mergulham em mundos esquecidos; descobrem coisas tão novas que ainda nem coisas são; ouvem música fora de todas as modas; acompanham pessoas e problemas e pensamentos que se diria nada terem a ver com eles. Mas têm; acabam por ter. E isso é bom.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Desatracar não é rejeitar a realidade nem é ser hostil aos marcadores de agenda. É apenas pedir licença para não seguir o fio da realidade que está a ser distribuído a dado momento. É seguir outro fio, escolhido por cada um, sem grandes critérios ou seriedade até. E, quando se cruzam os dois, costuma ser interessantíssimo. E é giro.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Miguel Esteves Cardoso&lt;/span&gt;, &lt;a href="http://www.publico.pt/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Público&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; de hoje&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-5695757928609667623?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/5695757928609667623/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=5695757928609667623' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/5695757928609667623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/5695757928609667623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2009/01/os-desatracados-miguel-esteves-cardoso.html' title='Os desatracados (Miguel Esteves Cardoso)'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-7530113978575089855</id><published>2008-12-07T12:12:00.002Z</published><updated>2008-12-07T16:04:58.626Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Sinecura* (VPV)</title><content type='html'>&lt;meta equiv="CONTENT-TYPE" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="OpenOffice.org 2.4  (Win32)"&gt;&lt;style type="text/css"&gt; 	&lt;!-- 		@page { size: 21cm 29.7cm; margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 	--&gt; 	&lt;/style&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Uma proposta do CDS, que teria suspendido a "avaliação" de professores, não foi anteontem aprovada na Assembleia, porque faltaram à sessão 28 deputados do PSD. Verdade que também faltaram 13 do PS, três do CDS, um do PC e um do PEV. Mas, com o grupo parlamentar do PSD presente e completo, o Governo perdia, até porque seis deputados socialistas (entre eles, Manuel Alegre) votaram pela oposição e um de absteve. A dra. Ferreira Leite ficou muito indignada com este normalíssimo episódio e declarou à Rádio Renascença que uma coisa daquelas não era admissível e não se "voltaria a repetir". Claro que, muito provavelmente, os deputados do PSD (e os do PS, do PC e do PEV) não apareceram porque preferiram aproveitar o fim-de-semana "longo", a pretexto de "trabalho político" (que, pelo regulamento, justifica a ausência) ou qualquer razão do mesmo género.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;A história é velha. Desde o princípio do regime que os chefes partidários só se lembram da gente que arrumaram na Assembleia quando qualquer coisa corre mal. O resto do tempo tratam os pobres "representantes da nação" como um bando de menores, sem opinião, sem responsabilidade e sem carácter. Por muito que nos custe, a Assembleia é uma espécie de escola secundária, à velha moda, onde se marcam faltas e as criancinhas vão fazendo o que lhes mandam. Estão lá para se levantarem, ou sentarem, conforme a "direcção da bancada" lhes diz para se levantarem ou sentarem, e ocasionalmente para uma pequena sessão de propaganda. Não valem nada; e nunca se envergonharam com isso.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O que se compreende. A carreira de um deputado é um longo curso de obediência e humilhação. Precisam, primeiro, de apoio local ou do patrocínio de um chefe influente de Lisboa (que geralmente se adquire por intriga e por um quase obrigatório servilismo). São, a seguir, eleitos pelo partido, sem esforço próprio (ou pouco esforço próprio). E desembarcam em S. Bento para uma vida de total ociosidade. Para efeitos práticos não existem. A Assembleia é uma sinecura e eles vêem a Assembleia como a sinecura que é. Tanto quanto possível, não põem lá os pés, trabalham "para fora", tentam viajar (oficialmente, claro) e fogem nos feriados. Não se percebe a fúria da dra. Manuela com este arranjo. Ela já por lá andou e conhece a "casa". Que esperava ela, se não o que sucedeu?&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;* &lt;/span&gt;emprego ou cargo rendoso que exige pouco trabalho&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Vasco Pulido Valente&lt;/span&gt;, &lt;a href="http://www.publico.pt"&gt;Público&lt;/a&gt; de hoje&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-7530113978575089855?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/7530113978575089855/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=7530113978575089855' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/7530113978575089855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/7530113978575089855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2008/12/sinecura-vpv.html' title='Sinecura* (VPV)'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-3264795440834343757</id><published>2008-04-23T09:09:00.000+01:00</published><updated>2008-04-24T19:24:46.569+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónica'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A presença do Homem na Natureza é extraordinariamente curta, insignificante, e passível de erro e de extinção&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É nesta Terra, o Planeta Azul, envolta nos farrapos brancos das nuvens, que reside tudo o que temos: o ar que respiramos, a água que bebemos, o chão que pisamos e nos dá o pão. É só com isto que contamos para viver. É, pois, fundamental, conhecer melhor esta nossa casa que nos transporta através da imensidão do espaço, à velocidade de 30Km por segundo.&lt;br /&gt;O nosso Planeta, velho de quase quatro mil e seiscentos milhões de anos, lar da biodiversidade, incluindo a humanidade inteira, não foi sempre como hoje o conhecemos. Esta nossa Terra é o resultado de uma longa e complexa evolução, e o homem é o fruto mais jovem dessa mesma evolução, numa cadeia imensa de inter-relações em que participaram as rochas, a água, o ar e todos os seres vivos. Assim, interessa ao cidadão conhecê-la melhor, a fim de bem avaliar os problemas que se lhe põem no seu relacionamento com o ambiente natural.&lt;br /&gt;O grau de complexidade a que chegámos foi crescente desde o início do tempo, isto é, nos treze a quinze mil milhões de anos de existência do Universo que julgamos conhecer. Das partículas primordiais passou-se aos átomos e, só depois, às moléculas, cada vez mais complexas. A partir destas, a evolução caminhou no sentido das células mais primitivas, que fizeram a sua aparição na Terra há mais de três mil e oitocentos milhões de anos, através de uma cadeia abiótica de estádios progressivamente mais elaborados, onde o ensaio e o erro tiveram a seu favor 75% ou mais dessa enormidade de tempo. Dos seres unicelulares mais rudimentares aos primeiros metazoários, surgidos há seiscentos a setecentos milhões de anos, foi consumido mais cerca de 20% desse mesmo tempo. Restou, pois, pouco mais de 5% para que, numa nova cadeia de complexidade crescente e a ritmo cada vez mais acelerado, se caminhasse dos invertebrados primitivos ao Homem.&lt;br /&gt;Do nosso aparecimento no Planeta Azul, onde ocupamos o topo da escala biológica, aos dias de hoje, foi um passo de apenas 0,000 1% do tempo universal da criação. Face à eternidade que falta cumprir a este nosso planeta, estimada em mais alguns milhares de milhões de anos, a presença do Homem na Natureza é ainda extraordinariamente curta, insignificante e, portanto, passível de erro e de extinção, como aconteceu com inúmeras espécies. A Terra de hoje é o resultado de um sem-número de agressões sofridas ao longo da sua velhíssima história. Contudo, ela é um sistema dinâmico que se auto-regula e, como tal, tem sabido encontrar resposta a todas essas vicissitudes e vai, sem dúvida, continuar a fazê-lo.&lt;br /&gt;O dano que lhe podemos causar, no mau uso que dela fizermos, é mudar-lhe as condições que nos são favoráveis e que bem conhecemos, dando origem a outras que nos poderão ser altamente adversas. Assim, ao maltratá-la, o Homem está a atentar também contra si próprio, contra a humanidade. Porém, o planeta irá prosseguir, mesmo sem a nossa inteligência, e acabará por encontrar novos caminhos, podendo voltar a criar um outro ser inteligente ou, até, mais inteligente do que esta versão moderna e egoísta de Homo sapiens, que somos nós. Para tal só necessita de tempo, de muito tempo, e isso não lhe irá faltar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;A. M. Galopim de Carvalho&lt;/span&gt;, &lt;a href="http://www.publico.clix.pt/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;de 23-04-2008&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-3264795440834343757?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/3264795440834343757/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=3264795440834343757' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/3264795440834343757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/3264795440834343757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2008/04/presena-do-homem-na-natureza.html' title=''/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-9079875866704455035</id><published>2008-04-03T22:31:00.004+01:00</published><updated>2008-04-03T22:36:35.744+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Quando uma rosa morre</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Quando uma rosa morre&lt;br /&gt;Outra cresce em seu lugar&lt;br /&gt;Para onde o rio corre&lt;br /&gt;Não é sempre o mesmo mar&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Quando uma rosa morre&lt;br /&gt;Outra lua se anuncia&lt;br /&gt;Não é sempre a mesma luz&lt;br /&gt;Nem o mesmo fim do dia&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O sentido é um desvio&lt;br /&gt;A verdade um acidente&lt;br /&gt;Não é sempre o mesmo rio&lt;br /&gt;Não é sempre a dor que sente&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;(Para sempre só o acaso&lt;br /&gt;De te encontrar sempre em mim)&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/radiomacau"&gt;RÁDIOMACAU&lt;span style="color: rgb(51, 204, 255);"&gt;OITO&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-9079875866704455035?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/9079875866704455035/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=9079875866704455035' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/9079875866704455035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/9079875866704455035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2008/04/quando-uma-rosa-morre.html' title='Quando uma rosa morre'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' 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withdrawn.&lt;br /&gt;And the Generals gave thanks&lt;br /&gt;As the other ranks held back&lt;br /&gt;The enemy tanks for a while.&lt;br /&gt;And the Anzio bridgehead&lt;br /&gt;Was held for the price&lt;br /&gt;Of a few hundred ordinary lives.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And kind old King George&lt;br /&gt;Sent Mother a note&lt;br /&gt;When he heard that father was gone.&lt;br /&gt;It was, I recall,&lt;br /&gt;In the form of a scroll,&lt;br /&gt;With gold leaf and all.&lt;br /&gt;And I found it one day&lt;br /&gt;In a drawer of old photographs, hidden away.&lt;br /&gt;And my eyes still grow damp to remember&lt;br /&gt;His Majesty signed&lt;br /&gt;With his own rubber stamp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It was dark all around.&lt;br /&gt;There was frost in the ground&lt;br /&gt;When the tigers broke free.&lt;br /&gt;And no one survived&lt;br /&gt;From the Royal Fusiliers Company C.&lt;br /&gt;They were all left behind,&lt;br /&gt;Most of them dead,&lt;br /&gt;The rest of them dying.&lt;br /&gt;And that's how the High Command&lt;br /&gt;Took my daddy from me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Wall Movie Soundtrack - Pink Floyd&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-7108711838017554210?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/7108711838017554210/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=7108711838017554210' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/7108711838017554210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/7108711838017554210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2008/02/when-tigers-broke-free.html' title='When the tigers broke free'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-6518124834084529556</id><published>2008-01-25T00:19:00.000Z</published><updated>2008-01-25T00:24:53.727Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><title type='text'>Japan Ad Council</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="373"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/S3oWhFpBhqY&amp;amp;rel=1&amp;amp;border=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/S3oWhFpBhqY&amp;amp;rel=1&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="373"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-6518124834084529556?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/6518124834084529556/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=6518124834084529556' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/6518124834084529556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/6518124834084529556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2008/01/japan-ad-council.html' title='Japan Ad Council'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-2265924912497295828</id><published>2007-12-27T23:11:00.000Z</published><updated>2007-12-28T01:31:32.960Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>"O maior drama da humanidade" - Rui Tavares - Público</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Qual é o maior drama da humanidade? A guerra, a fome, as doenças, a miséria, a ignorância, o fanatismo, a violência, as catástrofes ambientais, a indiferença pelo sofrimento dos outros? Não, O maior drama da humanidade, segundo o cardeal-patriarca de Lisboa, é o ateísmo. O ateísmo é aquela opinião, hoje em dia trivial, de a que a existência de Deus é altamente improvável ou mesmo impossível. Mas não é bizarro que, nos dias de hoje, e com tanto por onde escolher, mesmo um cardeal designe tal ideia como "o maior drama da humanidade"? Aquele superlativo deixa implícito que qualquer outro drama, por grande que seja, é afinal menor do que o ateísmo, em toda e qualquer forma, desde todo o sempre. "Todas as formas de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade", disse José Policarpo na homilia de Natal.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O que explica que se consiga dizer isto? Uma característica curiosa da linguagem religiosa que verificaremos através de um exemplo prático. Em princípio, concordaremos todos que a guerra causa mais devastação do que o ateísmo. Mas se por "guerra" entendermos um momento ou circunstância em que os homens "negam ou se esquecem de Deus", logo a palavra "guerra" cabe dentro da definição de "ateísmo" do cardeal. Assim será possível dizer que o "ateísmo" é o maior drama da humanidade, de que a guerra passou simplesmente a ser uma manifestação. E o mais fascinante é que isto pode incluir até as guerras religiosas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Nesta redefinição, o cardeal não quer dizer que ser ateu é pior do que matar alguém, mas que matar alguém é, por definição, uma forma de nos esquecermos de Deus e, por extensão, uma forma de ateísmo. Continua a ser absurdo, mas ao menos não é tão imoral.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Porquê, então, o ateísmo? Explicou o cardeal: "Os diversos ateísmos, nas mais variadas expressões, tiveram origem neste reduzir a esperança humana à dimensão da história", mas "nenhuma esperança deste mundo anula a esperança na vida eterna". Contra esta ideia de que a "esperança na vida eterna" é mais virtuosa do que a vida que temos, poderíamos lembrar que os bombistas suicidas matam pessoas às centenas com base numa "esperança na vida eterna". Mas não vale a pena. Isso seria apenas reeditar o debate inicial (o cardeal poderia dizer que os fundamentalistas "se afastaram de Deus" e o terrorismo religioso seria redefinido como uma espécie de ateísmo inconsciente).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Alguém lembrará que José Policarpo falava apenas para os fiéis, a quem estas palavras despertam outros sentidos. Pode ser. Mas esse é um dos problemas de falar para dentro e, em particular, da "viragem europeia" que Bento XVI impôs no Vaticano. Para poder combater a irreligiosidade na Europa, a prioridade passou a ser a doutrina, em detrimento dos problemas que realmente causam sofrimento à humanidade em todos os continentes. A estratégia é errada e, se os europeus virem a Igreja mais preocupada com jogos de linguagem do que com o sofrimento real, acabará por agravar ambos os problemas. Mas ao menos explica porque vê o cardeal como "maior drama da humanidade" aquilo que, afinal, é mais um drama da Igreja europeia.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rui Tavares, &lt;a href="http://www.publico.pt"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; de hoje&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-2265924912497295828?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/2265924912497295828/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=2265924912497295828' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2265924912497295828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2265924912497295828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/12/o-maior-drama-da-humanidade-rui-tavares.html' title='&quot;O maior drama da humanidade&quot; - Rui Tavares - Público'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-8406184743279186072</id><published>2007-10-28T13:59:00.000Z</published><updated>2007-10-28T14:01:28.908Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Otário na favela (de Paulo Moura)</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Caco Barcellos é um jornalista brasileiro que trabalha nas favelas. Já teve programas na televisão, escreveu vários livros. Em Rota 66, investigou os esquadrões da morte da polícia de São Paulo. Em Abusado, mergulha no mundo dos traficantes de droga que operam nas favelas do Rio de Janeiro. Ambos os livros são best-sellers e revelaram o lado mais negro da realidade brasileira. Ninguém, como Caco, tinha alguma vez imergido nos submundos das grandes cidades do Brasil. Nenhum jornalista, nenhum investigador ou mesmo polícia tinha alguma vez conseguido ganhar a confiança dos líderes do mundo do crime, das autoridades marginais dos bairros pobres.&lt;/p&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Para espanto de todos, Caco Barcellos, nos últimos 20 anos, praticamente vive nas favelas. Aprendeu os seus códigos de comportamento, a sua linguagem. Teve de convencer os seus habitantes de que não é um "X9" (agente da polícia infiltrado), nem um "vacilão" (cobarde). Mostrou que não "amarela" (ter medo) nos íngremes becos de lama do morro e que não é movido por qualquer interesse desonesto - ou seja, é apenas um "otário" que mora lá em baixo no asfalto.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Para os habitantes da favela, um cidadão honesto é considerado um otário, o que faz algum sentido. Na sua perspectiva, os ricos não são honestos e os pobres que o forem são otários. Caco é um "otário" e não se importa. É, aliás, esse o papel que escolheu e que lhe permite fazer jornalismo independente e sério. Porque é difícil passar tempo na favela e não ser conivente com os crimes que são cometidos todos os dias. Caco explicou isso aos seus interlocutores: se souber que alguém vai ser assassinado, terá a obrigação de avisar a vítima. Se assistir a um roubo, uma violação ou um massacre, ver-se-á forçado a chamar a polícia, a denunciar os culpados. Como resolver este problema?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O repórter encontrou uma solução: não quer conhecer histórias do presente, só do passado. Desde o início, pede a todos que não lhe contem nada do que está a acontecer, do que estão a fazer. Na presunção de que as actividades das personagens que investiga serão pouco recomendáveis, prefere ignorá-las. Essa é a única forma de poder manter o convívio. Já as histórias do passado são bem-vindas. Por mais sanguinárias que se revelem, não há nada a fazer. Estão consumadas. Conhecê-las não faz do jornalista cúmplice.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;A estratégia é simultaneamente simples e genial. Permite penetrar subtilmente na radical inocência dos actos humanos. Compreendê-los, sem a interferência do julgamento. O segredo é permanecer um passo atrás no tempo. Olhar tudo a uma certa distância, mesmo estando muito próximo, mesmo estando lá.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Nos primeiros anos, foi duro. Uma barreira de desconfiança impedia o acesso de Caco à realidade que queria conhecer e descrever. Mas depois tudo mudou. Os habitantes da favela perceberam que o trabalho do jornalista não os prejudicava. Antes lhes dava voz e dignidade. E passaram a ser eles a disputar a atenção de Caco, a querer contar as suas histórias, apresentar as suas queixas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Agora, desde as vielas ensopadas de esgoto do morro da Dona Marta, as crianças costumam correr atrás dele, conta Caco. Meninos de 10 ou 11 anos gritam-lhe, com ar trocista: "Eh, otário! Quer conhecer as histórias do meu passado?"  &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Paulo Moura&lt;/span&gt;, Público de 28-10-2007&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-8406184743279186072?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/8406184743279186072/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=8406184743279186072' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/8406184743279186072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/8406184743279186072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/10/otrio-na-favela-de-paulo-moura.html' title='Otário na favela (de Paulo Moura)'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-6595472351930407785</id><published>2007-10-09T21:09:00.000+01:00</published><updated>2007-10-09T23:58:22.259+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Analfabetos... mas diplomados (Santana Castilho)</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;As comemorações do 5 de Outubro foram marcadas pelo discurso de Cavaco Silva, que escolheu a educação para tema principal. Poderia analisar as palavras do Presidente da República cruzando o que agora disse com o que fez quando era primeiro-ministro. Ou pondo em confronto a crítica à política seguida para o sector, implícita no verbo cuidado de hoje, com o apoio explicitado em actos precipitados de ontem, que tanto serviram a mesma política. Prefiro aproveitar, interesseiramente, o efémero sobressalto que as palavras do Presidente provocaram na consciência do país para, explorando essa sensibilidade passageira, pôr em evidência alguns factos que me parecem relevantes, a saber:  &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;1. Abundaram, nas análises que se seguiram, as habituais retóricas que transformaram o círculo num quadrado. Sócrates destacou-se. Viu no discurso um incentivo ao seu Governo, mesmo que Cavaco tenha considerado uma perda de tempo a desastrosa produção legislativa que o caracteriza e que António Barreto tão bem ridicularizou no último artigo aqui dado à estampa. Mesmo que Cavaco tenha remetido para o limbo do esquecimento a febre tecnológica de fachada, que transformou ministros em vendedores da TMN, e tenha preferido pôr a tónica nos recursos humanos da educação. Mesmo que o Presidente tenha apelado para o envolvimento das comunidades na escola, enquanto o Governo prossegue numa política centralizadora e recuperadora das mais retrógradas lógicas de hierarquia vertical. Mesmo que Cavaco tenha pedido respeito pelos professores, enquanto o Governo tudo tem feito em sentido contrário.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;2. Maria de Lurdes Rodrigues e Mariano Gago primaram pela ausência, não ouvindo, de viva voz, o discurso que interessava às áreas que tutelam e foi conhecido com antecedência. Podem assessores debitar justificações evasivas, que não apagam o significado político do facto. Tanto mais quanto é patente, no caso da primeira, a aversão que tem a perguntas incómodas e a inabilidade visceral para resistir a palcos adversos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;3. O apelo do Presidente da República para que os cidadãos e as autarquias aumentem a participação na vida das escolas é apenas mais um, retórico e inconsequente. A realidade pode ser dura, mas não está dissimulada: a maioria não se preocupa com as escolas nem com o que lá se aprende, mas com o diploma. A maioria, tal como o Governo, não se incomoda particularmente com o facto de o sistema gerar analfabetos... desde que os diplome. Participação? A lei vigente prevê, há anos, o funcionamento dos Conselhos Municipais de Educação. Que resultados se conhecem? Quantos funcionam?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;4. Se a Escola Pública, que a República democratizou, tivesse logrado formar os cidadãos que almejava, não seria possível termos hoje um desemprego de professores como nunca foi visto; uma precariedade da profissão docente nunca imaginada; um regime de avaliação dos profissionais do ensino injusto, retrógrado, grosseiramente impracticável, que trará o caos às escolas; um Ministério da Educação que não cumpre as leis que cria e é condenado continuadamente nos tribunais, sem consequências de natureza política. Se a Escola Pública tivesse logrado formar os cidadãos que devia, não teríamos um primeiro-ministro a ousar aconselhar os jornalistas a não confundirem os professores com os sindicatos, como se não fosse bem mais expressiva a relação entre estes que aquela que existe entre os filiados do partido político pelo qual foi eleito e os portugueses independentes de qualquer canga partidária! Professor do ensino superior&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Santana Castilho&lt;/span&gt;, Público de hoje&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-6595472351930407785?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/6595472351930407785/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=6595472351930407785' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/6595472351930407785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/6595472351930407785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/10/analfabetos-mas-diplomados-santana.html' title='Analfabetos... mas diplomados (Santana Castilho)'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-6534245278688107733</id><published>2007-10-07T22:54:00.000+01:00</published><updated>2007-10-07T23:25:33.984+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Adeus tristeza (Fernando Tordo)</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;table bgcolor="#000000" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;embed adblockframename="adblock-frame-n40" adblockframedobject2="true" adblockframedobject="true" quality="high" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type="application/x-shockwave-flash" bgcolor="#000" src="http://res0.esnips.com/escentral/images/widgets/flash/esnips_player.swf" flashvars="theTheme=blue&amp;amp;autoPlay=no&amp;amp;theFile=http://www.esnips.com//nsdoc/fe2c55d2-74a8-421c-bcdc-54682e93242f&amp;amp;theName=ADEUS TRISTEZA - Fernando Tordo&amp;amp;thePlayerURL=http://res0.esnips.com/escentral/images/widgets/flash/mp3WidgetPlayer.swf" height="94" width="328"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;div id="adblock-frame-n40" adblockframe="true" style="margin: 0px; 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      &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;Na minha vida tive beijos e empurrões&lt;br /&gt;Esqueci a fome num banquete de ilusões&lt;br /&gt;Não entendi a maior parte dos amores&lt;br /&gt;Só percebi que alguns deixaram muitas dores&lt;br /&gt;Fiz as cantigas que afinal ninguém ouviu&lt;br /&gt;E o meu futuro foi aquilo que se viu&lt;/p&gt;      &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;[Refrão:]&lt;br /&gt;Adeus tristeza, até depois&lt;br /&gt;Chamo-te triste por sentir que entre os dois&lt;br /&gt;Não há mais nada pra fazer ou conversar&lt;br /&gt;Chegou a hora de acabar&lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;Na minha vida fiz viagens de ida e volta&lt;br /&gt;Cantei de tudo por ser um cantor à solta&lt;br /&gt;Devagarinho num couplé pra começar&lt;br /&gt;Com muita força no refrão que é popular&lt;br /&gt;Mas outra vez a triste sorte não sorriu&lt;br /&gt;E o meu futuro foi aquilo que se viu&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;[Refrão]&lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;Na minha vida fui sempre um outro qualquer&lt;br /&gt;Era tão fácil, bastava apenas escolher&lt;br /&gt;Escolher-me a mim, pensei que isso era vaidade&lt;br /&gt;Mas já passou, não sou melhor mas sou verdade&lt;br /&gt;Não ando cá para sofrer mas para viver&lt;br /&gt;E o meu futuro há-de ser o que eu quiser&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Fernando Tordo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-6534245278688107733?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/6534245278688107733/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=6534245278688107733' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/6534245278688107733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/6534245278688107733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/10/adeus-tristeza-fernando-tordo.html' title='Adeus tristeza (Fernando Tordo)'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-5026948623549580735</id><published>2007-10-07T22:38:00.000+01:00</published><updated>2007-10-07T22:40:11.920+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>A corrupção do Estado (Vasco Pulido Valente)</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;A entrevista que João Cravinho deu na última quinta-feira é indispensável para perceber a corrupção. Cravinho diz duas coisas de uma importância crucial, em que esta coluna tem de resto insistido. Primeiro que o grosso da corrupção "se faz", com uma ou outra "entorse" imperceptível, "de acordo com a lei". Segundo, que por isso mesmo a polícia e os tribunais não podem ir longe e só se ocupam de casos menores. No fundo o &lt;i&gt;Apito Dourado&lt;/i&gt; e operações do género são um espectáculo, que esconde os crimes de consequência. Com grande coragem, Cravinho explica qual é o problema: e o problema é o de que  certos &lt;i&gt;lobbies&lt;/i&gt; se apoderaram de "órgãos vitais de decisões" do Estado ou dos departamentos que as preparam. Ou, se quiserem, o de que o Estado se tornou o principal agente de corrupção.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Isto significa que o Estado serve, não o interesse do país, como compreendido por este ou aquele partido, mas sim o interesse do &lt;i&gt;lobbies&lt;/i&gt; com mais poder ou influência. E, no entanto, nunca se fala disto, embora toda a gente o saiba ou suspeite, a começar pelo Presidente da República, porque os "negócios" conseguem inspirar um respeito e um temor que, por exemplo, o futebol não consegue e que manifestamente coíbem a imprensa e a televisão. O que se passa no interior de certos ministérios de que depende a orientação da economia nunca chega à rua. Como nunca chega à rua quem perdeu e ganhou com os "projectos", que o Estado autoriza ou financia. Ou quem é e donde vem o impecável pessoal que manda nisso tudo. Ainda anteontem o dr. Cavaco exigiu novas leis para assegurar o que ele chama a "transparência da vida pública". Infelizmente, novas leis não bastam.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Cravinho descreve o "choque" que sofreu com a complacência do PS perante a corrupção do Estado. Sofreria com certeza um "choque" igual, e talvez pior, no PSD. A verdade é que o "bloco central" se fundiu com o Estado. Não existe um Estado independente do "bloco central" e muito menos dos "negócios", que o apoiam e sustentam: da banca e da energia a quatro ou cindo escritórios de advogados. Cravinho, como Cavaco, não percebeu, ou preferiu omitir, que hoje não se trata de reformar uma parte inaceitável do regime, mas pura e simplesmente de mudar o regime. Se por acaso caísse do céu a "transparência" que o dr. Cavaco deseja, metade da primorosa elite do nosso país marchava para a cadeia como um fuso.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Vasco Pulido Valente&lt;/span&gt;, &lt;a href="http://www.publico.pt"&gt;Público&lt;/a&gt; de hoje&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-5026948623549580735?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/5026948623549580735/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=5026948623549580735' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/5026948623549580735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/5026948623549580735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/10/corrupo-do-estado-vasco-pulido-valente.html' title='A corrupção do Estado (Vasco Pulido Valente)'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-7195198996553483923</id><published>2007-10-06T12:12:00.000+01:00</published><updated>2007-10-07T00:19:46.836+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>15 anos a eleger líderes (Eduardo Cintra Torres)</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O incidente Santana Lopes/SICN e a eleição de Luís Filipe Menezes para presidente do PSD coincidiram com o 15º aniversário da TV privada. Três temas num só. Começando em Menezes: entre ele e Marques Mendes houve um desequilíbrio televisivo fatal para o segundo. Nos noticiários, cujo discurso é controlado pela selecção jornalística (e não só), Mendes aparecia regularmente, mas Menezes também, ao seguir a estratégia de Lopes: criar «TV opportunities» para tomar posições contrárias a Mendes ou para o criticar. Assim, com a colaboração televisiva, Menezes há muito que se inventou como alternativa a Mendes.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Fora dos noticiários, Mendes esteve em alguns programas de entrevista, de grande tensão e muito controlados pelos entrevistadores, não proporcionando empatia do espectador com os políticos. E Menezes? Estava desde 2004 no Frente-a-Frente da SICN, ambiente mais relaxado e possibilitando essa empatia. Mendes não tinha, e Menezes tinha, um canal de grande liberdade discursiva e de comunicação permanente com os militantes e espectadores. Em resumo: depois de Santana Lopes, Paulo Portas e José Sócrates, Menezes é o quarto líder partidário eleito por causa da televisão.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;E o incidente Lopes-SICN? (Ponto prévio: a SICN cortou a entrevista com incompetência, pois para o evitar bastaria o recurso habitual da divisão do ecrã: manteria Lopes falando enquanto mostrava na outra metade a chegada de Mourinho, assim dando os dois eventos em simultâneo.) O caso revelou momentânea presença de espírito de Lopes. A revolta contra critérios editoriais da SICN foi o seu único acto assinalável na campanha do PSD e em nada se relacionou com ela.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O caso permite debater critérios editoriais, o directo e como interromper uma notícia para dar outra. Em teoria é questionável que a chegada dum treinador de futebol interrompa uma entrevista política. Mas não há teoria sem verificação no concreto: o treinador em causa é um dos melhores e mais mediáticos do mundo, regressando à «pátria» depois da mais espectacular saída de um clube de que há memória; existia a hipótese (remota) de ele dizer algo mais importante que Lopes. Este tem há décadas uma presença pertinaz nos ecrãs como comentador de futebol, comentador político (SIC e RTP) e concorrente dum concurso na SIC; inventou-se e reinventou-se para estar sempre na berra mediática, e os media deram-lhe tudo; a sua carreira política fez-se de aparecer na babugem do dia, de dicas erráticas, do diz que diz e não disse, do eu sou assim e eu e eu e eu. Faz o que for preciso para aparecer: se para aparecer for preciso desaparecer do estúdio da SICN, ele levanta-se e sai. De facto: desde Junho que Lopes não aparecia na lista dos 10 protagonistas das notícias televisivas e, por ter desaparecido da entrevista, entrou de rompante para 5º lugar, protagonizando 16 notícias em quatro dias do período de 24 a 30.09.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Invenção da TV, em boa parte da SIC e SICN, Lopes agiu como a criatura em revolta contra o criador. Mas revejam-se as imagens: depois de terminada a ligação ao aeroporto, não só se manteve em estúdio dois minutos (!) como agradeceu repetidamente, como que deixando a porta aberta a muitos e muitos convites futuros para lá voltar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Mais notável é que tantos milhares, incluindo leitores do PÚBLICO, se congratulassem com o gesto. A asfixia futebolística nos noticiários não gera protestos iguais; não há protestos em massa como este contra 15 minutos de Madail ou Scolari abrindo três noticiários; dois dias depois do episódio Lopes, não se ouviram protestos contra a RTPN por emitir um programa de futebol repetido enquanto a SICN dava em directo a vitória e o discurso de Menezes; também não há protestos quando, nas noites eleitorais, se interrompe um político para dar o ecrã a outro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Porquê a comoção neste caso? Porque se deu mais importância ao futebol do que à política; porque Lopes fez o mesmo que a SICN, esta usou o directo para o interromper, ele usou o directo para a interromper; porque Lopes pareceu recusar o palco mediático; porque muita gente já não aceita a arrogância da TV em geral de dona de palco, microfone e imagem, ela, sim, a verdadeira treinadora ou seleccionadora de quem é «alguém» no país, incluindo os chefes partidários como o próprio Lopes, Sócrates, Portas ou Menezes.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O caso simbolizou a percepção da TV como arrogante mas em decadência: anos atrás, Lopes não se teria levantado por precisar da TV como fulcro da ascensão política; hoje, com a internet e os muitos canais de TV alternativos, já pode ser «corajoso» pois o seu gesto chega a toda a gente por outros meios: em quatro dias, no you-tube as imagens foram vistas mais de 336.000 vezes.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Acaba um ciclo, ao fim de 15 anos? Hora de balanço: a mudança política e social do país por causa da TV em 15 anos foi bem maior e mais significativa do que a mudança dos conteúdos televisivos. A programação actual, estava, em boa parte, pressuposta nas grelhas da RTP, quase 100 por cento comerciais quando começaram SIC e TVI: já lá estavam as novelas, sitcoms, futebol, concursos, publicidade em intervalos e programas, converseta. Hoje, a RTP permanece a empresa de TV comercial de Estado em concorrência com as TVs comerciais privadas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;As alterações na programação deveram-se à concorrência. O português passou a dominar as emissões, mas o medo de inovar nos conceitos de programas generalizou os formatos estrangeiros em versão lusa; a comunicação tornou-se quase só feminina e, nos últimos anos, a sensibilidade gay entrou em força na TV generalista; grelhas, programas e até rubricas são ditados só pela audimetria; programas com menos audiência, «populares» ou «elitistas», acabam ou empurram-se para horários invisíveis. Tudo isso estava em potência na RTP de 1992; ela lá chegaria sem TV privada.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Ainda por causa da concorrência, atendeu-se mais às escolhas dos espectadores; criaram-se novas elites secundárias, como a dos parasitas do ecrã que vivem de e por aparecerem, mas a abertura de noticiários, concursos e talk-shows a novos protagonistas de fora das elites tradicionais foi bem menor do que aparenta, como prova Felisbela Lopes em A TV das Elites (Campo das Letras, 2007).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;A mudança essencial trazida pela TV privada foi a da vida política: a acção política resulta do que a televisão mostra; a acção política faz-se para a televisão mostrar; a crescente dissolução dos partidos deve-se à quase inutilidade das estruturas quando a comunicação se não processa por elas mas pelos media de massas; a importância crescente do protagonista partidário a tal se deve, pois é ele que aparece; os cidadãos participam mais em acções cívicas fora dos partidos porque a TV as mostra e obtêm resultados (estrada, policiamento, fecho de escola, etc.).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;A TV não agiu só na vida política mas no próprio sistema político: a abertura das autárquicas às listas independentes resulta da personalização da política e da caducidade das estruturas partidárias enquanto forma única de comunicação entre políticos profissionais, militantes e cidadãos; a eleição directa dos líderes é obra da televisão e faz-se na televisão. Sem a abertura da TV a novos canais nunca Sócrates, Lopes, Portas e Menezes teriam chegado tão facilmente às chefias dos partidos.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Eduardo Cintra Torres&lt;/span&gt; (Público de hoje)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-7195198996553483923?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/7195198996553483923/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=7195198996553483923' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/7195198996553483923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/7195198996553483923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/10/15-anos-eleger-lderes-eduardo-cintra.html' title='15 anos a eleger líderes (Eduardo Cintra Torres)'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-505091120691370548</id><published>2007-10-02T20:40:00.000+01:00</published><updated>2007-10-02T20:45:09.875+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Chorai, elites (Rui Tavares)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em geral, as elites portuguesas não se distinguem por nada que tenham feito. Não têm o hábito de se elevar e, em consequência, resta-lhes empurrar o povo para baixo quando ele se chega muito perto. Vejamos, a título de exemplo, as célebres elites do PSD. Joaquim Ferreira do Amaral é elite do PSD. Antigo ministro das Obras Públicas, candidato a presidente da Câmara de Lisboa, candidato à Presidência da República. Foi ele que negociou com a Lusoponte um ruinoso acordo para as travessias do Tejo que teve de ser defendido, nos anos finais do cavaquismo, à força de cargas policiais. Hoje Ferreira do Amaral é o presidente da Lusoponte.&lt;br /&gt;Rui Rio é elite do PSD. O corajoso Rui Rio, o implacável Rui Rio, desejava chegar a líder do PSD. Sabia que teria o partido na mão, se avançasse. Mas decidiu reservar-se para uma ocasião mais propícia e em que desse menos trabalho chegar a primeiro-ministro. Azar para ele. Durão Barroso é elite do PSD. Enquanto líder da oposição não tinha disponibilidade para saber se uma empresa como a Somague pagava dívidas de milhares de contos ao seu partido. Como primeiro-ministro, pediu sacrifícios aos portugueses e deixou o país nas mãos de Pedro Santana Lopes.&lt;br /&gt;Existe a tentação de comentar a relevância da vitória de Luís Filipe Menezes. Mas qual? A relevância ainda não está lá. Há quem diga que Menezes não chega às eleições, há quem diga que ele não as ganha e há quem diga que ainda bem. Para já o que há a comentar não é a relevância da sua vitória mas a relevância da derrota dos seus adversários. Uma implica a outra, mas não são a mesma coisa.&lt;br /&gt;Diz-se que as elites do PSD perderam por falta de comparência ou por acharem que tinham o partido na mão. Ambas as explicações significam isto: as elites do PSD, no fundo, não são tão elites quanto isso. Na tradição nacional, sempre esperaram que o seu lugar lhes fosse guardado e cedido: no conselho de administração como no conselho de ministros. Nos intervalos do poder, escolhiam um caseiro para tomar conta do partido.&lt;br /&gt;Da mesma forma, estes legítimos representantes da respeitabilidade cavaquista continuam a achar que o PSD tem de ter lugar cativo na sociedade portuguesa, apenas porque sim. Sempre desprezaram a ideologia a favor de um suposto monopólio do "saber governar". Fizeram o elogio dos self-made men para depois os acusar de populismo. Fugiram das causas sociais e avisaram o seu povo para se manter afastado do "politicamente correcto". Repetiram durante anos que a iniciativa pública é incompetente e a iniciativa privada virtuosa. Lembraram que se fizermos tudo para beneficiar os investidores e os empresários, o dinamismo do mercado se encarregará de todos. Riram das graçolas de Alberto João Jardim e apresentaram-no como bom exemplo. Aliaram-se a Paulo Portas para governar o país.&lt;br /&gt;Chegaram a eleger Santana Lopes, não em directas, mas num Conselho Nacional. E agora choram: mas este foi o partido que eles fizeram. Historiador    &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Rui Tavares&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.publico.pt"&gt;Público&lt;/a&gt; de hoje&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-505091120691370548?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/505091120691370548/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=505091120691370548' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/505091120691370548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/505091120691370548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/10/chorai-elites-rui-tavares.html' title='Chorai, elites (Rui Tavares)'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-3670453341745508694</id><published>2007-09-23T19:17:00.000+01:00</published><updated>2007-09-23T19:19:57.040+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Sonhos (Paulo Moura)</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Acordei tarde, deixei passar a hora do pequeno-almoço. Esfomeado, saí do hotel, mergulhei na massa de calor e multidão. Seria fácil comprar alguma coisa para comer, entre os milhares de vendedores que apregoam nas ruas de Bombaim, pensei. E lá estava um. Tinha, atrelada à bicicleta, uma carreta onde fritava uns pastéis redondos, recheados com vários molhos. Como uma fila de clientes de olhar ávido esperasse a sua vez, tive a certeza de que aqueles sonhos salgados e luzidios seriam deliciosos. Imaginei-me a saboreá-los, enquanto vagueava pelo trepidante meio-dia de uma das maiores e mais fascinantes cidades do mundo e isso deu-me ainda mais gula por aqueles bolinhos estaladiços.&lt;br /&gt;Chegou a minha vez. O homem fez algumas perguntas que não entendi, mas respondi a tudo que sim. Pus-me a observar aquela maravilha da culinária de rua. E então começou o horror.&lt;br /&gt;O cozinheiro começou a tirar, de um saco de plástico, pedaços de massa com que fazia bolinhas, com as palmas das mãos muito sujas. A massa era amarela no início, mas quando caía no óleo nauseabundo já ia castanha. Uma vez frito, o sonho era escorrido numa folha de jornal. O homem fazia-lhe então um buraco, com a comprida e imunda unha do polegar, e introduzia os molhos.&lt;br /&gt;Eu fiquei à beira do vómito. Paguei, sorri e, segurando no pacote gorduroso com as pontas dos dedos, corri dali para fora, em direcção ao caixote do lixo mais próximo.&lt;br /&gt;Mas não havia nenhum. Procurei algum recanto, algum beco sem ninguém, onde pudesse deitar fora aquela mixórdia repugnante. Nada. Em Bombaim, não há um centímetro quadrado que esteja vazio. A cidade tem quase 20 milhões de habitantes, metade dos quais vive na rua, em extrema pobreza. Por mais voltas que se dê, não é possível estar sozinho, nem deitar comida fora em frente de pessoas que passam fome.&lt;br /&gt;É claro que poderia dar os meus sonhos a alguém, mas com que desculpa?&lt;br /&gt;Durante horas, percorri as ruas de Bombaim, com os sonhos na mão. Tentei pousá-los &lt;span lang="pt-PT"&gt;disfarçadamente&lt;/span&gt;, mas havia sempre alguém a olhar. Pensei fingir que os deixava cair, mas decerto alguém correria atrás de mim para mos entregar. Passou-me pela cabeça voltar ao hotel, mas que pensaria a empregada de quarto quando lá encontrasse comida estragada?&lt;br /&gt;Continuei a correr a cidade, desesperado. Havia esquecido completamente a fome e tudo o que tinha para fazer. Como desembaraçar-me daqueles sonhos era a minha obsessão. Fazia por passar despercebido, enchia-me de alheamento, à espera de um minuto de privacidade, para poder cometer o meu pequeno crime, o meu pequeno gesto de insolência necessária.&lt;br /&gt;Uma menina de uns 12 anos aproximou-se. Deve ter pressentido a minha vulnerabilidade e disse, com uma voz lasciva: "Senhor, precisa de alguma coisa?" E percorreu o próprio corpo com a mão de unhas pintadas. "Precisa?"&lt;br /&gt;Voltei-lhe as costas e desatei a correr. Fugi daquela rua, daquele bairro, mas cada vez havia mais gente à minha volta, e acabei por deter-me, extenuado, no meio de uma praça. Sentei-me no chão. Olhei o embrulho, já amarrotado pelo desespero. Abri-o. Lá estavam os sonhos. Peguei num e meti-o na boca. Tinha um sabor esquisito, mas não desagradável. Comi outro. E não me levantei enquanto não engoli, lentamente, um a um, todos os sonhos que levava na mão.  &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Paulo Moura&lt;/span&gt; no &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Público&lt;/span&gt; de hoje&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-3670453341745508694?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/3670453341745508694/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=3670453341745508694' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/3670453341745508694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/3670453341745508694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/09/sonhos-paulo-moura.html' title='Sonhos (Paulo Moura)'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-937927849363336110</id><published>2007-09-13T16:49:00.000+01:00</published><updated>2007-09-13T16:55:59.261+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Too Old To Rock 'N' Roll: Too Young To Die</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;The old Rocker wore his hair too long,&lt;br /&gt;wore his trouser cuffs too tight.&lt;br /&gt;Unfashionable to the end  - drank his ale too light.&lt;br /&gt;Death's head belt buckle - yesterday's dreams&lt;br /&gt;the transport caf' prophet of doom.&lt;br /&gt;Ringing no change in his double-sewn seams&lt;br /&gt;in his post-war-babe gloom.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Now he's too old to Rock'n'Roll but he's too young to die.&lt;/p&gt;              &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;He once owned a Harley Davidson and a Triumph Bonneville.&lt;br /&gt;Counted his friends in burned-out spark plugs&lt;br /&gt;and prays that he always will.&lt;br /&gt;But he's the last of the blue blood greaser boys&lt;br /&gt;all of his mates are doing time:&lt;br /&gt;married with three kids up by the ring road&lt;br /&gt;sold their souls straight down the line.&lt;br /&gt;And some of them own little sports cars&lt;br /&gt;and meet at the tennis club do's.&lt;br /&gt;For drinks on a Sunday  - work on Monday.&lt;br /&gt;They've thrown away their blue suede shoes.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Now they're too old to Rock'n'Roll and they're too young to die.&lt;/p&gt;            &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;So the old Rocker gets out his bike&lt;br /&gt;to make a ton before he takes his leave.&lt;br /&gt;Up on the A1 by Scotch Corner&lt;br /&gt;just like it used to be.&lt;br /&gt;And as he flies tears in his eyes&lt;br /&gt;his wind-whipped words echo the final take&lt;br /&gt;and he hits the trunk road doing around 120&lt;br /&gt;with no room left to brake.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And he was too old to Rock'n'Roll but he was too young to die.&lt;br /&gt;No, you're never too old to Rock'n'Roll if you're too young to die.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HQBH9h-e87A"&gt;Jethro Tull&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-937927849363336110?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/937927849363336110/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=937927849363336110' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/937927849363336110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/937927849363336110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/09/too-old-to-rock-n-roll-too-young-to-die.html' title='Too Old To Rock &apos;N&apos; Roll: Too Young To Die'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-5075276667420303448</id><published>2007-09-03T22:10:00.000+01:00</published><updated>2007-09-04T00:30:36.085+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ogm'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Em defesa da discussão dos transgénicos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É curiosa a crispação de algumas entidades relativamente à acção desencadeada no Algarve contra o milho transgénico. O que leva essas pessoas a preocuparem-se exclusivamente com uma das facetas da mesma - a do atentado à propriedade privada?&lt;br /&gt;A quantidade de tempo dedicado ao facto pela SIC, as resmas de texto elaboradas por Pacheco Pereira, as declarações ministeriais e até os recados presidenciais não condizem com aquilo que eu, cidadão comum, entendo da questão. Não está, para mim, em causa a questão do direito à propriedade privada: também sou proprietário e, mais do que isso, sou um cidadão que faz questão de respeitar a legalidade democrática.&lt;br /&gt;Mas quanto ao respeito da propriedade, penso que todos acreditamos que as autoridades competentes aí estão para desencadear as acções adequadas. Além de que o proprietário - lesado - é certamente capaz, por si só, de apresentar as devidas queixas. Sei que a questão da propriedade da terra é das mais sensíveis da sociedade portuguesa, mas não é isso que desejo abordar agora. Só o refiro para deixar claro que a minha posição não é tão ingénua como pode parecer.&lt;br /&gt;O essencial, porém, é aquilo que motivou a acção de protesto: o recurso aos organismos geneticamente modificados (OGM), no caso o milho transgénico.&lt;br /&gt;Não tenho qualquer razão para duvidar da legalidade da plantação, nem sou polícia. Nem tenho que questionar o direito do agricultor proprietário da plantação a fazer essa escolha: tomou a opção dentro do quadro que a legalidade lhe oferecia, de acordo com os seus critérios de gestão.&lt;br /&gt;O que me preocupa, isso sim, é o recurso aos OGM, mesmo que ele seja legal. Ou melhor: precisamente porque é legal.&lt;br /&gt;A questão dos OGM tem passado um tanto em claro na opinião pública portuguesa. E devemos perguntar-nos porque é que ela tem preocupado os povos e as elites de tantos países. Serão todos diletantes, esses que pelo mundo fora se têm preocupado com isso? Ou somos nós ignorantes ao ponto de não nos preocuparmos? Se - como os arautos da cruzada antiacção não se cansam de sublinhar - não há unanimidade científica sobre os efeitos dos transgénicos, isso legitima que se avance, designadamente na concepção legislativa, sem discutir o assunto na sociedade? A apregoada capacidade decisória do Governo é motivo para escamotear os assuntos mais sensíveis da discussão pública?&lt;br /&gt;Haverá mesmo algum tema em relação ao qual as comunidades científicas sejam unânimes? E, mesmo que houvesse, será que os cidadãos comuns, exteriores às comunidades científicas, não têm uma palavra a dizer? Quem elege os decisores? Quem paga os impostos?&lt;br /&gt;Então, onde está a oportunidade para os cidadãos discutirem este problema? Agora que ele está legislado, parece que tudo o que se disser ou fizer contra o avanço dos OGM será contra a lei! Nestas observações não se pode, evidentemente, ver qualquer apologia do desrespeito da propriedade privada nem das leis do país. Mas não é sabido que as leis são fruto dum ambiente e de um processo social? São as leis imutáveis? Quantas vezes o legislador se encosta à falta de conhecimento público para impor soluções que doutro modo não passariam? Não é esse, mesmo, um dos critérios para aferir a distância a que o poder (em qualquer parte) se encontra da sociedade? Podemos servir-nos do álibi de que a "Europa" decidiu que não há inconveniente na utilização dos OGM dentro de determinadas condições, para justificar o teor da própria legislação nacional? Se assim fosse, porque se estaria a discutir a "Constituição Europeia", preparada nas costas dos cidadãos europeus? Se assim fosse, porque se discutiriam as causas do afastamento dos cidadãos relativamente aos produtores das medidas políticas (legislativas e outras)?&lt;br /&gt;Aquilo que é legal não é indiscutível. Doutro modo as leis não evoluiriam.&lt;br /&gt;Em Portugal assistimos, por exemplo, nas décadas de 80 e 90, a acções contra a eucaliptização indiscriminada, nem todas respeitadoras da legalidade instituída. No entanto, foi graças a tais acções (algumas também atentatórias da propriedade privada), que a eucaliptização selvagem foi sendo travada, dando origem a legislação mais atenta ao bem público. Mas nem nessa altura se viu a berraria a que temos assistido a propósito desta acção relativa ao milho transgénico!&lt;br /&gt;Depois de o movimento social tornar os cidadãos mais conscientes da problemática dos OGM e de os cientistas terem reforçado a prudência com que declaram as "verdades científicas", poderão os ministros dum Governo democrático ser tão categóricos a garantir a inoquidade desses OGM? E será legítimo que se atenham à mera questão do respeito da legalidade? Ou será que deveriam vir ao encontro do pulsar da sociedade e entrar no debate (que eles próprios deviam promover ou, no mínimo, aceitar democraticamente)?&lt;br /&gt;É tempo de debater o problema que era a própria razão de ser da acção criticada: porque são perigosos os OGM? Porque devemos todos envolver-nos nesse esclarecimento? Qual a necessidade de fazer prevalecer o princípio da precaução?&lt;br /&gt;Depois de se dar a poluição genética das culturas tradicionais... será tarde: Inês é morta! E o ensurdecedor silêncio oficial não ajuda - antes contraria - uma tomada de consciência esclarecida por parte dos cidadãos - e, também, dos próprios decisores, mesmo que sejam ministros. Em nome do desenvolvimento da cidadania, gaste-se pelo menos tanto tempo quanto se tem gasto em torno deste caso a discutir os OGM: pelo meu lado, agradecerei, e creio que os nossos filhos também.&lt;br /&gt;Se não, quem se ri são as multinacionais - essas, sim, sem rosto! - que vendem os OGM mais os pesticidas necessários para acompanhar as respectivas culturas, tudo à custa não apenas do bolso dos compradores, mas, pior, da saúde pública e do ambiente que é de todos e não pode ser substituído por outra coisa qualquer.&lt;br /&gt;Preocupemo-nos menos com quem paga as despesas dos activistas (lembram-se quando a PIDE invocava que os democratas recebiam dinheiro da Rússia?) e mais com a razão que lhes possa assistir na defesa dum mundo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Victor Louro&lt;/span&gt; - Engenheiro silvicultor. Antigo deputado à AR - Jornal &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;a href="http://ww2.publico.clix.pt/"&gt;Público&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;de hoje&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-5075276667420303448?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/5075276667420303448/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=5075276667420303448' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/5075276667420303448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/5075276667420303448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/09/em-defesa-da-discusso-dos-transgnicos.html' title='Em defesa da discussão dos transgénicos'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-6911802287286779659</id><published>2007-07-25T19:08:00.000+01:00</published><updated>2007-07-25T19:09:45.981+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Wake Me Up When September Ends</title><content type='html'>Summer has come and passed&lt;br /&gt;The innocent can never last&lt;br /&gt;Wake me up when September ends&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Like my father's come to pass&lt;br /&gt;Seven years has gone so fast&lt;br /&gt;Wake me up when September ends&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Here comes the rain again&lt;br /&gt;Falling from the stars&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drenched in my pain again&lt;br /&gt;Becoming who we are&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As my memory rests&lt;br /&gt;But never forgets what I lost&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wake me up when Septmber ends&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Summer has come and passed&lt;br /&gt;The innocent can never last&lt;br /&gt;Wake me up when Septmber ends&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ring out the bells again&lt;br /&gt;Like we did when spring began&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wake me up when septmber ends&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Here comes the rain again&lt;br /&gt;Falling from the stars&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drenched in my pain again&lt;br /&gt;Becoming who we are&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As my memory rests&lt;br /&gt;But never forgets what I lost&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wake me up when septmber ends&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Summer has come and passed&lt;br /&gt;The innocent can never last&lt;br /&gt;Wake me up when Septmber ends&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Like my father's come to pass&lt;br /&gt;Twenty years has gone so fast&lt;br /&gt;Wake me up when September ends&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Green Day&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-6911802287286779659?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/6911802287286779659/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=6911802287286779659' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/6911802287286779659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/6911802287286779659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/07/wake-me-up-when-september-ends.html' title='Wake Me Up When September Ends'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-5782502640356928545</id><published>2007-06-01T17:50:00.000+01:00</published><updated>2007-06-01T17:53:37.824+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>"Palavras soltas"</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;No exame de Português do 9.º ano, os critérios de avaliação permitem que um aluno possa ter dois pontos (em cinco) com "muitas insuficiências" de natureza "ortográfica, lexical, morfológica" e "sintáctica". Ou seja, em última análise, permite que um aluno entre no secundário sem saber escrever. Basta que responda com "palavras soltas", se der uma ideia que percebeu a pergunta e sugerir vagamente a resposta. Não se compreende como um professor consegue adivinhar o sentido de "palavras soltas", com uma ortografia errada, e ainda por cima comparar o mérito, relativo e absoluto, dessas trapalhadas "verbais". Mas, segundo a sra. ministra da Educação, "há uma técnica", certamente miraculosa, para avaliar "competências de leitura e de interpretação". E o primeiro-ministro com certeza acredita.&lt;br /&gt;Toda a gente conhece as mil e uma razões por que as crianças não sabem escrever. Pior do que isso, excepto um ou outro e-mail ou SMS, as crianças não precisam de escrever. Se o Estado suprimisse a disciplina de Português (e já agora o Latim, o Grego, a História e a Filosofia), nem a sociedade, nem o PIB sofriam muito. Suponho mesmo que não sofriam nada. Para a espécie de homem, e de mulher, que por aí crescentemente circula, as "palavras soltas" chegam e sobram. Quem viveu na época em que se escrevia (cartas, por exemplo) aprendeu que escrever é um exercício de investigação e de lógica; um exercício que obriga a definir, ordenar e desenvolver o que se pensa. E também uma tentativa para comover, convencer, informar ou instruir o próximo. A espécie de comunicação pessoal e colectiva que hoje se usa dispensa esse esforço.&lt;br /&gt;Os critérios de avaliação do exame do nosso 9.º ano não passam de um sintoma de uma realidade maior e mais triste: o lento "regresso" do Ocidente a uma nova espécie de barbárie. Nunca se gastou tanto dinheiro em "cultura" e nunca a cultura foi tão universalmente desprezada. A classe média, que desde o século XV foi a sua portadora (e criadora) por excelência, está reduzida a viajar com a penetração de um boi (rico) que olha para um palácio. A linguagem pública (religiosa, política, jornalística, musical, literária, cinematográfica, universitária) empobrece dia a dia. A conversa, como arte, morreu, porque as pessoas não têm que dizer e muito pouco interesse em ouvir. O Estado anda a educar as nossas queridas criancinhas para este mundo. Que outra coisa seria de esperar?&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Vasco Pulido Valente&lt;/span&gt;, Público de 1 de Junho de 2007&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-5782502640356928545?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/5782502640356928545/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=5782502640356928545' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/5782502640356928545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/5782502640356928545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/06/palavras-soltas.html' title='&quot;Palavras soltas&quot;'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-991425369806693034</id><published>2007-05-30T23:14:00.000+01:00</published><updated>2007-05-30T23:18:15.252+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Monangamba</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Naquela roça grande não tem chuva&lt;br /&gt;é o suor do meu rosto que rega as plantações;&lt;/p&gt;    &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Naquela roça grande tem café maduro&lt;br /&gt;e aquele vermelho - cereja&lt;br /&gt;são gotas do meu sangue feitas seiva.&lt;/p&gt;    &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O café vai ser torrado,&lt;br /&gt;pisado, torturado,&lt;br /&gt;vai ficar negro, negro da cor do contratado.&lt;/p&gt;    &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Perguntem às aves que cantam&lt;br /&gt;aos regatos de alegre serpentear&lt;br /&gt;e ao vento forte do sertão:&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Quem se levanta cedo?&lt;br /&gt;Quem vai à tonga?&lt;br /&gt;Quem traz pela estrada longa&lt;br /&gt;a tipóia ou o cacho de dendém?&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Quem capina e em troca recebe desdém,&lt;br /&gt;fuba podre, peixe podre,&lt;br /&gt;panos ruins, cinquenta angolares,&lt;br /&gt;"porrada se refilares"?&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Quem?&lt;br /&gt;Quem faz o milho crescer&lt;br /&gt;e os laranjais florescer&lt;br /&gt;Quem?&lt;/p&gt;    &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Quem dá dinheiro para o patrão comprar&lt;br /&gt;máquinas, carros, senhoras&lt;br /&gt;e cabeças de pretos para os motores?&lt;/p&gt;    &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Quem faz o branco prosperar,&lt;br /&gt;ter barriga grande, ter dinheiro?&lt;br /&gt;Quem?&lt;/p&gt;      &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E as aves que cantam,&lt;br /&gt;os regatos de alegre serpentear&lt;br /&gt;e o vento forte do sertão&lt;br /&gt;responderão:&lt;br /&gt;- "Monangambééé..."&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras,&lt;br /&gt;deixem-me beber maruvo&lt;br /&gt;e esquecer diluído nas minhas bebedeiras:&lt;br /&gt;- "Monangambééé..." &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;António Jacinto&lt;/span&gt; - poeta angolano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-991425369806693034?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/991425369806693034/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=991425369806693034' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/991425369806693034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/991425369806693034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/05/monangamba.html' title='Monangamba'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-2167918676275235950</id><published>2007-05-25T23:38:00.000+01:00</published><updated>2007-05-25T23:41:55.097+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Estupidamente solidário</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;A inteligência e a insolidariedade andam de mãos dadas, na maior parte dos casos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me bem que a seguir ao 25 de Abril, quando havia problemas, ninguém conhecia muito bem ninguém. A regra seguida era, as mais das vezes, "não me comprometam, que eu mal conheço a criatura".&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;A minha família esteve envolvida politicamente no 25 de Abril (antes e depois). Como muitas outras, teve problemas especialmente ao opor-se de forma activa à tentativa de desvio antidemocrático (e muitas vezes o foram). Mas o meu Pai tinha uma teoria interessante: devemos, nos momentos difíceis, procurar aliados com fortes princípios, mas não demasiadamente inteligentes. Quem é muito inteligente consegue sempre imaginar uma boa razão para não ser amigo e faltar à solidariedade pessoal sem, ilusoriamente, ferir os princípios. Essa justificação é não só uma desculpa para si próprio, mas também para os outros. Note-se que, também, não tem que ser uma atitude consciente, mas uma reacção instintiva de se pôr de fora: "Eu não me meto nos problemas dos outros", "realmente o que lhe têm vindo a fazer é chato, mas ele perdeu a razão na forma como reagiu"...&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Com menos dramatismo, esta regra mantém-se verdadeira no nosso dia-a-dia. Podemos confiar em pessoas com fortes princípios e QI mediano, embora, também, não muito baixo; caso contrário, nem percebe o que se está a passar. Evidentemente que me orgulho de conhecer excepções a esta regra, mas conheço mais exemplos da sua veracidade, infelizmente.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;É claro que na amizade há sempre uma dose de loucura que não se compadece com calculismos. Apoiar um tipo que está na mó de baixo é sincero; apoiar um ganhador também pode ser sincero, mas fica sempre a dúvida tanto em nós mesmos como nos outros.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;A consciência desta regra, quase-sempre-verdadeira, levou-me a gostar de estar, por princípio, com a minoria. Para apoiar a maioria, em qualquer circunstância, penso sempre duas vezes se não estou a seguir o caminho fácil. Não faz de mim um homem feliz, mas um homem em paz e que não se envergonha de se ver ao espelho. É também por isso que sou da Académica, quando podia ser do Benfica ou do Porto, que ganham tudo. E porquê? Porque sim. Por que é que se é amigo de um amigo? Porque sim, é tudo.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Além disso, as opções morais no quotidiano raramente são decisões simples. O Judas é historicamente o estereótipo do traidor, embora, para mim, a ideia de ele se vender por 30 dinheiros seja factualmente difícil de admitir, por ser simples de mais. Será que Cristo escolheu um tipo tão mal formado que, tendo-O conhecido, O foi vender na primeira oportunidade? De qualquer forma, sujeitos que sejam iguais a este Judas não se encontram assim tão facilmente. O mundo real é muito mais subtil. E nem sempre estamos atentos.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Talvez até a história de Judas fosse algo diferente, mas nunca saberemos. Ainda há pouco foi publicado um romance curioso (mas não dramaticamente interessante, saliente-se) - O Evangelho segundo Judas - que nos dá uma interpretação alternativa. Alguém inteligente e que "trai", porque deseja ajudá-Lo, é transformado em bode expiatório, sendo os outros os verdadeiros traidores e, em especial, Pedro, que O negou três vezes.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Outra face desta moeda é o "empurrar de responsabilidades". Lembro-me, a propósito, de uma pequena história (que pode ficar como curiosidade para a História da guerra em África). Uma noite, talvez em 1972, quando me ia deitar, o meu Pai pediu-me para ficar com ele, porque havia algo de importante que iria acontecer lá para as duas da manhã. O caso era simples: tinha havido uma ofensiva em Angola e as nossas tropas estavam com problemas graves de munições, morteiros, granadas... A Força Aérea tinha-o informado, como chefe de gabinete do chefe do Estado-Maior, de que havia um 707 pronto a partir às duas da manhã, mas em sobrecarga ("as luzes vermelhas a piscar").&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Com uma equipagem totalmente voluntária, o avião, dados os ventos, tinha que levantar voo sobre Lisboa. O perigo era evidente e queriam autorização superior. "Então perguntaste ao "chefe"?", inquiri. "Não, mandei eu próprio avançar; ele não poderia dizer outra coisa e, assim, se houver problema, a culpa é minha, ele pode dizer que não foi consultado." Como todos sabemos, correu bem e às duas da manhã vimos, da janela da nossa casa em Alvalade, a voar baixinho, o 707 sem problemas. Mas esta ideia de responsabilidade pessoal e institucional ficou-me marcada. Para o homem-económico dos modelos académicos, era o calculismo a funcionar contra o próprio, era um absurdo. Para os modelos da psicologia, é um comportamento de cidadania organizacional.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Penso que, sem darmos por isso, Deus ou o destino nos coloca todos os dias situações em que temos de escolher entre ser responsáveis, solidários e amigos ou sabiamente fugir às nossas responsabilidades. Sermos solidários é sê-lo por razões pouco inteligentes, ou seja, sem termos nada a ganhar, a não ser o respeito por nós próprios. É assim a vida e cada um escolhe a sua.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Luís Campos e Cunha&lt;/span&gt;, Público de 25.05.2007&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-2167918676275235950?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/2167918676275235950/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=2167918676275235950' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2167918676275235950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2167918676275235950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/05/estupidamente-solidrio.html' title='Estupidamente solidário'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-4082691255217963608</id><published>2007-05-13T20:00:00.000+01:00</published><updated>2007-05-14T19:37:11.938+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Xis'/><title type='text'>O que faz a famosa auto-estima xis ...</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Os jornalistas devem confirmar a veracidade da informação que divulgam. É uma forma de evitar enganar os outros.&lt;br /&gt;O texto "A coragem de Pessoa", publicado (caderno P2, pág. 4) no passado dia 13 de Abril, não passou despercebido.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Escreve Laurinda Alves:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;"Deixo aqui o texto inspirador de Fernando Pessoa que foi lido em voz alta neste fim de tarde inesquecível.&lt;/p&gt;                                                                  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Posso ter defeitos, viver ansioso&lt;br /&gt;e ficar irritado algumas vezes mas&lt;br /&gt;não esqueço de que minha vida é a&lt;br /&gt;maior empresa do mundo, e posso&lt;br /&gt;evitar que ela vá à falência.&lt;br /&gt;Ser feliz é reconhecer que vale&lt;br /&gt;a pena viver apesar de todos os&lt;br /&gt;desafios, incompreensões e períodos&lt;br /&gt;de crise.&lt;br /&gt;Ser feliz é deixar de ser vítima dos&lt;br /&gt;problemas e se tornar um autor&lt;br /&gt;da própria história. É atravessar&lt;br /&gt;desertos fora de si, mas ser capaz de&lt;br /&gt;encontrar um oásis no recôndito da&lt;br /&gt;sua alma.&lt;br /&gt;É agradecer a Deus a cada manhã&lt;br /&gt;pelo milagre da vida.&lt;br /&gt;Ser feliz é não ter medo dos próprios&lt;br /&gt;sentimentos.&lt;br /&gt;É saber falar de si mesmo.&lt;br /&gt;É ter coragem para ouvir um "não".&lt;br /&gt;É ter segurança para receber uma&lt;br /&gt;crítica, mesmo que injusta.&lt;br /&gt;Pedras no caminho?&lt;br /&gt;Guardo todas, um dia vou construir&lt;br /&gt;um castelo..."&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Alguns leitores questionam a autoria do "texto inspirador".&lt;br /&gt;"(...) Pretendo ser discreto e não quereria ofender a senhora jornalista, que transborda de boas intenções e a quem desejo (como à maior parte das pessoas...) que seja muito feliz assim - ainda que, em semelhantes circunstâncias, me ocorra, com insistência, um brevíssimo conto de Voltaire sobre espécies de felicidade... Mas tenho bastante dificuldade em imaginar que um tal acervo de banalidades, mesmo muito bem intencionadas e inspiradoras, alguma vez se tenha encontrado com a complexa intelectualidade de Pessoa, nem mesmo em momento de ternurenta elaboração de uma carta para a Ophélinha. Além de que, literariamente, o textinho é muito pobrezinho... e isso, nem nas cartas para a Ophélinha! Acresce ainda que é basto notória a genealogia brasileira do escrito, com formulações sintácticas que, se hoje desgraçadamente contaminam a escrita deste lado do Atlântico, no tempo de Pessoa não eram sequer usadas na outra margem do dito, ao menos nos meios literários...&lt;br /&gt;Como é que ninguém se apercebe disto?!&lt;br /&gt;Temo que, ao publicar o textinho, sem que ninguém notasse a incongruência, o PÚBLICO lhe dê uma legitimidade inesperada (ainda se acredita no que vem nos jornais de referência), uma caução cultural reforçada, que sustente a convicção (sempre bem intencionada, com boa onda e muito karma) dos que continuam a não entender que a Net é um recurso muito importante, mas também muito perigoso, pois muito do que por ela viaja não tem qualquer validação...&lt;br /&gt;Será que vou deparar com uma rectificação numa das próximas edições do PÚBLICO?&lt;br /&gt;É claro que, se algum especialista em Fernando Pessoa me disser de que arca ou baú surgiu esta prosa, prometo que irei de burel e baraço em romagem ao Altar da Ignorância. E aceitarei, finalmente, como provado que o poeta uma ou outra vez abusaria do álcool e... não resistiria, mesmo assim, a escrever...", escreve Paulo Rato, um leitor de Queluz.&lt;br /&gt;O texto suscitou mais interrogações.&lt;br /&gt;"É citado um poema pretensamente de Fernando Pessoa ("A coragem de Pessoa", sem referência bibliográfica), cuja autenticidade me deixa dúvidas.&lt;br /&gt;Uma frase como: "agradecer a Deus a cada manhã" não me parece que tenha saído da caneta do Mestre. Mas admito estar totalmente enganada, pelo que muito grata ficaria se me fornecessem a referência específica: qual o heterónimo, qual a data, qual a "arca" donde extraíram o poema", escreve Fernanda Jesuíno.&lt;br /&gt;A solicitação da leitora é legítima.&lt;br /&gt;"Já não é a primeira vez que me cruzo com esse texto (na altura foi-me enviado por e-mail), e já nessa altura tive a nítida impressão de que não é coisa que Pessoa fosse escrever. Não é estilo (ou estilos) dele. Não é o tema dele. Penso aliás que não é nada dele e o facto de o ver hoje preto no branco no PÚBLICO numa coluna de alguém que respeito e que a priori até confio saiba mais de Fernando Pessoa que eu, não me fez mudar de ideia.&lt;br /&gt;No entanto, não encontro informação na Net que me suporte. Até porque esse texto está reproduzido incontáveis vezes e sempre colado ao nome de Fernando Pessoa. Não tenho mais a quem recorrer, a não ser que escreva para a Casa Fernando Pessoa, coisa que já estive mais longe de fazer. A única coisa que encontrei foi na Wikipédia, mas isso vale o que vale. Fica aqui transcrito: "Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo."&lt;br /&gt;Sentença tipicamente atribuída a Fernando Pessoa na Internet, ainda que nunca tenha sido escrita por ele, e sim por Nemo Nox, bloguista brasileiro.&lt;br /&gt;(http://pt.wikiquote.org/wiki/Fernando_Pessoa)&lt;br /&gt;Confio no seu juízo para avaliar a pertinência do meu comentário", escreve Daniel Marinha (do blogue www.quotidianidades.blogspot.com).&lt;br /&gt;O comentário é pertinente.&lt;br /&gt;"Mundo Pessoa" (blogue institucional da Casa Fernando Pessoa) apresentou três dias depois o "post" "Agarra que é apócrifo!": "Leonor Areal, no (blogue) Doc Log chama a atenção para coisas que é importante ler esclarecidas." (http://www.mundopessoa.blogspot.com/)&lt;br /&gt;Eis o comentário de Leonor Areal: "(...) Laurinda Alves, em dia de azar, publica um texto supostamente de Fernando Pessoa, apócrifo evidentemente. Está à vista de qualquer um que conheça a obra de Pessoa que aquele poema piroso nunca podia ser dele, e ainda por cima com pronome reflexo colocado à moda brasileira: "Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história". Um idiota qualquer o escreveu, (...)" ("Fernando Peçonha" in http://doc-log.blogspot.com/2007/04/fernando-peonha.html)&lt;br /&gt;É muito provável que a prosa corresponda a dois textos de autores diferentes. O bloguista brasileiro Nox poderá ser um deles: "No início de 2003, chateado com os obstáculos que encontrava e tentando ser um pouco otimista, escrevi aqui estas três frases: "Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo." Não pensei mais nisso até que recentemente comecei a receber e-mails pedindo que eu confirmasse ser o autor do trechinho. Aparentemente, o trio de frases tomou vida própria e se espalhou pela Internet lusófona com variações na pontuação e na atribuição da autoria. (...) Depois alguém resolveu pegar um poema (possivelmente de Augusto Cury, autor de Dez Leis para Ser Feliz), colar o tal trechinho no fim e distribuir tudo como se fosse obra do Fernando Pessoa. Não demorou muito para que as minhas três frases começassem a pipocar pela rede atribuídas ao poeta português (afinal, é sempre mais bacana citar um famoso escritor luso que um quase desconhecido blogueiro brasileiro). Cheguei eu mesmo a duvidar da minha autoria. Poderia ter cometido um plágio inconsciente, recolhendo da memória alguma coisa lida no passado e achando que se tratava de material original? Revirei os poemas pessoanos em busca de pedras e castelos mas não consegui encontrar qualquer coisa remotamente parecida ao trecho em questão. Vasculhei os heterônimos e tampouco achei o guardador de pedras. (...) Outra coisa engraçada é que nem me sinto orgulhoso de ter escrito isso, parece-me hoje até um pouco piegas, como aqueles cartazes motivacionais com fotos bonitas e frases otimistas." (in www.nemonox.com/ppp/archives/2006_03.html#008119)&lt;br /&gt;O psiquiatra Augusto Cury (autor de O Mestre do Amor, A Ditadura da Beleza ou O Futuro da Humanidade) não confirma a autoria da outra parte.&lt;br /&gt;O provedor contactou, portanto, a Casa Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;"O poema em questão não é de Fernando Pessoa, coisa que poderia ser garantida à primeira leitura (pelo tema, pela escrita, pela ortografia). No Brasil, tanto na Web como em papel impresso, circulam vários "poemas apócrifos" assinados por Fernando Pessoa; muitas vezes, os seus autores pretendem garantir algum reconhecimento anónimo através da utilização do nome do poeta - são, geralmente, textos de má qualidade e que, infelizmente, se multiplicam todos os dias. Qualquer "leitor mediano" da obra de Pessoa ou dos seus heterónimos se dá conta da mistificação e da falsificação. Fernando Pessoa não diz semelhantes patetices", esclareceu Francisco José Viegas, escritor e director da Casa Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;Pedi, por outro lado, um esclarecimento a Laurinda Alves: "Agradeço sinceramente o contributo dos leitores e dos especialistas para desfazer um equívoco que não era só meu e, por isso, podia ser perpetuado. Aqui ficam os textos e as cartas, escritos em vários tons, a desfazer todas as dúvidas. Verifico, com surpresa, que ainda há pessoas que vivem convencidas de que nunca se enganam nem se deixam enganar."&lt;br /&gt;Laurinda Alves reconhece o erro.&lt;br /&gt;O provedor considera que os jornalistas devem confirmar a veracidade da informação que divulgam. É uma forma de evitar enganar os outros. O resto é conversa...&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Rui Araújo&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Provedor do leitor do Público em 13.05.2007&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-4082691255217963608?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/4082691255217963608/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=4082691255217963608' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/4082691255217963608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/4082691255217963608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/05/o-que-faz-famosa-auto-estima-xis.html' title='O que faz a famosa auto-estima xis ...'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-2692797448951869664</id><published>2007-05-03T20:00:00.000+01:00</published><updated>2007-05-03T20:44:21.135+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>Parabéns Agualusa</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O escritor angolano acaba de receber o Independent Foreign Fiction Prize, no valor de 15 mil euros, com O Vendedor de Passados&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;        &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Enquanto José Eduardo Agualusa lê a abertura de O Vendedor de Passados, numa National Portrait Gallery esgotada e silenciosa, tento imaginar que sou uma das outras pessoas que ali está. Uma dos outros, aqueles que não entendem o que Agualusa diz; os outros, aqueles que não falam português. Tento ficar calada por dentro, não responder ao que ouço. Deixar a língua escorregar dos sentidos, tornar-se esquiva. Perco-a em momentos sucessivos, caem substantivos: janela; verbos: vi. Até que não sei o que quer dizer O Vendedor de Passados; O Vendedor de Passados são Ss cujas pontas se atam umas às outras, são Rs bicho-de-conta, pronunciados para dentro de si mesmos.&lt;br /&gt;Eu acho uma maravilha em Londres andar de autocarro e de metro a escutar línguas em ponto de rebuçado musical; mas ontem fiquei a pensar que talvez seja ave rara. Aos ingleses, não os vejo a virar estrategicamente os ouvidos seduzidos pelo que não podem entender. Aos britânicos não os vemos a correr para as livrarias por um escritor estrangeiro. Agualusa está nos três por cento de autores traduzidos para o mercado britânico. Depois, está nos três por cento dos três por cento dos três por cento seleccionados para o prémio patrocinado pelo The Independent que distingue literatura em tradução. E indo às milésimas das percentagens, Agualusa ganhou.&lt;br /&gt;Agualusa termina. Não sei o que leu, mas digo-vos: é lindíssimo. Na National Portrait Gallery desfaz-se o silêncio da incompreensão, ou como é mais bonito observar, do mistério.&lt;br /&gt;Agualusa sai do pódio com a sua língua misteriosa, e dá lugar a Daniel Hahn, o tradutor, que terá uma audiência, então, que ri e acena cabeças de acordo. Este prémio também é para ele (50/50), o desembaraçador de mistérios.&lt;br /&gt;Foi uma noite feliz. Fiquei feliz pelo Agualusa, mas tenho que confessar, fiquei muito mais feliz por mim própria. Foi como se também eu tivesse ganho um prémio.&lt;br /&gt;Acho que estou em Londres há tempo demais - tempo, pelo menos, suficiente para ter começado a duvidar da minha própria língua. O meu prémio, ontem, foi fazer as pazes com a minha língua. Aproveitem a oportunidade todos os que andam zangados com a língua portuguesa (que os há, há, neste mundo-anglo-saxónico-cêntrico). Não consigo pensar em ninguém melhor para curar-nos de complexos. Agualusa é "o" escritor de língua portuguesa, o escritor migrante do português - de Angola para Portugal, de Portugal para o Brasil, do Brasil de volta a Angola, usando todas as combinações triangulares possíveis.&lt;br /&gt;Agualusa, sempre gentil e charmoso, independentemente da língua de conversação, não perdeu a compostura. Eu perdi. Vim para casa com um sorriso exclusivo, atirando-o no metro aos outros, os que não falam a minha língua. Os que não lêem a minha língua, nem em tradução. Não sabem o que perdem.  &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="left"&gt;Susana Moreira Marques, Público de 03.05.2007&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-2692797448951869664?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/2692797448951869664/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=2692797448951869664' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2692797448951869664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2692797448951869664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/05/parabns-agualusa.html' title='Parabéns Agualusa'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-1836957299426437042</id><published>2007-05-03T08:00:00.000+01:00</published><updated>2007-05-03T09:41:43.044+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Easy to Be Hard</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;How can people be so heartless&lt;br /&gt;How can people be so cruel&lt;br /&gt;Easy to be hard&lt;br /&gt;Easy to be cold&lt;/p&gt;              &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;How can people have no feelings&lt;br /&gt;How can they ignore their friends&lt;br /&gt;Easy to be proud&lt;br /&gt;Easy to say no&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;And especially people&lt;br /&gt;Who care about strangers&lt;br /&gt;Who care about evil&lt;br /&gt;And social injustice&lt;br /&gt;Do you only&lt;br /&gt;Care about the bleeding crowd?&lt;br /&gt;How about a needing friend?&lt;br /&gt;I need a friend&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;How can people be so heartless&lt;br /&gt;You know I'm hung up on you&lt;br /&gt;Easy to give in&lt;br /&gt;Easy to help out&lt;/p&gt;        &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;And especially people&lt;br /&gt;Who care about strangers&lt;br /&gt;Who say they care about social injustice&lt;br /&gt;Do you only&lt;br /&gt;Care about the bleeding crowd&lt;br /&gt;How about a needing friend?&lt;br /&gt;I need a friend&lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;How can people have no feelings&lt;br /&gt;How can they ignore their friends&lt;br /&gt;Easy to be hard&lt;br /&gt;Easy to be cold&lt;br /&gt;Easy to be proud&lt;br /&gt;Easy to say no&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;HAIR&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-1836957299426437042?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/1836957299426437042/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=1836957299426437042' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/1836957299426437042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/1836957299426437042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/05/easy-to-be-hard.html' title='Easy to Be Hard'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-3116880719213710442</id><published>2007-04-12T23:14:00.000+01:00</published><updated>2007-04-12T23:18:19.914+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Xis'/><title type='text'>E você, está apaixonado pela pessoa errada?</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;A dúvida é tão antiga quanto as relações amorosas: será que me apaixonei pela pessoa certa? E se for a errada, como saberei? A psicóloga Ana Cristina Oliveira levanta a ponta do véu: "A pessoa errada é aquela que provoca o desejo de lhe agradar de tal maneira que nos força a ser diferentes do que somos". Não é de todo uma pessoa má. "Pode ser a errada para uma, mas a certa para outra", explica a psicóloga que na semana que passou deu uma conferência sobre o tema "Porque é que nos apaixonamos pelas pessoas erradas?".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Desengane-se, pois, quem pensou que os amores errados eram os de Romeu e Julieta ou de Callas e Onassis.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Se se revê no discurso "já não sei quem sou, nos últimos 15 anos não comprei nada a meu gosto e fui passar férias a sítios que detesto", então as campainhas deveriam soar. Acontece a quem tem baixa auto-estima, isto é, não se aceita muito bem como é. E precisa de projectar uma imagem daquilo que não é.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Ele é extrovertido, ela é o oposto, mas não quer que se descubra. É aqui que começa a sabotagem e até mesmo a mentira. Eis um exemplo: pouco tempo depois de começar o enamoramento, numa sexta-feira à noite, ele decide ceder ao apelo de sair com os amigos. Sem saber, ela prepara um jantar especial em casa, à luz das velas. E quando se apercebe que vai passar o serão sozinha prefere não deixar transparecer a desilusão. Imagine-se o diálogo ao telemóvel: "Hoje vou sair com o meu grupo de amigos". Do outro lado da linha, silêncio. "O que é que tens? Nada". A frase, diz Ana Cristina Oliveira, bem poderia ser o título daquela conferência. Um dos elementos do casal sente-se compelido a mentir ou fica em silêncio quando sente o controlo absoluto do outro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;"Aqueles dois não podem sobreviver", sustenta Ana Cristina Oliveira. E se a escolha pela pessoa errada for sistemática? "Há uma patologia do padrão relacional", isto é, pessoas com baixa auto-estima apaixonam-se por seres semelhantes. Como ambos projectam uma imagem daquilo que não são "estão sempre a cobrar isso um ao outro porque nenhum aceita aquilo que é", explica a psicóloga.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Já o carácter complementar num casal parece funcionar: um é introvertido (mas socialmente apresenta-se como extrovertido) e o outro é extrovertido mas dá ares de tímido. Só que, segundo Ana Cristina Oliveira, esta relação saudável é muito mais dinâmica e dá muito mais trabalho: "Têm que investir continuamente e esforçarem-se por serem verdadeiros e autênticos".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;A preguiça é, pois, um barómetro de uma relação saudável. Não é bom sinal que haja "um a servir e outro a trabalhar", "uma vítima e um carrasco". As relações erradas são também muito intensas e muito fechadas ao exterior. Parece assim claro o diagnóstico de uma relação saudável: "uma relação que parece simples, que não dá trabalho nenhum, é errada".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;A pergunta "Porque é que nos apaixonamos pelas pessoas erradas?" aguçou a curiosidade dos media e atraiu 160 pessoas, a maioria mulheres, que encheram numa sexta-feira à noite a sala do Teatro A Barraca, em Lisboa. Muito mais gente disposta a pagar sete euros e meio do que para a palestra anterior sobre o "Sexo e a Comida", também promovida pela Associação Lavoisier para angariar fundos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Será que as pessoas estão assim tão infelizes com a sua relação e vieram tentar perceber porquê? "Penso que não. Há uma ansiedade de compreensão sobre como é que são os mecanismos de comportamento de cada um", justifica a psicóloga e também presidente da associação. Só assim, diz, se explica a venda de livros como "Os homens são de Marte, as mulheres são de Vénus".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Por outro lado, as pessoas adoram saber uma coisa negativa sobre si próprias porque ficam com a sensação de que são melhores. "É como ver os acidentes de carro: as pessoas passam devagarinho para se sentirem aliviadas de não serem elas próprias". Por isso também é comum preencher os testes das revistas sobre personalidade ou relações amorosas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Ao longo de quase três horas, a oradora tentou descodificar as relações "que continuam a ser um grande mistério". E, num tom descontraído que divertiu o público, desceu às raízes do "apaixonamento".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Os jogos dos afectos começam em bebé. A criação de vínculos com o pai, com a mãe e, mais tarde, a rivalidade desta com a educadora. Com a adolescência, chegam os surtos do "apaixonamento". E com a maior frequência de sempre. Depois, perdem-se com a idade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Por volta dos 17 anos, o apaixonado é a antítese da família onde cresceu. É uma atitude contra os pais. É a altura em que o rico se apaixona pelo pobre ou vice-versa; o urbano-depressivo pela transmontana típica. No primeiro almoço de domingo com a família, os pais ficam em estado de choque. Mas se não mostrarem muita hostilidade, provavelmente, o filho parte para outra.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;No segundo "apaixonamento", aparece o inverso, ou seja, o candidato muito parecido com os pais. Tão próximo ao ponto de arrumar a panela de pressão no mesmo lugar que a mãe. A família fica encantada, mas a pessoa é errada. Não está no "timing" certo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Só a terceira seria a bem escolhida. A primeira semana de "apaixonamento" é uma espécie de estado gripal, há uma sintonia perfeita. Depois as diferenças começam a fazer sentir-se. Afinal, repete-se o padrão da pessoa errada. Como é se interrompe este ciclo? Acontece uma catástrofe. A pessoa recorre a uma terapeuta ou tem a sorte de lhe aparecer a pessoa certa, explica Ana Cristina Oliveira. Nesse caso, tem de haver um território comum e respeitar o território do outro. "Não é um casal em que os dois vão sempre ao supermercado, é um casal que discute - e acham que é sinal que a relação está má", esclarece.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Falar de "apaixonamento" numa sociedade bombardeada pelo sexo parece quase desfasado. Como diz Ana Cristina Oliveira, "o "apaixonamento" é a cereja em cima do bolo das relações". E apesar de ser "um estado de angústia insuportável" parece ser muito desejado. "É como a lua-de-mel: é muito desejada, mas quando chegamos lá parece que tudo corre mal. Nunca é tão boa a não ser nas fotografias".&lt;/p&gt;&lt;br /&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Texto de &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Sofia Rodrigues&lt;/span&gt;, Páginas Xis, Pública, Público 8 de Abril de 2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-3116880719213710442?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/3116880719213710442/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=3116880719213710442' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/3116880719213710442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/3116880719213710442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/04/e-voc-est-apaixonado-pela-pessoa-errada.html' title='E você, está apaixonado pela pessoa errada?'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-2202805453309825255</id><published>2007-04-06T00:10:00.000+01:00</published><updated>2007-04-06T00:25:35.364+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>As boas e os maus</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tal como as belas já não são vistas como eram, já é tempo de mudar a má fama dos mestres&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Jorge de Sena, depois de zurzir longamente o romance Domingo à Tarde de Fernando Namora, rematava assim: "&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E concluamos com uma nota comprovativa da total isenção com que foi escrito este artigo: eu nunca li nenhum romance de Namora, e muito menos este de que me ocupei. De onde deve concluir-se que a diferença fundamental entre a literatura autêntica e a literatura de consumo está em que, para falarmos desta última, não é necessário lê-la.&lt;/span&gt;"&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O mesmo digo do programa A Bela e o Mestre no ar na TVI. Nunca o vi nem faço tenções de ver mas, como se trata de um programa de consumo, até de grande consumo, para falar dele nem preciso vê-lo. Contaram-me o pior e imagino até que possa ser pior do que me contaram.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O título remete para A Bela e o Monstro, um conto ancestral reescrito no século XVIII por Madame de Beaumont e que deu um bem conhecido filme. Mas as belas do programa pouco têm que ver com a menina do filme. Esta era até bastante inteligente, lia livros e, no castelo do monstro, ficou excitadíssima com a enorme biblioteca. E é a sensibilidade ligada à inteligência que a levou a amar o monstro, fazendo com que ele deixasse de o ser. Era bem diferente das raparigas estupidamente bonitas por fora e completamente ocas por dentro que imagino - repito que não vi - fazem as delícias dos voyeurs televisivos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Já muita gente se insurgiu contra a imagem estereotipada e retrógrada da mulher que o programa transmite. A Bela e o Mestre é um verdadeiro regresso ao passado. No final do século XIX, Ramalho Ortigão, o macho lusitano que se bateu com Antero de Quental em duelo antes de se juntar aos "vencidos da vida", escrevia: "Pobres mulheres! Elas são-nos bem inferiores (...) pela anatomia dos ossos e dos músculos e pela constituição do cérebro. Elas têm a cabeça mais pequena, como as raças inferiores (...) não sabem compor óperas e nunca chegam a entender a matemática." Ramalho falava sem ponta de ironia: a mulher era considerada por ele e pelos contemporâneos um ser inferior. Sabemos hoje que estava redondamente enganado, e os seus descendentes intelectuais, que ainda não passaram do século XIX, estão tão enganados como ele. Ou melhor: estão ainda mais enganados, pois durante o tempo que passou ficou demonstrada a desrazão ramalheana. Quanto à ópera, não sei o suficiente, mas posso assegurar que alguns dos nossos melhores matemáticos são mulheres. Algumas bastante belas, se é que isso interessa.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Um mestre aparece identificado com um monstro na versão portuguesa deste telelixo. Como muitos e muito bem já defenderam as mulheres da acusação de ignorância, mas ainda ninguém defendeu os mestres, não da acusação de fealdade, mas da de maldade que está implícita no título português (um monstro é não só feio como mau!), venho eu defendê-los. Apesar de não ter o grau de mestre, tenho o de doutor, e sinto-me no mesmo saco. As belas são as boas e nós somos os maus. Mas que mal fizemos nós? E por que motivo o mestre ou, por maioria de razão, o doutor aparece associado ao terror e ao mal?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Esta injusta associação tem, de facto, uma longa história, na qual se incluem o Doutor Fausto, um homem de ciência que fez um pacto com o demónio, e o Frankenstein, um estudante de ciências que criou um monstro no laboratório. A propósito, foi uma rapariga inglesa de 19 anos, Mary Shelley, que escreveu, pouco antes de Ramalho nascer, Frankenstein, um clássico universal, ao passo que o escritor português, goste-se ou não dele, nunca escreveu uma obra que atravessasse fronteiras.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Mas muito tempo passou desde o Doutor Fausto e o Frankenstein. E, assim como as belas já não são vistas como eram, já é tempo de mudar a má fama dos mestres!&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Carlos Fiolhais&lt;/span&gt;, Público 30.03.2007&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-2202805453309825255?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/2202805453309825255/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=2202805453309825255' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2202805453309825255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2202805453309825255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/04/as-boas-e-os-maus.html' title='As boas e os maus'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-8346243530934488560</id><published>2007-03-14T19:43:00.000Z</published><updated>2008-12-11T00:39:51.525Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>Lost in translation: Three literary mistakes in one</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_56QjuxjrOjk/RfhSCQMt9gI/AAAAAAAAAAo/YFjJoMuPJDI/s1600-h/1932416110.01._SS500_SCLZZZZZZZ_.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_56QjuxjrOjk/RfhSCQMt9gI/AAAAAAAAAAo/YFjJoMuPJDI/s320/1932416110.01._SS500_SCLZZZZZZZ_.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5041869981502797314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;The book: The New Guide of the Conversation in Portuguese and English written by Pedro Carolino and José da Fonseca in 1855. Although, it's probably better known by its 1883 edition title, English As She Is Spoke.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Mistake #1: becomes side-splittingly clear the second you open the book. Let's just say the entire thing reads like a particularly bad cheating attempt by a junior high schooler using Babelfish. According to the text, some common phrases a Portuguese traveler might use in England include: "That are the dishes whose you must be and to abstain;" "These apricots and these peaches make me and to came water in the mouth;" and the always-familiar idiom, "The stone as roll heap up not foam." It's this sort of high-quality translating work that made the book the world's first ironic bestseller - even prompting Mark Twain to contribute a preface to a later edition.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Mistake #2: became the stuff of legend. For decades, most experts have believed that Carolino and da Fonseca agreed to write an English phrasebook, despite the fact that neither knew English. Nor did they have access to a Portuguese-English dictionary. Instead, they wrote English As She Is Spoke using first a Portuguese-French dictionary and then a French-English one.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Mistake #3: was only recently discovered. In 2002, a graduate student at UCLA unveiled a new theory that José da Fonseca had been unfairly maligned by history. Apparently a legit scholar, da Fonseca had published a number of respectable translations and language guides - including an 1836 Portuguese-French phrasebook that bears a striking resemblance to English As She Is Spoke. The difference? Da Fonseca's book actually makes sense. According to the new research, Pedro Carolino simply came along 19 years later, poorly translated da Fonseca's French into English, then slapped both their names on the finished product.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;mental_floss&lt;/span&gt;, March-April 2007, &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;mentalfloss.com&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-8346243530934488560?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/8346243530934488560/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=8346243530934488560' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/8346243530934488560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/8346243530934488560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/03/lost-in-translation-three-literary.html' title='Lost in translation: Three literary mistakes in one'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_56QjuxjrOjk/RfhSCQMt9gI/AAAAAAAAAAo/YFjJoMuPJDI/s72-c/1932416110.01._SS500_SCLZZZZZZZ_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-7193528267739486497</id><published>2007-02-11T17:43:00.000Z</published><updated>2007-02-11T17:46:55.500Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Segunda oportunidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta semana convidaram-me para falar aos alunos de uma escola secundária. O tema era a conquista de Lisboa aos mouros, em 1147, mas os jovens estudantes estavam mais interessados noutros assuntos: queriam histórias de reportagem de guerra.Havia turmas do 7º ano ao 12º e os professores tinham-nos industriado sobre as perguntas a fazer, que deveriam incidir nas matérias que estavam a ser leccionadas. Mas mal se aperceberam de que tinham à sua frente alguém que estivera no Iraque, no Afeganistão e noutras zonas de conflito, esqueçeram completamente o programa de História.&lt;br /&gt;- Qual foi a situação mais perigosa em que já esteve? - perguntou um.&lt;br /&gt;- Quando teve mais medo?&lt;br /&gt;- Já esteve quase a morrer?&lt;br /&gt;- Viu matar muita gente?&lt;br /&gt;- Já teve de fugir?&lt;br /&gt;- Havia sítios onde se esconder?&lt;br /&gt;- Qual foi a coisa mais horrorosa que viu?&lt;br /&gt;- Alguma vez pegou numa metralhadora? Qual é a sensação?&lt;br /&gt;Era uma daquelas escolas situadas entre vários bairros considerados "problemáticos". Grande parte das turmas eram formadas por alunos com situações especiais, segundo um programa designado "Segunda Oportunidade". Os docentes explicaram-me que, na maior parte do tempo, a sua função é, mais do que ensinar os conteúdos das respectivas disciplinas, ensinar os jovens a comportar-se.&lt;br /&gt;- Gosta da guerra? - perguntou de repente uma rapariga loura de uns 16 anos, num tom assumidamente desafiador.&lt;br /&gt;Os professores apressaram-se a esclarecer que ela era russa e que tinha vivido situações de grande violência. Eu declarei que odiava todo o tipo de guerra e que até tinha sido objector de consciência, para não ter de cumprir o serviço militar. Mas a rapariga levantou-se, apontou-me um dedo e respondeu, quase aos gritos:&lt;br /&gt;- Se não gostasse não ia para as guerras! - sentou-se e começou a pintar os lábios com baton.&lt;br /&gt;Sentindo a provocação, expliquei o melhor que pude a diferença entre estar numa guerra por achar importante escrever sobre ela e estar numa guerra por puro prazer. Mas ela, ostensivamente, já não me ouvia. Pintava os lábios e falava com as amigas.&lt;br /&gt;Um miúdo de uns 12 anos e cabelo em cima dos olhos levantou-se para me interromper:&lt;br /&gt;- O Saddam e o Bin Laden gostam da guerra!&lt;br /&gt;Eu ia aproveitar pedagogicamente a deixa para definir a guerra como uma actividade só apreciada por homens sem escrúpulos, mas o miúdo não me deu tempo. Acrescentou logo:&lt;br /&gt;- É por isso que eu gosto deles!  Eu também adoro a guerra. Pegar uma arma e desatar a disparar balásios. Bang! Bang! Bang!&lt;br /&gt;Uma menina de origem indiana quis saber se eu alguma vez tinha sido acusado de plágio. Lá respondi que nunca ninguém me tinha acusado de plágio, mas o garoto fã de Bin Laden recusou-se a acreditar:&lt;br /&gt;- Acho que você já foi acusado de plágio!&lt;br /&gt;Um miúdo africano que os professores esclareceram ser oriundo de Cabinda pôs o dedo no ar para fazer uma pergunta sobre a guerra de Cabinda, mas desistiu.&lt;br /&gt;- Não, não posso fazer esta pergunta! - disse ele, aflito.&lt;br /&gt;- E o Sousa Tavares, fez plágio ou não? - insistiu o aprendiz de Saddam.&lt;br /&gt;Não sei, mas acho que não, comecei eu.&lt;br /&gt;- Fez plágio, sim senhor. Eu sei que fez! - respondeu o fedelho e abandonou a sala batendo com a porta.&lt;br /&gt;"Ele faz isto para chamar a atenção", explicaram-me depois os professores, com uma expressão de inexplicável ternura. "Nem sequer é um miúdo violento".&lt;br /&gt;A minha vénia humilde aos professores da Segunda Oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="edImpTexto"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Paulo Moura&lt;/span&gt;, jornalista - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público - 4 de Fevereiro de 2007&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-7193528267739486497?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/7193528267739486497/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=7193528267739486497' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/7193528267739486497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/7193528267739486497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/02/segunda-oportunidade.html' title='Segunda oportunidade'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-2763358127941061735</id><published>2007-01-21T19:27:00.000Z</published><updated>2007-01-21T19:31:45.191Z</updated><title type='text'>Les vieux</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Les vieux ne parlent plus ou alors seulement parfois du bout des yeux&lt;br /&gt;Même riches ils sont pauvres, ils n'ont plus d'illusions et n'ont qu'un cœur pour deux&lt;br /&gt;Chez eux ça sent le thym, le propre, la lavande et le verbe d'antan&lt;br /&gt;Que l'on vive à Paris on vit tous en province quand on vit trop longtemps&lt;br /&gt;Est-ce d'avoir trop ri que leur voix se lézarde quand ils parlent d'hier&lt;br /&gt;Et d'avoir trop pleuré que des larmes encore leur perlent aux paupières&lt;br /&gt;Et s'ils tremblent un peu est-ce de voir vieillir la pendule d'argent&lt;br /&gt;Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, qui dit : je vous attends&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Les vieux ne rêvent plus, leurs livres s'ensommeillent, leurs pianos sont fermés&lt;br /&gt;Le petit chat est mort, le muscat du dimanche ne les fait plus chanter&lt;br /&gt;Les vieux ne bougent plus leurs gestes ont trop de rides leur monde est trop petit&lt;br /&gt;Du lit à la fenêtre, puis du lit au fauteuil et puis du lit au lit&lt;br /&gt;Et s'ils sortent encore bras dessus bras dessous tout habillés de raide&lt;br /&gt;C'est pour suivre au soleil l'enterrement d'un plus vieux, l'enterrement d'une plus laide&lt;br /&gt;Et le temps d'un sanglot, oublier toute une heure la pendule d'argent&lt;br /&gt;Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, et puis qui les attend&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Les vieux ne meurent pas, ils s'endorment un jour et dorment trop longtemps&lt;br /&gt;Ils se tiennent par la main, ils ont peur de se perdre et se perdent pourtant&lt;br /&gt;Et l'autre reste là, le meilleur ou le pire, le doux ou le sévère&lt;br /&gt;Cela n'importe pas, celui des deux qui reste se retrouve en enfer&lt;br /&gt;Vous le verrez peut-être, vous la verrez parfois en pluie et en chagrin&lt;br /&gt;Traverser le présent en s'excusant déjà de n'être pas plus loin&lt;br /&gt;Et fuir devant vous une dernière fois la pendule d'argent&lt;br /&gt;Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, qui leur dit : je t'attends&lt;br /&gt;Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non et puis qui nous attend.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jacques Brel&lt;/span&gt;, les vieux&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-2763358127941061735?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/2763358127941061735/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=2763358127941061735' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2763358127941061735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2763358127941061735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/01/les-vieux.html' title='Les vieux'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-2428900765064130592</id><published>2007-01-20T18:36:00.000Z</published><updated>2007-01-20T18:38:20.642Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>O referendo</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Não gosto do referendo e sempre o achei perigoso e nocivo. Primeiro, porque diminuiu e desvaloriza a representação política. Segundo, porque inevitavelmente tende a deturpar o debate e a vontade do eleitorado. Nenhum problema complicado tem uma resposta de "sim" ou "não". E, como não tem, os dois lados de qualquer campanha, como, no caso, a campanha sobre o aborto, acabam por cair na "simplificação terrível" da demagogia. Basta abrir os jornais. José Pinto Ribeiro, por exemplo, disse isto: "Um ovo não tem os mesmos direitos de um frango." Fora o mau gosto, quem falou em frangos? Mas Pinto Ribeiro não foi o único. César das Neves, no seu estilo hiperbólico, avisou que "a vitória do "sim"" torna o aborto tão "normal" como comprar um "telemóvel". Uma ideia que não se distingue pela sua especial humanidade. Gentil Martins quer punir as mulheres que reincidirem em abortar. E até houve um bispo que resolveu comparar o aborto com o enforcamento de Saddam Hussein. Deus lhe perdoe.&lt;br /&gt;Significativamente, os grandes militantes do "sim" e do "não" vêm quase todos da classe média. Sucede que, para a classe média, o aborto não é um problema. Conhecendo bem os meios de contracepção e a "pílula do dia seguinte", quase nenhuma mulher (ou casal) da classe média é apanhada (ou apanhado) na necessidade de escolher entre um filho e um aborto. E, se as coisas por negligência ou acidente chegarem ao pior, não recorrem com certeza ao "vão de escada". Não admira, por isso, que vejam no aborto primariamente uma questão moral, de justiça social ou dos direitos da mulher e não hesitem em entrar numa polémica de "intelectuais", abstracta e violenta e, ainda por cima, incompreensível para quem, de facto, aborta.&lt;br /&gt;Mas, pior do que o resto, é que, a pretexto de permitir uma decisão directa do "povo", o referendo criou pouco a pouco um confronto azedo entre a Igreja e a esquerda. Ou, se quiserem, entre a esquerda (com o PS à frente) e os católicos. Não se percebe como, apesar da prudência do patriarca, a Igreja se deixou envolver numa causa puramente política, que não contribui para a reafirmação da sua doutrina (e pode, pelo contrário, mostrar o desinteresse do país por ela) e que, ganhe o "sim" ou ganhe o "não", nada, ou quase nada, mudará na prática. Como não se percebe que o PS, excepto por exorcismo, se meta numa querela que só serve para promover o Bloco. A Igreja julga que pode fechar a porta ao aborto e os políticos que se livraram de um grande sarilho. Erro deles. Com o "sim" ou o "não", o referendo é o princípio de uma longa guerra, não é o fim.  &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Vasco Pulido Valente&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Público&lt;/span&gt; - 20 de Janeiro de 2007&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-2428900765064130592?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/2428900765064130592/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=2428900765064130592' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2428900765064130592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/2428900765064130592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/01/o-referendo.html' title='O referendo'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-1755015313312778011</id><published>2007-01-15T22:52:00.000Z</published><updated>2007-01-15T23:06:23.020Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>Paixão</title><content type='html'>(...)&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já um pouco mais calma, Isabel esperou que eu continuasse e eu assim fiz, sabendo como as mulheres ficam contentes ao ouvir dissertar sobre o amor.&lt;br /&gt;- Os moralistas tentam persuadir-nos de que os instinto sexual tem pouco a ver com o amor e tendem a falar dele como se fosse um epifenómeno.&lt;br /&gt;- Que diabo vem a ser isso?&lt;br /&gt;- Bem, há psicólogos que pensam que a consciência acompanha os processos mentais e é por eles determinada, mas sem ter ela própria uma influência directa sobre eles. É mais ou menos como o reflexo de uma árvore sobre a água, não poderia existir sem a árvore, mas em nada a afecta. Para mim, tudo isto não passa de um monte de palavreado para dizer que pode existir amor sem paixão. Quando as pessoas dizem que o amor pode perdurar depois de a paixão morrer, estão a falar de outra coisa, de afecto, afabilidade, comunhão de gostos e interesses, e hábito. Especialmente hábito. Duas pessoas podem continuar a ter relações sexuais por hábito exactamente pela mesma razão que sentem fome à hora a que costumam comer. Claro que pode haver desejo sem amor. Mas o desejo não é paixão. O desejo é a consequência natural do instinto sexual e não é mais importante que qualquer outra função do animal humano. É por isso que é uma patetice as mulheres fazerem um drama se os maridos têm uma aventura esporádica quando a ocasião e as circunstâncias são propícias.&lt;br /&gt;- E isso só se aplica aos homens?&lt;br /&gt;Sorri.&lt;br /&gt;- Já que insiste, serei forçado a admitir que os direitos são iguais. A única ressalva possível é que, para o homem, uma ligação passageira desse género não tem qualquer valor sentimental, ao passo que para a mulher tem.&lt;br /&gt;- Depende da mulher.&lt;br /&gt;Mas eu não estava disposto a deixar-me interromper.&lt;br /&gt;- A menos que o amor seja paixão, deixa de ser amor para ser outra coisa qualquer; e a paixão não aumenta com a sua satisfação, mas sim com as dificuldades. O que lhe parece que Keats queria dizer quando aconselhou o amante sobre a urna grega onde jazia a não se lamentar? «Para sempre amarás quem terá sempre encanto!» Porquê? Porque ela era inatingível e por mais que o amante a perseguisse como louco, ela continuaria a escapar-lhe, pois estavam ambos prisioneiros no mármore do que suspeito ter sido uma obra de arte sem valor. O seu amor por Larry e o dele por si era tão simples e natural como o amor de Paolo e Francesca ou Romeu e  Julieta. Felizmente para si, não acabou mal. Você casou com um homem rico e o Larry correu mundo atrás do cântico das Sereias. A paixão nada teve a ver com isso.&lt;br /&gt;- Com é que sabe?&lt;br /&gt;- A paixão não mede consequências. Pascal disse que o coração tem razões que a razão desconhece. Se ele queria dizer o que eu penso, significa que, quando a paixão domina o coração, este inventa razões que parecem não só plausíveis, mas decisivas para provar que o amor justifica tudo, até a perdição. Convence-nos de que até a honra é bem sacrificada e a vergonha um preço módico a pagar. A paixão é destrutiva. Destruiu Marco António e Cleópatra, Tristão e Isolda, Parnell e Kitty O'Shea. E, se não destrói, mata. Pode mesmo acontecer que uma pessoa tenha de enfrentar a desolação de saber que desperdiçou os melhores anos da sua vida, que se desonrou, sofreu a dor atroz do ciúme, engoliu mortificações e amarguras, esgotou todas as suas reservas de ternura, esbanjou toda a sua riqueza espiritual com uma pobre coitada, uma idiota, uma cavilha onde pendurou os sonhos e que não valia nem uma pastilha elástica.&lt;br /&gt;Antes de terminar o meu discurso sabia muito bem que Isabel não estava a prestar atenção, estava, isso sim, ocupada com os seus próprios pensamentos. Porém, o comentário que fez a seguir surpreendeu-me.&lt;br /&gt;- Acha que o Larry é virgem?&lt;br /&gt;- Minha querida, ele tem trinta e dois anos.&lt;br /&gt;- Tenho a certeza que é.&lt;br /&gt;- Como pode ter a certeza?&lt;br /&gt;- É o tipo de coisa que uma mulher sabe instintivamente.&lt;br /&gt;- Conheci um jovem que fez uma carreira muito próspera durante anos a convencer uma beldade atrás da outra de que nunca tinha tido uma mulher. Dizia que funcionava como magia.&lt;br /&gt;- Não me interessa o que possa dizer. Continuo a acreditar na minha intuição.&lt;br /&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;William Somerset Maugham&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O fio da navalha&lt;/span&gt;, Edições Asa, Trad. de Ana Maria Chaves&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-1755015313312778011?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/1755015313312778011/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=1755015313312778011' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/1755015313312778011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/1755015313312778011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/01/paixo.html' title='Paixão'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-8735895374544879712</id><published>2007-01-12T00:18:00.000Z</published><updated>2007-01-12T00:23:00.404Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>Livro único</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso muito cuidado com as pessoas que leram um livro. Que leram apenas um livro. Porque não é o mesmo que ouvir um disco ou ver um filme, com o devido respeito. Um livro é incomparavelmente mais rico e complexo. É avassalador. Quem está habituado já não nota. Mas um pobre indefeso que é atacado de repente por um livro pode não lhe sobreviver. "Foi um livro que mudou a minha vida", ouve-se muitas vezes dizer. E eu acredito. O potencial está lá, para o melhor ou para o pior. Geralmente para o pior.&lt;br /&gt;Conheço um tipo que leu uma vez um livro sobre as lendas dos índios da Amazónia. Ficou fascinado. O protagonista era um tal Nomombziá. Pois mal teve o primeiro filho, o inopinado fanático de literatura decidiu baptizá-lo como Nomombziá. A mulher não queria mas, por amor, cedeu. Já o funcionário do Registo Civil se mostrou mais intransigente: a lei não permitia tal nome próprio. Furioso, o pai da criança descompôs toda a repartição. Insultou o país e o Estado, representante de interesses mesquinhos e rasteiros, incapaz de compreender realidades mais elevadas, gritou ele, consciente de ter encontrado a causa da sua vida.&lt;br /&gt;Registou provisoriamente a criança como Noémio José, e lançou-se numa batalha jurídica que dura até hoje.&lt;br /&gt;A intensidade em que um livro nos mergulha é desmesuradamente diferente de qualquer outra experiência que tenhamos tido e os efeitos são imprevisíveis. Um livro suga-nos para dentro dele e depois explode dentro da nossa cabeça. Para um cérebro impreparado, é fatal. É como um gás que preenche num ápice todo o espaço vazio. O vazio da caixa craniana.&lt;br /&gt;Há homens capazes de trair, de mentir, de renunciar a tudo, por um livro. Homens capazes de matar, só porque, um dia, leram um livro.&lt;br /&gt;Alguns viveram anos e anos de resistência heróica. Felizes, sem ler uma linha. Mas não os deixavam em paz.&lt;br /&gt;Quando, em público, alguém lhes perguntava: "Então, o que gosta de ler?" Respondiam invariavelmente: "Não leio tanto como devia..." Já a perceber-se a culpa que lhes roía a consciência e a auto-estima.&lt;br /&gt;Até que um dia, num momento em que todas as condições estavam reunidas, sucumbiram. Num momento privilegiado, que nunca mais se repetiria, talvez um momento especialmente difícil, ou de busca de sentido para a existência, ou simplesmente de insuportável tédio, entregaram-se a um esforço sobre-humano de concentração, de vontade, de coragem, de abnegação. Entregaram-se ao grande empreendimento das suas vidas: leram um livro.&lt;br /&gt;No fim, é como se tivessem levado uma sova. Ficam extenuados, com um olhar um pouco excêntrico. Juram para nunca mais. Tiveram a sua conta.&lt;br /&gt;Lá voltam à vida, mas nada será como dantes. O livro deu cabo deles. Fazem lembrar aqueles jovens dos anos 70 que uma vez tomaram um ácido e nunca mais regressaram à normalidade. Só que estes regressam. Ou pensam que regressam.&lt;br /&gt;Muitas vezes, estas pessoas acham que, já que só lêem um livro, devem ler um bom livro - a Bíblia, o Corão, o Manifesto Comunista. Erro crasso. É o pior que poderiam fazer. Se só lêem um, que seja uma coisa fraca. Mas o ideal mesmo, se só tencionam ler um, é não lerem nenhum.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Paulo Moura&lt;/span&gt;, Público de 7 de Janeiro de 2007&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-8735895374544879712?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/8735895374544879712/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=8735895374544879712' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/8735895374544879712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/8735895374544879712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/01/livro-nico.html' title='Livro único'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-753770536220475322</id><published>2007-01-04T14:00:00.000Z</published><updated>2007-01-04T14:25:58.033Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><title type='text'>O Ministério pimba da Educação</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;A propósito do livro Desastre no Ensino da Matemática: Recuperar o Tempo Perdido, organizado por Nuno Crato, Edições Gradiva, 2006.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Os Encontros de Caparide foram uma louvável iniciativa do Ministério da Educação, que pretendia ouvir as sociedades científicas sobre o ensino de algumas disciplinas fundamentais (Português, Matemática, Filosofia) cujas deficiências a nível de currículos são gritantes. Foram tempos áureos, em que um ministro da Educação, David Justino, se preocupava com questões relacionadas com o ensino e não apenas com questões laborais e meramente organizacionais. O cerne da excelência do ensino é a solidez científica dos currículos e a formação científica dos professores, mas as discussões públicas nacionais sobre educação nunca abordam estes aspectos centrais. Até parece que tudo o resto é que é a finalidade do ensino, quando na verdade são apenas meios.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Dos Encontros de Caparide resultaram dois livros. O primeiro, dedicado à Filosofia (Para a Renovação do Ensino da Filosofia, Plátano), foi publicado no início deste ano. E este volume, dedicado à Matemática, surgiu agora. No primeiro caso, trata-se de discutir uma proposta concreta que visa melhorar a qualidade científica e didáctica dos programas de Filosofia do ensino secundário. No segundo, trata-se de discutir questões pedagógicas gerais que afectam não apenas a disciplina de Matemática, mas todas as outras.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;As desastrosas doutrinas pedagógicas que imperam em Portugal, algo pós-modernaças e "construtivistas", são elitistas - apesar de fingirem o contrário - e têm por denominador comum um ódio visceral às Ciências, à Matemática, à História, à Gramática, à Literatura, à Filosofia; enfim, a tudo o que se pareça com verdadeiros conteúdos escolares. Em vez de conteúdos, fala-se de competências - como se pudesse haver competências sem conteúdos. E em vez de se distinguir cuidadosamente o que são verdadeiros conteúdos escolares do resto, procura-se transformar a escola numa espécie de entretenimento com ademanes de educação para a cidadania - tudo, menos ensinar seriamente Matemática ou Geografia ou Filosofia ou História ou Música. A origem destas ideias remonta a Rousseau e à fantasia do bom selvagem, e o que se visa é acabar com as Ciências, as Artes e as Letras, pois tudo isso corrompe a criança, que é presumivelmente mais feliz a ver televisão e a jogar à bola. Claro que tudo isto é fantasioso porque para andar a entreter os meninos com conversa fiada não é preciso escola: as crianças divertem-se muito mais fora da escola, e no mundo de hoje não têm sequer tempo para se aborrecer.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Fantasioso é também querer certificar manuais escolares quando os programas das disciplinas, que foram certamente certificados pelo próprio ministério, são o locus classicus do erro científico e do disparate pedagógico. Em muitos casos, para que um manual seja cientificamente bom e pedagogicamente adequado, é obrigado a não respeitar o programa. Isto porque os programas se degradaram de tal maneira ao longo dos anos que, hoje em dia, ao ler um programa curricular de Filosofia ou Português ou outra disciplina, uma pessoa pergunta-se onde está a Filosofia ou o Português. Os pedagogos ministeriais impuseram ao país a original perspectiva de que se pode ensinar Português sem Português, Filosofia sem Filosofia e Matemática sem Matemática. Ao mesmo tempo que os estudantes são massacrados com inúmeras disciplinas vácuas sem qualquer centralidade escolar, não têm uma educação básica em Música, nem em Literatura ou Filosofia ou Geografia. Se um estudante de 15 anos quer saber alguma coisa sobre estas coisas, tem de o fazer fora da escola. Mas se quiser brincar aos índios, pode fazê-lo nas chamadas "actividades educativas", em substituição das aulas de Matemática. É esta a educação pimba que temos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Mas não é esta a educação que a sociedade, no seu todo, quer. Os pais, com maior ou menor formação escolar, queixam-se de que a escola não ensina. Os miúdos cantam, com razão, que "na escola nada se cria, nada se transforma, tudo se perde". Os professores andam há anos a denunciar este estado de coisas. Mas os pedagogos ministeriais vão passando de governo para governo, conseguindo ora mudar a Gramática toda, prejudicando gravemente a possibilidade da excelência do ensino do Português (se antes poucos professores sabiam e ensinavam Gramática, agora ainda menos - ou será que a ideia é mesmo essa?), ora suspender documentos que introduzem conteúdos científicos sérios num programa que carece deles (como foi o caso da badalada suspensão das Orientações de Leccionação do Programa de Filosofia). A ideia de trabalhar pelo bem do país, pela excelência do ensino, em defesa do interesse público, é alheia a estes originais pedagogos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Numa cultura como a portuguesa, na qual nunca se valorizou realmente o conhecimento - afinal, no tempo da outra senhora, o conhecimento era um ornamento social para exibir em conversas amenas enquanto se tomava chá -, compete à escola entusiasmar os jovens e a sociedade, dando-lhes uma percepção clara do valor intrínseco do conhecimento. Mas quando é o próprio ministério da educação que não acredita no valor intrínseco do conhecimento, dificultando cada vez mais o estudo aos muitos professores sérios que temos por esse país fora, afogando-os em trabalho burocrático e em horas contabilizadas nas escolas só para marcar ponto, que se pode esperar do nosso futuro? Como poderemos recuperar o tempo perdido, tanto no que respeita ao ensino da Matemática como no que respeita às outras disciplinas? Seja qual for a estratégia, o primeiro axioma tem de ser este: o conhecimento tem valor intrínseco, em si e por si, e é do maior interesse público protegê-lo e transmiti-lo, e ensinar a produzi-lo - e só a escola pode fazer isso, ainda que infelizmente o tenha de fazer contra o Ministério pimba da Educação.  &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Desidério Murcho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Professor de Filosofia&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público de 4 de Janeiro de 2007 &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-753770536220475322?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/753770536220475322/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=753770536220475322' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/753770536220475322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/753770536220475322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2007/01/o-ministrio-pimba-da-educao.html' title='O Ministério pimba da Educação'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-1974227620343273633</id><published>2006-12-31T18:00:00.000Z</published><updated>2006-12-31T18:12:49.588Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>O elixir da eterna juventude</title><content type='html'>Estou velho!&lt;br /&gt;dói-me o joelho&lt;br /&gt;dói-me parte do antebraço&lt;br /&gt;dói-me a parte interna&lt;br /&gt;de uma perna&lt;br /&gt;e parte amiga&lt;br /&gt;da barriga&lt;br /&gt;que fadiga&lt;br /&gt;o que é que eu faço?&lt;br /&gt;escolho o baço ou o almoço?&lt;br /&gt;vira o osso&lt;br /&gt;dói o pescoço&lt;br /&gt;é do excesso&lt;br /&gt;do ex-sexo&lt;br /&gt;alvoroço&lt;br /&gt;reboliço&lt;br /&gt;perco o viço&lt;br /&gt;já soluço&lt;br /&gt;já sobrosso&lt;br /&gt;esmiúço os meus sintomas&lt;br /&gt;e já agora, do meu médico os diplomas&lt;br /&gt;esmiúço a consciência&lt;br /&gt;e já agora, apresento a penitência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah que estou arrependido&lt;br /&gt;de ter feito e de ter tido&lt;br /&gt;ai oração, ora seja&lt;br /&gt;como a que ouvi na igreja         &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Mea culpa, mea culpa&lt;br /&gt;minha máxima desculpa&lt;br /&gt;é ter vindo p´ro presente&lt;br /&gt;conservado em aguardente  &lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Quero ser p´ra sempre jovem&lt;br /&gt;as minhas células movem&lt;br /&gt;uma campanha eficaz&lt;br /&gt;água benta e água-raz  &lt;/p&gt;        &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O elixir da eterna juventude&lt;br /&gt;esse que quer que tudo mude&lt;br /&gt;p´ra que tudo fique igual&lt;br /&gt;estava marado&lt;br /&gt;falsificado&lt;br /&gt;é desleal!  &lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Vou implorar aos apóstolos&lt;br /&gt;mas é pior, que desgosto-os&lt;br /&gt;com tanto pecado junto&lt;br /&gt;não lhes pega nem o unto  &lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Vou recorrer aos meus santos&lt;br /&gt;esses, ao menos, são tantos&lt;br /&gt;que há-de haver um que me acuda&lt;br /&gt;senão ainda tenho o Buda  &lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Maomé vai à montanha&lt;br /&gt;o papa, ninguém o apanha&lt;br /&gt;na Rússia, o rato rói a rolha&lt;br /&gt;venha o diabo e escolha&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O elixir da eterna juventude&lt;br /&gt;esse que quer que tudo mude&lt;br /&gt;p´ra que tudo fique igual&lt;br /&gt;estava marado&lt;br /&gt;falsificado&lt;br /&gt;é desleal!  &lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Misticismo agora à parte&lt;br /&gt;envelhecer é uma arte&lt;br /&gt;"arte-nova", "arte-final"&lt;br /&gt;numa luta desigual  &lt;/p&gt;      &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Só me vou pôr de joelhos&lt;br /&gt;ante o mais velho dos velhos&lt;br /&gt;e perguntar-lhes o segredo&lt;br /&gt;de p´ra ele inda ser cedo  &lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Quando o espelho me mira&lt;br /&gt;já nem o chapéu me tira&lt;br /&gt;deito-lhe a língua de fora&lt;br /&gt;pisco o olho e vou-me embora&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O elixir da eterna juventude&lt;br /&gt;esse que quer que tudo mude&lt;br /&gt;p´ra que tudo fique igual&lt;br /&gt;estava marado&lt;br /&gt;falsificado&lt;br /&gt;é desleal!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;Sérgio Godinho&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Elixir Da Eterna Juventude&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-1974227620343273633?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/1974227620343273633/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=1974227620343273633' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/1974227620343273633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/1974227620343273633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/12/o-elixir-da-eterna-juventude.html' title='O elixir da eterna juventude'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-116579707896904399</id><published>2006-12-11T00:09:00.000Z</published><updated>2006-12-11T00:35:34.876Z</updated><title type='text'>"Psiquiatras, psicólogos e outros doentes"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/8098/1134/1600/825229/ppyoe.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/8098/1134/200/784734/ppyoe.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saber a que se dedicam os psiquiatras é tão difícil como saber a que se dedicam os psicólogos. Antes de ir ao consultório do meu cunhado Ernesto, eu tinha apenas uma noção muito vaga das funções da psiquiatria. Depois de ir à sua consulta e a mais outras dez ou doze consultas de psiquiatras e psicólogos já nem sequer tenho essa vaga noção. Cheguei à conclusão de que ninguém sabe com muita certeza o que é a psiquiatria ou a psicologia, nem aquilo que as diferencia, e que a principal ocupação de psiquiatras e psicólogos é tratar de averiguar quem são eles e a que se dedicam. É como se o meu pai e eu, em vez de nos preocuparmos em vender elevadores e em melhorar os nossos produtos e serviços, dedicássemos metade do tempo a dissertar sobre a nossa função na sociedade e sobre a história dos elevadores no Ocidente. Bem, na realidade isso é o que faz o meu pai. &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Eu nunca perguntei a nenhum psiquiatra ou psicólogo - Deus me livre de semelhante atrevimento - em que consistia o seu trabalho, evidentemente. Mas são eles que sistematicamente se empenham em explicar-me qual é a sua função, quais as sua obrigações, quais os seus desafios na construção de um homem melhor no século XXI. É incrível. Entramos no consultório e, antes de nos perguntarem como estamos ou como nos corre a vida, já nos estão a dizer coisas como: «Um psicólogo não é ninguém importante, é apenas esse amigo com quem nos atrevemos a falar.» Mas quando já estamos há algum tempo com eles, também nos podem dizer coisas como: «Olhe, a minha função como psicólogo não é a de dizer-lhe tudo o que quer ouvir»; ou: «Você engana-se se pensa que eu só estou aqui para lhe passar as receitas.»&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Eu creio que no fundo estas pessoas têm um problema de identidade e que todas elas necessitariam de um tratamento psicológico, se eventualmente conseguissem pôr-se de acordo sobre o que isso significa. Pela minha parte, desisti há muito tempo de obter uma ideia clara sobre a Ordem e preferi agarrar-me à ideia que já tinha do psiquiatra como a pessoa que cura as doenças mentais, mesmo que eles não parem de me dizer o contrário, ou o contrário do contrário.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Rodrigo Muñoz Avia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ambar, 2006 (início do capítulo 3) &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-116579707896904399?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/116579707896904399/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=116579707896904399' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/116579707896904399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/116579707896904399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/12/psiquiatras-psiclogos-e-outros-doentes.html' title='&quot;Psiquiatras, psicólogos e outros doentes&quot;'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-116441257081468319</id><published>2006-11-24T23:53:00.000Z</published><updated>2006-11-24T23:56:10.826Z</updated><title type='text'>António Gedeão, cem anos</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Álvaro Gois,&lt;br /&gt;Rui Mamede,&lt;br /&gt;filhos de António Brandão,&lt;br /&gt;naturais de Catanhede,&lt;br /&gt;pedreiros de profissão,&lt;br /&gt;de sombrias cataduras&lt;br /&gt;como bisontes lendários,&lt;br /&gt;modelam ternas figuras&lt;br /&gt;na lentidão dos calcários.&lt;/p&gt;               &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Ali, no esconso recanto,&lt;br /&gt;só o túmulo, e mais nada,&lt;br /&gt;suspenso no roxo pranto&lt;br /&gt;de uma fresta geminada.&lt;br /&gt;Mas no silêncio da nave,&lt;br /&gt;como um cinzel que batuca,&lt;br /&gt;soa sempre um truca…truca…&lt;br /&gt;lento, pausado, suave,&lt;br /&gt;truca, truca, truca, truca,&lt;br /&gt;sob a abóbada romântica,&lt;br /&gt;como um cinzel que batuca&lt;br /&gt;numa insistência satânica:&lt;br /&gt;truca, truca, truca, truca,&lt;br /&gt;truca, truca, truca, truca.&lt;/p&gt;          &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Álvaro Gois,&lt;br /&gt;Rui Mamede,&lt;br /&gt;filhos de António Brandão,&lt;br /&gt;naturais de Cantanhede,&lt;br /&gt;ambos vivos ali estão,&lt;br /&gt;truca, truca, truca, truca,&lt;br /&gt;vestidos de sunobeco&lt;br /&gt;e acocorados no chão,&lt;br /&gt;truca, truca, truca, truca.&lt;/p&gt;                 &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;No friso, largo de um palmo,&lt;br /&gt;que dá volta a toda a arca,&lt;br /&gt;um Cristo, de gesto calmo,&lt;br /&gt;assiste ao chegar da barca.&lt;br /&gt;Homens de vária feição,&lt;br /&gt;barrigudos e contentes,&lt;br /&gt;mostram, no riso dos dentes&lt;br /&gt;o gozo da salvação.&lt;br /&gt;Anjinhos de longas vestes,&lt;br /&gt;e cabelo aos caracóis,&lt;br /&gt;tocam pífaros celestes,&lt;br /&gt;entre cometas e sóis.&lt;br /&gt;Mulheres e homens, sem paz,&lt;br /&gt;esgazeados de remorsos,&lt;br /&gt;desistem de fazer esforços,&lt;br /&gt;entregam-se a Satanás.&lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Fixando a pedra, mirando-a,&lt;br /&gt;quanto mais o olhar se educa,&lt;br /&gt;mais se estende o truca…truca…&lt;br /&gt;que enche a nave, transbordando-a,&lt;br /&gt;truca, truca, truca, truca&lt;br /&gt;truca, truca, truca, truca.&lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;No desmedido caixão,&lt;br /&gt;grande sonhor ali jaz.&lt;br /&gt;Pupilo de Satanás?&lt;br /&gt;Alma pura, de eleição?&lt;br /&gt;Dom Afonso ou Dom João?&lt;br /&gt;Para o caso tanto faz.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;António Gedeão, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Poema de pedra lioz&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, 1958 &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-116441257081468319?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/116441257081468319/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=116441257081468319' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/116441257081468319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/116441257081468319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/11/antnio-gedeo-cem-anos.html' title='António Gedeão, cem anos'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-116309894150800643</id><published>2006-11-09T18:59:00.000Z</published><updated>2006-11-09T19:02:21.526Z</updated><title type='text'>A diferença entre um quiosque e a blogosfera</title><content type='html'>&lt;div id="edImpTexto" style="font-family: verdana; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 10px; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;José Pacheco Pereira&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div id="edImpTexto"&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Se eu olhar para um quiosque de jornais como muita gente olha para os blogues, o que eu vejo é isto: Maria, O Jornal do Crime, A Mãe Ideal, Novenas Milagrosas, Lux, VIP, Nova Gente, Maxman, o Borda de Água, PÚBLICO, Flash!, Única, 24 Horas, Nova Cidadania, TV Guia, TV Mais, Ana, Teleculinária, MM, Saúde, Record, Atlântico, A Bola, Autosport, Correio da Manhã, O Diabo, uns títulos em ucraniano, o Guia Astrológico, Os Meus Livros, Cosmopolitan, Prevenir, Sporting, Blitz, Guia Astral, Mini-Recreio, Activa, GQ, Diário de Notícias, Selecções...&lt;br /&gt;Se abrir as folhas ao acaso, como se consultar blogues ao acaso, coisas sinistras estão sempre a cair de dentro das folhas: notícias falsas, especulações, falsidades anónimas, plágios, voyeurismo, egos à prova de bala, ignorância, erros, invejas, ajustes de contas, presunção, arrogância, esquemas diversos, banha da cobra, cobras. Há gente que fala com Deus e gente que namora o Diabo, há quem coma a namorada, como o Dr. Lecter, há o professor Karamba, e há umas meninas para todos os gostos, há extraterrestres, boatos, insinuações, muita "informação" anónima, pornografia strictu sensu, pornografia intelectual, quartos à hora, hotéis à noite, etc., etc. Uma selvajaria, o Mundo Cão, o Faroeste, os baixos fundos, o jet set, um conde, o tatuador, a tatuada, a esposa, o marido, a amante, o escroque, o bondoso, o franciscano e o tolo...&lt;br /&gt;Ah! Diz-me uma voz, mas estás a misturar tudo! Pois estou, é como fazem os que falam dos blogues misturando tudo, como Miguel Sousa Tavares e Eduardo Prado Coelho fizeram recentemente para se defenderem (o que é legítimo) de acusações e falsificações anónimas. É verdade que os jornais e revistas têm responsáveis e não são como as cartas anónimas, ou os blogues que funcionam como cartas anónimas, mas quando os primeiros transcrevem os segundos ficam iguais. No caso do Miguel Sousa Tavares, o que falhou foi a imprensa tradicional, que aceitou citar fontes anónimas, sem um julgamento de mérito. A notícia não é que um blogue anónimo acuse Miguel Sousa Tavares de plágio, a notícia é que Miguel Sousa Tavares cometeu plágio, se o tivesse cometido, e aí o autor da notícia devia fazer o seu próprio julgamento e só publicar caso esse julgamento fosse que sim. Não sendo, o blogue é como uma carta anónima, incitável e inaceitável. Foi isso que falhou e hoje em dia falha cada vez mais, porque a comunicação social escrita precisa de pretextos para violar as regras de que se gaba como sendo distintivas e, na Internet, encontra-os com facilidade, entrando depois facilmente na selvajaria. Está lá no computador, para milhões verem, por isso está "publicado", logo posso citar e levar a sério, sem ter responsabilidade.&lt;br /&gt;O mal não está nos blogues em si, está na nossa incapacidade para ler e escrever blogues, como para ler e escrever jornais com uma decência mínima. O problema é mais comum do que se pensa, embora seja verdade que as pessoas se sentem mais impotentes para se defenderem da Internet do que no mundo da comunicação social tradicional, mas o que é crime cá fora é crime lá dentro.&lt;br /&gt;Mas a reacção aos blogues, selvagens, inúteis, desviadores da atenção, perdulários do nosso tempo, oculta-nos muita coisa de interessante que está a passar-se diante dos nossos olhos e que não percebemos porque os vemos tão misturados como o Jornal do Crime está com o PÚBLICO no quiosque de jornais, ou como se o PÚBLICO para falar de ciência citasse o Guia Astrológico como fonte. Os blogues são apenas uma das pontas do mundo novo em que já estamos, uma pequena ponta, mas tão reveladora que mesmo estes episódios lesivos de Miguel Sousa Tavares (acusado de plágio) e de Eduardo Prado Coelho (que tem um texto falso a circular na Rede) são dele sinal. Ora nunca ninguém disse que era o Admirável Mundo Novo, a não ser os utopistas que pensam que as tecnologias mudam o mundo sem o pano de fundo das sociedades onde elas existem.&lt;br /&gt;Vamos admitir, o que não me custa nada, porque até acho que é verdade, que mais de 90 por cento do que está na blogosfera é lixo. Temos em seguida que convir que também 90 por cento do que está nos quiosques é lixo, a julgar pelo nosso quiosque. Não é por aí que se faz a diferença. Para isso é preciso olhar com um pouco mais de atenção quer para os 90 por cento de lixo, quer para os 10 por cento sobrantes, porque, tendo muita coisa em comum, têm também diferenças importantes. Para se perceber o que está a mudar no conjunto do sistema comunicacional temos que analisar o lixo e o luxo na Rede.&lt;br /&gt;O lixo nos blogues, como antes (e agora) o lixo na Rede têm muito de comum com o lixo nos diários pessoais, nos jornais locais, nos boletins de paróquia, nas rádios locais, nos panfletos partidários, nas cartas anónimas, na pequena, grande e média comunicação social, nessa imensa voz entre sussurrada e gritada que nos acompanha sempre, na maioria dos casos como pura estática, lixo escrito, lixo dito, lixo visto. Mas tem diferenças interessantes como esta que não é meramente quantitativa: mais indivíduos falam na Rede do que alguma vez falaram em jornais, revistas, diários, cartas anónimas ou assinadas. O número espantoso dos milhões de blogues, com o seu crescimento exponencial, é um fenómeno radicalmente novo. Estes milhões de pessoas que escrevem na Rede, em nome próprio, com pseudónimos ou anonimamente, são uma manifestação da principal característica das sociedades pós-industriais, as que nasceram em espaços urbanos dominados por serviços, pela produção, distribuição e consumo de informação - são sociedades de massas, onde impera o que antigamente se chamava "psicologia de massas". São ainda poucos, mas são o primeiro destacamento, o destacamento loquaz, o que anuncia o que aí vem, os que ocupam o espaço público com as suas vozes no mesmo movimento com que um centro comercial se enche quando abre as portas às 10 da manhã, ou o prime time das novelas fica habitado das suas audiências, ou as praias do Algarve e os estádios de futebol se enchem.&lt;br /&gt;Essas pessoas falam porque têm alguma coisa a dizer? Acrescentam alguma coisa ou são elas mesmo um sinal de cacofonia? Depende como se vê a questão: elas têm alguma coisa a dizer porque querem dizer alguma coisa - essencialmente que existem e que são elas que vão mandar, que são elas que já mandam. O que têm a dizer não é novo, é ruído, é pobre, é insignificante em termos culturais, estéticos, criadores, mas é a voz que fala cada vez mais alto, a voz que se ouve, a estática gerada pelas multidões e que exige ser ouvida nas sondagens, nas pseudo-sondagens dos telefonemas para dizer sim ou não, nas audiências da televisão, a que não quer esperar, não quer delegar, não quer aprender, não quer sofrer. Quer tudo e já, e só não o tem porque os "políticos" a enganam e desviam.&lt;br /&gt;O número dos blogues significa que também, pouco a pouco, as massas das sociedades de massas chegam à Rede como nunca antes chegaram aos jornais ou chegam hoje à televisão. Trazem com elas aquilo que antes, nos primeiros parágrafos deste texto, chamei "selvajaria": não querem mediações, que são o poder do passado, o poder dos intelectuais, o poder dos antigos poderosos. Querem democracia "participativa", não querem democracia representativa, não querem saber de nada que possa significar privilégio dos sábios, ricos e poderosos. Não prezam a intimidade e a privacidade, porque no seu mundo não existem e não são valores, não prezam a propriedade porque a têm pouco, são anti-intelectuais, combatem todos os que parecem atentar ao seu igualitarismo funcional e punem-nos na Rede como gostariam de os punir cá fora: "é bem feito" é a expressão que mais se ouve por todo o lado. Miguel Sousa Tavares é "arrogante", o "povo" acusa-te de plágio; Eduardo Prado Coelho mandaste na intelectualidade durante muito tempo, leva lá com um texto falso para aprenderes que aqui somos todos iguais! Por bizarro que pareça, tudo isto foi escrito em linha, quer em caixas de comentários, as furnas da Internet, quer nos blogues anónimos e ignorados, os degraus superiores do Inferno.&lt;br /&gt;É por isto que os blogues são interessantes, porque se move ali um monstro, que existe bem fora dos electrões. Esse monstro fala - nos blogues e nos jornais - e nós não o queremos ouvir porque ele nos coloca em causa, coloca em causa o lugar que ocupamos. Ele luta ali pelas suas regras próprias e não pelas que tomamos por adquiridas e, desse ponto de vista, convém conhecê-lo muito bem. É por isso que se aprende mesmo com os 90 por cento de lixo na blogosfera. E aprende-se ainda melhor se olharmos para o 10 por cento que não é lixo, porque para essa parte da Rede irá migrar uma parte mais dinâmica do espaço público, que conhece melhor o monstro e que já fez a prova do monstro.&lt;br /&gt;Tratar os blogues como um quiosque dos jornais indiferenciado é deitar fora o menino com a água do banho. Vamos em seguida falar dos 10 por cento, número optimista, eu sei.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;José Pacheco Pereira&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Público&lt;/span&gt; de hoje&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt; &lt;div class="edImpressa"&gt;&lt;div class="edImpressa" style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-116309894150800643?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/116309894150800643/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=116309894150800643' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/116309894150800643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/116309894150800643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/11/diferena-entre-um-quiosque-e.html' title='A diferença entre um quiosque e a blogosfera'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-116171339396988178</id><published>2006-10-24T19:07:00.000+01:00</published><updated>2006-10-24T19:13:01.426+01:00</updated><title type='text'>Défice democrático</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na semana passada, o secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, declarou a disponibilidade do Ministério da Educação para continuar a discutir o Estatuto da Carreira Docente com os sindicatos e mesmo para fazer algumas cedências nessa matéria que considerava aceitáveis, desde que os professores pusessem fim ao "clima de conflitualidade" e às suas "acções de luta".  &lt;/div&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Também na semana passada, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, decidiu gerir o conflito com uma companhia de teatro que fez um sit-in no Rivoli, em defesa da manutenção da gestão pública daquele teatro, recusando-se a manter qualquer diálogo com os manifestantes, cortando-lhes a electricidade e a água, baixando a temperatura do teatro para os vencer pelo frio e fechando-lhes as portas de forma a impedir o seu contacto com o exterior. Os manifestantes acabariam por ser retirados de madrugada pela polícia (sem oferecer resistência) depois de mais de três dias de ocupação.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Ambos os episódios são exemplos de como os políticos portugueses continuam a conviver mal com o confronto democrático e a contestação e de como o seu sentimento de autoridade é tão frágil que receiam pô-lo em causa, caso enveredem por uma simples discussão com os seus críticos. Se no caso do Rivoli se podia invocar o (débil) argumento da legalidade (ainda que os sit-ins, manifestações pacíficas, tenham uma honrosa genealogia que vai de Gandhi ao movimento dos direitos cívicos nos EUA), no caso das manifestações e protestos dos professores nem esse existia - o que não impediu o secretário de Estado de tentar a sua jogada autocrática e censória.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold;" align="justify"&gt;Um amigo dizia-me há dias que em Portugal não é possível ter uma boa discussão - nem sequer entre amigos. As pessoas fogem do confronto, sentem-se mal perante as diferenças de opinião e levam as opiniões tão a peito que sentem as diferenças como afrontas que ferem os sentimentos mais do que excitam a razão e que podem danificar amizades sem com isso aprofundar a verdade. Por isso, disfarçam as diferenças até cair no falso consenso. A maior parte das discussões acaba à nascença, com o "ah, mas eu não acho nada disso" que devia ser o sinal de partida para uma viva troca de argumentos.&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Que os portugueses comuns fujam da discussão como o diabo da cruz, enfim. O que não se compreende nem se aceita é que os políticos apenas saibam gerir o confronto político recorrendo à chantagem ou à polícia.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Numa democracia liberal, o confronto das ideias e a negociação entre interesses legítimos é central ao processo de decisão. E pagamos aos políticos (entre outras coisas) para que eles participem nesse confronto de ideias, discutam, ouçam e depois decidam e executem. Esse confronto deveria, aliás, ser bem-vindo pelos políticos, já que ele estimula a participação democrática e contribui para o esclarecimento. Que esse confronto de ideias se realize num pano de fundo de conflitualidade social (com manifestações, greves e sit-ins) é um dos preços da democracia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Se um político tiver a pele tão fina que não suporte participar nessa discussão, deve abster-se de se apresentar ao povo como governante ou autarca. E se considera que esse confronto de ideias deve ser reprimido pela força, não tem lugar num sistema democrático. Os políticos deveriam, pelo contrário, agradecer estas oportunidades, mediáticas por natureza, de explicar a bondade das suas políticas aos seus concidadãos. A utilização da força e da chantagem sugerem, com razão ou sem ela, que não possuem argumentos para apresentar ou que receiam o escrutínio do debate público.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;A lamentável declaração de Jorge Pedreira é inaceitável em democracia e deveria ter sido objecto de um pedido de desculpas e de uma demissão. E o gesto de Rui Rio é mais um sinal da autoritária insegurança a que o autarca do Porto já nos habituou.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;José Vítor Malheiros, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Público de 24 de Outubro de 2006&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-116171339396988178?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/116171339396988178/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=116171339396988178' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/116171339396988178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/116171339396988178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/10/dfice-democrtico.html' title='Défice democrático'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-116021135564051823</id><published>2006-10-07T09:53:00.000+01:00</published><updated>2006-10-07T18:42:28.540+01:00</updated><title type='text'>Que farei quando tudo arde?*</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Geneviève Ferone: Há uma economia que precisa de se "descarbonizar"&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por Géraldine Correia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Géraldine Correia: Como entrou neste mundo socialmente responsável?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Geneviève Ferone:&lt;/b&gt; Depois da minha formação, queria trabalhar nas Nações Unidas, em questões sociais. Foi o que fiz e repeti na OCDE, sobretudo em questões ligadas à energia e ambiente. Estive também no HCR (Alto Comissariado dos Refugiados). Depois parti para os Estados Unidos, para um gabinete de advogados em Los Angeles, e abriu-se em seguida um gabinete estratégico em São Francisco. Era paga para ser os olhos e os ouvidos de clientes franceses das finanças. Reparei então que os investimentos "verdes" ou ambientais eram praticados de forma séria pelos fundos de pensões da Califórnia. Havia sempre um investimento dos fundos em negócios sociais e ambientais, com um desejo de retorno do investimento, uma rentabilidade a longo prazo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Foi aí que teve contacto com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rating&lt;/span&gt; social?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Tive encontros com todos os fundos de pensões americanos. Os conselhos de administração reflectem as minorias, sindicatos, etc. Por isso, verifiquei que havia um duplo empenho: no desenvolvimento social e na vontade de proteger as reformas, ou seja, um imperativo de rendibilidade. Organizei então viagens de estudo para clientes europeus e percebi que havia um mercado potencial. O &lt;i&gt;rating&lt;/i&gt; social era uma informação com peso para clientes que investem a longo prazo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;E como é que este &lt;i&gt;rating&lt;/i&gt; pesa nos investimentos?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Uma empresa que não capta as condições ambientais, que tem crianças a trabalhar nas suas fábricas, entre outras situações, tem um perfil de risco importante. É um risco para a sua imagem, mesmo que não pese financeiramente. O &lt;i&gt;rating&lt;/i&gt; dá uma nota às empresas e traduz a adequação da gestão face às questões do desenvolvimento sustentável. Lancei este conceito em 1996 e passei a vender informações a uma clientela europeia de fundos de investimento. Por acaso calhou bem na época, por uma questão de moda, e até fui criticada por julgarem que seria um desafio passageiro. Mas um grande banco, por exemplo, prefere oferecer ao cliente um portfolio diversificado, com empresas bem cotadas no desenvolvimento sustentável. Mesmo que os bancos adoptem esta prática apenas por questões cosméticas ou de &lt;i&gt;marketing&lt;/i&gt;, acaba por valer a pena.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Qual a diferença em relação a agências de &lt;i&gt;rating&lt;/i&gt; semelhantes nos Estados Unidos?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Nos Estados Unidos são aplicados critérios morais de exclusão. Não se investe em empresas no sector da pornografia, dos cigarros, álcool ou armas. Em França, a ARESE começou a dar notas a todos os sectores, porque podem vender-se produtos tóxicos de forma responsável e produtos para bebé com práticas duvidosas, e o objectivo é a melhoria das práticas em todos os sectores. Mais tarde, na CoreRatings, que fundei a seguir, continuei a minha batalha, apesar de sarcasmos de organizações não governamentais [ONG] sobre os meus métodos cooperativos. Mas não podemos mudar nada se não convencermos as pessoas do interesse de mudarem. Um dia os critérios sociais e ambientais estarão ao mesmo nível dos financeiros pela vontade de gerir melhor os riscos, atrair empregados melhores, melhorar a sua imagem, ou mesmo evitar processos.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Como reagem as empresas submetidas a análise?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Esse é o segundo impacto que se pode ter no mercado: as empresas analisadas perceberam que havia questões que assumiam uma importância estratégica. No que respeita ao ambiente, a energia está a tornar-se um bem raro. O protocolo de Quioto abriu um mercado financeiro verde, com as quotas permitidas de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;, etc. O desenvolvimento sustentável começou a ter um impacto visível nas contas das empresas, quer directamente, através das quotas para os sectores do cimento, siderúrgicas, petrolíferas e de serviços específicos, quer indirectamente, como no sector automóvel. O sector dos transportes vai depender de inovações a muito curto prazo para respeitar uma fiscalidade verde que cobra as emissões de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; por automóvel. Nos biocombustíveis estamos no limiar de grandes mutações. Na aeronáutica será ainda mais marcante, porque nos aviões não existe ainda alternativa ao petróleo, e o impacto poluente no ambiente é dramático - a problemática é dupla. A indústria química está também em jogo - por isso se procura desenvolver a todo o custo a biotecnologia, processos mais naturais que recorram menos a substâncias tóxicas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Há uma nova economia a nascer?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Há uma economia que precisa de se "descarbonizar". Toda a logística vai mudar. O petróleo é raro e finito, logo não é viável continuar a pensar que os transportes de mercadoria se façam por camião. A construção civil precisa de se adaptar com prédios novos bem isolados - é sabido que 25 a 30 por cento dos gases do efeito de estufa vêm da falta de isolamento de habitações. Tudo isto está documentado e sabemos exactamente o que está a agravar as coisas e o que é preciso mudar. Há uma necessidade premente de optimizar a energia.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;As coisas estão a mudar nesse sentido?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;O petróleo ainda não é suficientemente caro para que haja uma ruptura dos comportamentos e dos modelos de rentabilidade. Mas em França, por exemplo, sabemos que uma casa bem isolada e preparada com vários tipos de energia custa em média mais sete por cento. O importante para o consumidor é que em cinco anos pode poupar até 70 por cento nas suas facturas de energia. O momento é crucial, porque por um lado é preciso mudar depressa, mas por outro o parque imobiliário renova-se apenas ao ritmo de um por cento por ano, o que significa que há um mercado também para a reabilitação de habitações já existentes. O mercado quer uma rendibilidade imediata, mas se esperar demasiado também será tarde demais.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Quais são os outros factores graves a nível social?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Temos de pensar a longo prazo em formação para mudar hábitos, equidade e diversidade cultural. As empresas têm de lá chegar porque os riscos são dramáticos a médio prazo. Uma mão-de-obra inexistente, por exemplo, devido ao envelhecimento das populações, ou clandestina, provoca desequilíbrios na sociedade. Há questões que deixam de fazer sentido, como a deslocalização. A China ou Índia, mais cedo ou mais tarde, terão uma mão-de-obra mais cara e deixa de ser sustentável deslocalizar para depois reenviar uma produção por barcos que funcionam com um combustível finito, raro e caro... Em poucos anos, o repatriamento de mercadorias tornará a questão do &lt;i&gt;outsourcing&lt;/i&gt; obsoleta.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Quais as consequências disso?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;A questão da energia toca cada vez mais a carteira e a vida das pessoas. Coloca problemas no âmbito da biodiversidade, com espécies em desaparecimento, rupturas na cadeia alimentar do planeta e pandemias como a da gripe das aves. Há claramente uma mutação do modelo de sociedade. A situação demográfica exige um reequilíbrio das forças económicas e, ao mesmo tempo, a sociedade exige transparência. Com o escândalo que levou a promulgar a lei de Sarbanes-Oxley, as empresas foram forçadas a uma postura mais clara e a concertações com ONG por vezes muito duras, que perturbam e influenciam o jogo económico.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Como se situam as economias emergentes neste âmbito?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;O Ocidente envia lixo para África, por exemplo - como é que as pessoas desse continente vão reagir, a prazo, por serem depósitos de resíduos e desperdícios de países ricos? Como é que isso influencia o jogo económico mundial? Os chineses e indianos vão desejar também ter o seu apartamento com ar condicionado, dois carros, etc. O Ocidente dá-lhes poder de compra, mas depois vai dizer-lhes que não podem poluir, que há efeitos adversos no clima e na energia... Fala-se em voltar a uma economia do carvão - é um desastre para o ambiente. Em suma, a equação da demografia em queda e crescimento de populações de economias emergentes e da subida do nível de vida e vontade de consumo é explosiva. Se associarmos a esta a equação da energia e do clima, é fácil perceber por que estamos num ponto de viragem. Sabemos que se houver um crescimento de dois por cento ao ano, em poucos anos não existirá nem mais uma gota de petróleo ou gás, ou seja, nada que possa alimentar o motor económico.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Como aborda estes temas com as empresas que analisa?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Estes números criam ansiedade e percebi, em conferências, que as pessoas ficavam rancorosas ou mesmo agressivas comigo ou, no limite, entravam em estratégias de negação. Não tenho uma postura ideológica, mas há factos, como a inércia do CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;, que devem ser considerados - uma tonelada de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; fica dez anos na atmosfera, os gases do ar condicionado ficam 50 mil anos na atmosfera terrestre. O que já está vai perdurar muito, por isso todos os gestos são importantes para travar futuras poluições - separar o lixo, valorizar os recursos. O desenvolvimento sustentável depende tanto dos comportamentos como de tecnologias milagrosas. É provável que nos tenhamos de habituar a viver com mais calor no Verão, mais frio no Inverno. Mas vá dizer isso a economias emergentes...&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Quem está a dar cartas nesta área?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;É curioso como as petrolíferas detêm todas as patentes de energia solar - este mercado está cativo. O nuclear será a ponte durante uns tempos, com os riscos que conhecemos e populações a recusar centrais... Vivemos numa bolha de champanhe, com um conforto gigantesco a um preço mínimo. Ainda estamos numa atitude de negação. Nesta fase de transição, vão surgir serviços em alta, como a gestão de facturas energéticas. Uma empresa especializada virá a nossa casa, colocará energia solar para a água, caldeira, biomassa para o aquecimento central, etc. Haverá uma gestão com manutenção e pagaremos uma renda por esse serviço. Quando comprarmos um carro, haverá uma manutenção: o fabricante retomará o carro quando for um resíduo, para reciclá-lo. O futuro está numa desmaterialização da economia. Estamos mal habituados, porque queremos tudo novo. Na construção, por exemplo, as empresas usam asfalto novo. Porquê? Porque não recuperar asfalto usado e reaplicá-lo?&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;E porque acha que isso acontece?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Há uma grande margem de manobra na construção. Na Eiffage, por exemplo, o &lt;i&gt;rating&lt;/i&gt; é favorável por estar próxima do terreno, ter empregados accionistas, etc. Está constantemente a criar protótipos para encontrar soluções na construção civil. Nasceu assim uma proposta de edifício de energia positiva em Lyon, a nova sede da empresa, com células fotovoltaicas nas fachadas para aquecimento, climatização fraca, menos estacionamento para que as pessoas venham de transportes, etc. O edifício vai produzir mais energia do que aquela que consome. Fazem também estradas asfaltadas a baixa temperatura, com materiais reciclados, e conseguiram já fazer funcionar um lar da terceira idade com energias renováveis. Estão numa problemática de arquitectura bioclimática, mas no fundo querem garantir a sua sobrevivência.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;O que deve ser considerado para mudar?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;O importante é prever questões que vão tornar-se rapidamente maduras, no âmbito de quatro grandes questões. Existem as questões latentes, como a nanotecnologia, cujos efeitos não conhecemos ainda muito bem, e as questões emergentes - são as de que falam os jornais, como a biodiversidade, ou direitos humanos. Depois há as questões maduras, como as energias renováveis, a eco-construção, a diversidade cultural nas empresas, etc., problemas ditos inteligentes. Finalmente temos as questões institucionais, com a legislação, as quotas de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;, tratamento de resíduos, igualdade salarial entre homens e mulheres, higiene e segurança, etc. O truque está em perceber o que vai passar de latente a emergente ou maduro, e tentar agir correctamente para que não seja necessário passar para a questão institucional. As empresas reúnem-se a todo o custo em &lt;i&gt;lobbies&lt;/i&gt;, como o WBCSD - World Business Council for Sustainable Development, para tentar mostrar à sociedade que estão atentas e reconhecem que há problemas... Os processos avançam muito rapidamente. As empresas reagem de forma defensiva, limitam-se a gerir riscos ou navegam à vista, gerindo apenas as questões institucionais. Outras escolhem a inovação e ruptura estratégica - são as &lt;i&gt;start ups&lt;/i&gt; que preparam um novo mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold; font-style: italic;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;DiaD de 6 de Outubro de 2006, Público&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold; font-style: italic;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Título roubado de António Lobo Antunes por sugestão da &lt;a href="http://osentidodaspalavras.blogspot.com/"&gt;Elipse&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-116021135564051823?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/116021135564051823/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=116021135564051823' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/116021135564051823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/116021135564051823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/10/que-farei-quando-tudo-arde.html' title='Que farei quando tudo arde?*'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115839653016533422</id><published>2006-09-16T09:47:00.000+01:00</published><updated>2006-09-16T09:48:50.180+01:00</updated><title type='text'>O primeiro dia</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A princípio é simples anda-se sozinho&lt;br /&gt;passa-se nas ruas bem devagarinho&lt;br /&gt;está-se bem no silêncio e no borborinho&lt;br /&gt;bebe-se as certezas num copo de vinho&lt;br /&gt;e vem-nos à memória uma frase batida&lt;br /&gt;hoje é o primeiro dia do resto da tua vida&lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo&lt;br /&gt;dá-se a volta ao medo dá-se a volta ao mundo&lt;br /&gt;diz-se do passado que está moribundo&lt;br /&gt;bebe-se o alento num copo sem fundo&lt;br /&gt;e vem-nos à memória uma frase batida&lt;br /&gt;hoje é o primeiro dia do resto da tua vida&lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E é então que amigos nos oferecem leito&lt;br /&gt;entra-se cansado e sai-se refeito&lt;br /&gt;luta-se por tudo o que se leva a peito&lt;br /&gt;bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito&lt;br /&gt;e vem-nos à memória uma frase batida&lt;br /&gt;hoje é o primeiro dia do resto da tua vida&lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja&lt;br /&gt;olha-se para dentro e já pouco sobeja&lt;br /&gt;pede-se um descanso por curto que seja&lt;br /&gt;apagam-se dúvidas num mar de cerveja&lt;br /&gt;e vem-nos à memória uma frase batida&lt;br /&gt;hoje é o primeiro dia do resto da tua vida&lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Enfim duma escolha faz-se um desafio&lt;br /&gt;enfrenta-se a vida de fio a pavio&lt;br /&gt;navega-se sem mar sem vela ou navio&lt;br /&gt;bebe-se a coragem até dum copo vazio&lt;br /&gt;e vem-nos à memória uma frase batida&lt;br /&gt;hoje é o primeiro dia do resto da tua vida&lt;/p&gt;       &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E entretanto o tempo fez cinza da brasa&lt;br /&gt;outra maré cheia virá da maré vaza&lt;br /&gt;nasce um novo dia e no braço outra asa&lt;br /&gt;brinda-se aos amores com o vinho da casa&lt;br /&gt;e vem-nos à memória uma frase batida&lt;br /&gt;hoje é o primeiro dia do resto da tua vida&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sérgio Godinho &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115839653016533422?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115839653016533422/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115839653016533422' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115839653016533422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115839653016533422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/09/o-primeiro-dia.html' title='O primeiro dia'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115784233726590011</id><published>2006-09-09T23:51:00.000+01:00</published><updated>2006-09-09T23:52:17.276+01:00</updated><title type='text'>Imagine</title><content type='html'>Imagine there's no Heaven&lt;br /&gt;It's easy if you try&lt;br /&gt;No hell below us&lt;br /&gt;Above us only sky&lt;br /&gt;Imagine all the people&lt;br /&gt;Living for today&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine there's no countries&lt;br /&gt;It isn't hard to do&lt;br /&gt;Nothing to kill or die for&lt;br /&gt;And no religion too&lt;br /&gt;Imagine all the people&lt;br /&gt;Living life in peace&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You may say that I'm a dreamer&lt;br /&gt;But I'm not the only one&lt;br /&gt;I hope someday you'll join us&lt;br /&gt;And the world will be as one &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine no possessions&lt;br /&gt;I wonder if you can&lt;br /&gt;No need for greed or hunger&lt;br /&gt;A brotherhood of man&lt;br /&gt;Imagine all the people&lt;br /&gt;Sharing all the world&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You may say that I'm a dreamer&lt;br /&gt;But I'm not the only one&lt;br /&gt;I hope someday you'll join us&lt;br /&gt;And the world will live as one &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;John Lennon&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115784233726590011?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115784233726590011/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115784233726590011' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115784233726590011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115784233726590011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/09/imagine.html' title='Imagine'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115697640842435604</id><published>2006-08-30T23:00:00.000+01:00</published><updated>2006-08-30T23:20:08.436+01:00</updated><title type='text'>IF</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;If you can keep your head when all about you&lt;br /&gt;Are losing theirs and blaming it on you;&lt;br /&gt;If you can trust yourself when all men doubt you,&lt;br /&gt;But make allowance for their doubting too;&lt;br /&gt;If you can wait and not be tired by waiting,&lt;br /&gt;Or, being lied about, don't deal in lies,&lt;br /&gt;Or, being hated, don't give way to hating,&lt;br /&gt;And yet don't look too good, nor talk too wise;&lt;/p&gt;         &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;If you can dream - and not make dreams your master;&lt;br /&gt;If you can think - and not make thoughts your aim;&lt;br /&gt;If you can meet with triumph and disaster&lt;br /&gt;And treat those two imposters just the same;&lt;br /&gt;If you can bear to hear the truth you've spoken&lt;br /&gt;Twisted by knaves to make a trap for fools,&lt;br /&gt;Or watch the things you gave your life to broken,&lt;br /&gt;And stoop and build 'em up with wornout tools;&lt;/p&gt;                  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;If you can make one heap of all your winnings&lt;br /&gt;And risk it on one turn of pitch-and-toss,&lt;br /&gt;And lose, and start again at your beginnings&lt;br /&gt;And never breath a word about your loss;&lt;br /&gt;If you can force your heart and nerve and sinew&lt;br /&gt;To serve your turn long after they are gone,&lt;br /&gt;And so hold on when there is nothing in you&lt;br /&gt;Except the Will which says to them: "Hold on";&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;If you can talk with crowds and keep your virtue,&lt;br /&gt;Or walk with kings - nor lose the common touch;&lt;br /&gt;If neither foes nor loving friends can hurt you;&lt;br /&gt;If all men count with you, but none too much;&lt;br /&gt;If you can fill the unforgiving minute&lt;br /&gt;With sixty seconds' worth of distance run -&lt;br /&gt;Yours is the Earth and everything that's in it,&lt;br /&gt;And - which is more - you'll be a Man my son!  &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Rudyard Kipling&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115697640842435604?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115697640842435604/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115697640842435604' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115697640842435604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115697640842435604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/08/if.html' title='IF'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115669023811603702</id><published>2006-08-27T15:49:00.000+01:00</published><updated>2006-08-27T15:52:36.306+01:00</updated><title type='text'>Zumbido</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/200/z3bido.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z5bido.gif"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115669023811603702?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115669023811603702/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115669023811603702' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115669023811603702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115669023811603702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/08/zumbido.html' title='Zumbido'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115666956005604075</id><published>2006-08-27T10:02:00.000+01:00</published><updated>2006-08-27T10:06:00.066+01:00</updated><title type='text'>Comfortably numb</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Hello, hello, hello&lt;br /&gt;Is there anybody in there?&lt;br /&gt;Just nod if you can hear me.&lt;br /&gt;Is there anyone at home?&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Come on, come on down,&lt;br /&gt;I hear you’re feeling down.&lt;br /&gt;Well I can ease your pain,&lt;br /&gt;Get you on your feet again.&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Relax, relax, relax&lt;br /&gt;I need some information first.&lt;br /&gt;Just the basic facts.&lt;br /&gt;Can you show me where it hurts?&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;There is no pain, you are receding.&lt;br /&gt;A distant ship's smoke on the horizon.&lt;br /&gt;You are only coming through in waves.&lt;br /&gt;Your lips move, but I can’t hear what you’re saying.&lt;/p&gt;      &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;When I was a child, I had a fever.&lt;br /&gt;My hands felt just like two balloons.&lt;br /&gt;Now I’ve got that feeling once again.&lt;br /&gt;I can’t explain, you would not understand.&lt;br /&gt;This is not how I am.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;I have become comfortably numb.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;I have become comfortably numb.&lt;/p&gt;          &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;OK, OK, OK&lt;br /&gt;Just a little pin prick.&lt;br /&gt;There’ll be no more, aaaaaaaaaaaahhhhhhhhh,&lt;br /&gt;But you may feel a little sick.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Can you stand up, stand up, stand up.&lt;br /&gt;I do believe it's working good.&lt;br /&gt;That’ll keep you going for the show.&lt;br /&gt;Come on, it’s time to go.&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;There is no pain, you are receding.&lt;br /&gt;A distant ship's smoke on the horizon.&lt;br /&gt;You are only coming through in waves.&lt;br /&gt;Your lips move, but I can’t hear what you’re saying.&lt;/p&gt;      &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;When I was a child, I caught a fleeting glimpse&lt;br /&gt;Out of the corner of my eye.&lt;br /&gt;I turned to look, but it was gone.&lt;br /&gt;I cannot put my finger on it now.&lt;br /&gt;The child has grown, the dream is gone.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;I have become comfortably numb.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Roger Waters, David Gilmour&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;- The Wall (1979)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115666956005604075?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115666956005604075/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115666956005604075' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115666956005604075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115666956005604075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/08/comfortably-numb.html' title='Comfortably numb'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115619695922352520</id><published>2006-08-21T22:46:00.000+01:00</published><updated>2006-08-21T22:49:19.236+01:00</updated><title type='text'>Não é verdade</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cai, como antigamente, das estrelas&lt;br /&gt;Um frio que se espalha na cidade.&lt;br /&gt;Não é noite nem dia, é o tempo ardente&lt;br /&gt;Da memória das coisas sem idade.&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O que sonhei cabe nas tuas mãos&lt;br /&gt;Gastas a tecer melancolia:&lt;br /&gt;Um país crescendo em liberdade,&lt;br /&gt;Entre medas de trigo e alegria.&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Porém a morte passeia nos quartos,&lt;br /&gt;Ronda as esquinas, entra nos navios,&lt;br /&gt;O seu olhar é verde, o seu vestido branco,&lt;br /&gt;Cheiram a cinza os seus dedos frios.&lt;/p&gt;          &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Entre um céu sem cor e montes de carvão&lt;br /&gt;O ardor das estações cai apodrecido;&lt;br /&gt;Os mastros e as casas escorrem sombra,&lt;br /&gt;Só o sangue brilha endurecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é verdade tanta loja de perfumes,&lt;br /&gt;Não é verdade tanta rosa decepada,&lt;br /&gt;Tanta ponte de fumo, tanta roupa escura,&lt;br /&gt;Tanto relógio, tanta pomba assassinada.&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Não quero para mim tanto veneno,&lt;br /&gt;Tanta madrugada varrida pelo gelo,&lt;br /&gt;Nem olhos pintados onde morre o dia,&lt;br /&gt;Nem beijos de lágrimas no meu cabelo.&lt;/p&gt;      &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Amanhece.&lt;br /&gt;Um galo risca o silêncio&lt;br /&gt;Desenhando o teu rosto nos telhados.&lt;br /&gt;Eu falo do jardim onde começa&lt;br /&gt;Um dia claro de amantes enlaçados.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Eugénio de Andrade &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115619695922352520?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115619695922352520/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115619695922352520' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115619695922352520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115619695922352520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/08/no-verdade.html' title='Não é verdade'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115550020180923812</id><published>2006-08-13T21:16:00.000+01:00</published><updated>2006-08-13T22:28:37.516+01:00</updated><title type='text'>Todo o Mundo</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Personagens: Ninguém, Todo-o-mundo, Berzebu e Dinato.&lt;br /&gt;[Estão em cena dois diabos, Berzebu e Dinato, este preparado para escrever]&lt;br /&gt;Entra Todo o Mundo, homem como rico mercador, e faz que anda buscando algua cousa que se lhe perdeu. E logo após ele um homem vestido como pobre. Este se chama Ninguém, e diz:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;/p&gt; &lt;table style="margin-bottom: 0cm;" align="right" border="0" cellpadding="5" cellspacing="0" width="100%"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Que andas tu i buscando&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Todo o Mundo&lt;/span&gt;  &lt;/td&gt;&lt;td&gt;Mil cousas ando a buscar:&lt;br /&gt;delas não posso achar,&lt;br /&gt;porém ando perfiando&lt;br /&gt;por quão bom é perfiar.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Como hás, nome, cavaleiro?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Todo o Mundo&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Eu hei nome Todo o Mundo,&lt;br /&gt;e meu tempo todo inteiro&lt;br /&gt;sempre é buscar dinheiro,&lt;br /&gt;e sempre nisso me fundo.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/td&gt;&lt;td&gt;E eu hei nome Ninguém,&lt;br /&gt;e busco a consciência.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu&lt;/span&gt; para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Esta é boa experiência!&lt;br /&gt;Dinato, escreve isto bem.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Que escreverei, companheiro?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Que Ninguém busca consciência,&lt;br /&gt;e Todo o Mundo dinheiro.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/span&gt; para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Todo o Mundo&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;E agora que buscas lá?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Todo o Mundo&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Busco honra muito grande.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/td&gt;&lt;td&gt;E eu virtude, que Deos mande&lt;br /&gt;que tope co' ela já.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu &lt;/span&gt;para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Outra adição nos acude:&lt;br /&gt;escreve logo e a fundo,&lt;br /&gt;que busca honra Todo o Mundo&lt;br /&gt;e Ninguém busca virtude.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Buscas outro mor bem qu' esse?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Todo o Mundo&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Busco mais quem me louvasse&lt;br /&gt;tudo quanto eu fezesse&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/td&gt;&lt;td&gt;E eu quem me repreendesse&lt;br /&gt;em cada coisa que errasse.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu &lt;span style="font-weight: normal;"&gt;para&lt;/span&gt; Dinato&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Escreve mais.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Que tens sabido?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Que quer em extremo grado&lt;br /&gt;Todo o Mundo ser louvado&lt;br /&gt;e Ninguém ser repreendido.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/span&gt; para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Todo o Mundo&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Buscas mais, amigo meu?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Todo o Mundo&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Busco a vida e quem ma dê.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/td&gt;&lt;td&gt;A vida não sei que é,&lt;br /&gt;a morte conheço eu.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu &lt;/span&gt;para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Escreve lá outra sorte&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Que sorte?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Muito garrida.&lt;br /&gt;Todo o Mundo busca a vida,&lt;br /&gt;e Ninguém conhece a morte.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Todo o Mundo&lt;/span&gt; para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;E mais queria o paraíso,&lt;br /&gt;sem mo ninguém estorvar.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/td&gt;&lt;td&gt;E eu ponho-me a pagar&lt;br /&gt;quanto devo pera isso.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu&lt;/span&gt; para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Escreve com muito aviso.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Que escreverei?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Que Todo o Mundo quer paraído&lt;br /&gt;e Ninguém paga o que deve.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Todo o Mundo&lt;/span&gt; para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Folgo muito de enganar,&lt;br /&gt;e mentir naceo comigo.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Eu sempre verdade digo,&lt;br /&gt;sem nunca me desviar.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu&lt;/span&gt; para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Ora escreve lá, compadre&lt;br /&gt;não sejas tu preguiçoso!&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Quê?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Que Todo o Mundo é mentiroso,&lt;br /&gt;e Ninguém diz a verdade.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/span&gt; para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Todo o Mundo&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Que mais buscas?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Todo o Mundo&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Lisonjar.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Ninguém&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Eu sou todo desengano.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu&lt;/span&gt; para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Escreve, ande la mano!&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Dinato&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Que me mandas assentar?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="font-weight: bold;"&gt;Berzebu&lt;/td&gt;&lt;td&gt;Põe aí mui declarado,&lt;br /&gt;não te fique no tinteiro&lt;br /&gt;Todo o Mundo é lisonjeiro,&lt;br /&gt;e Ninguém desenganado.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Gil Vicente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-size:85%;"&gt;in &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Auto da Lusitânia&lt;/span&gt; (1532)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115550020180923812?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115550020180923812/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115550020180923812' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115550020180923812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115550020180923812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/08/todo-o-mundo_13.html' title='Todo o Mundo'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115524891142865458</id><published>2006-08-10T23:26:00.000+01:00</published><updated>2006-08-10T23:28:31.443+01:00</updated><title type='text'>O lugar do começo</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial, sans-serif;"&gt;Primeiro havia&lt;br /&gt;a noite fria&lt;br /&gt;depois a terra&lt;br /&gt;que o céu abraçou&lt;br /&gt;e os dois eram um só&lt;br /&gt;enquanto o tempo&lt;br /&gt;não os separou&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial, sans-serif;"&gt;Depois o vento&lt;br /&gt;um vento forte&lt;br /&gt;soprou as cores&lt;br /&gt;e imaginou&lt;br /&gt;as coisas frágeis e leves&lt;br /&gt;e a pouco e pouco&lt;br /&gt;o mundo acordou&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial, sans-serif;"&gt;Não é tarde&lt;br /&gt;fico em casa&lt;br /&gt;conta-me tudo outra vez&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial, sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;Perto&lt;br /&gt;longe&lt;br /&gt;aonde estiver&lt;br /&gt;hei-de sempre ter&lt;br /&gt;um lugar&lt;br /&gt;pra ti&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial, sans-serif;"&gt;Por fim os homens&lt;br /&gt;ninfas e deuses&lt;br /&gt;que percorriam&lt;br /&gt;o céu e a terra&lt;br /&gt;a tudo deram um nome&lt;br /&gt;e os sons tocaram&lt;br /&gt;as mais altas estrelas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial, sans-serif;"&gt;Não é tarde&lt;br /&gt;fico em casa...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Xana&lt;/span&gt;, &lt;i&gt;O lugar do começo&lt;/i&gt; - Acordar - Rádio Macau&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115524891142865458?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115524891142865458/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115524891142865458' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115524891142865458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115524891142865458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/08/o-lugar-do-comeo.html' title='O lugar do começo'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115502981223615786</id><published>2006-08-08T07:00:00.000+01:00</published><updated>2006-08-08T10:36:52.250+01:00</updated><title type='text'>Jeito estúpido</title><content type='html'>Eu sei que eu tenho um jeito&lt;br /&gt; Meio estúpido de ser&lt;br /&gt; E de dizer coisas que podem&lt;br /&gt; Magoar e te ofender&lt;br /&gt; Mas cada um tem o seu jeito&lt;br /&gt; Todo próprio de amar&lt;br /&gt; E de se defender&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me acusa e só me preocupa&lt;br /&gt; Agrava mais e mais a minha culpa&lt;br /&gt; E eu faço e desfaço, contrafeito&lt;br /&gt; O meu defeito é te amar demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Palavras são palavras&lt;br /&gt; E a gente nem percebe&lt;br /&gt; O que disse sem querer&lt;br /&gt; E o que deixou pra depois&lt;br /&gt; Mas o importante é perceber&lt;br /&gt; Que a nossa vida em comum&lt;br /&gt; Depende só e unicamente de nós dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tento achar um jeito pra explicar&lt;br /&gt; Você bem que podia me aceitar&lt;br /&gt; Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser&lt;br /&gt; Mas é assim que eu sei te amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isolda/Milton Carlos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115502981223615786?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115502981223615786/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115502981223615786' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115502981223615786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115502981223615786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/08/jeito-estpido.html' title='Jeito estúpido'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115400693527829297</id><published>2006-07-27T14:30:00.000+01:00</published><updated>2006-07-27T14:28:55.293+01:00</updated><title type='text'>O Náufrago</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Foi um suicídio longamente premeditado, pensei, e não um acto espontâneo de desespero.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O Glenn Gould, o nosso amigo e o mais importante virtuoso do piano do século, também só fez 51 anos, pensava eu ao entrar na estalagem. Só que esse não se matou como o Wertheimer mas morreu, como se costuma dizer, &lt;i&gt;de morte natural&lt;/i&gt;. Quatro meses e meio em Nova Iorque e sempre, sempre as &lt;i&gt;Variações de Goldberg&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;A Arte da Fuga&lt;/i&gt;, quatro meses e meio de &lt;i&gt;«Klavierexerzitien»&lt;/i&gt;* como o Glenn Gould dizia repetidamente e sempre só em alemão, pensava eu.&lt;br /&gt;Há vinte e oito anos exactos havíamos morado em Leopoldskron e estudado com o Horowitz, e (no caso do Wertheimer e no meu, não no de Glenn Gould naturalmente) com o Horowitz tínhamos aprendido mais durante um Verão completo, Verão em que chovera continuamente, do que durante os oito anos anteriores do Mozarteum e da Academia de Viena. O Horowitz tinha reduzido a zero todos os nosso professores. Mas esses horríveis professores foram necessários para nós (...)&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;*&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Exercícios de piano &lt;i&gt;(Nota da tradutora)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Thomas Bernhard&lt;/span&gt;, &lt;i&gt;O Náufrago&lt;/i&gt; (Relógio d'Água - pág. 7 - Tradução de Leopoldina Almeida) &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115400693527829297?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115400693527829297/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115400693527829297' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115400693527829297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115400693527829297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/07/o-nufrago.html' title='O Náufrago'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115257214209490120</id><published>2006-07-10T23:54:00.000+01:00</published><updated>2006-07-11T00:02:56.623+01:00</updated><title type='text'>Quadro Abstracto</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;[...]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial,sans-serif;font-size:130%;"  &gt;- Eu não compreendo as mulheres. Quanto mais as conheço, menos as compreendo. Falam muito, com muitos pormenores, não se calam, são umas perfeitas gralhas. É muito cansativo. A Lena, a minha segunda mulher, era ao contrário. Deprimia, estava sempre de trombas. Primeiro era da gravidez, depois era dos gémeos que não a deixavam dormir, se dormia de mais era porque ficava com dores de cabeça, se dormia de menos andava aos berros pela casa, e nunca sabia nada, eu perguntava-lhe o que é que ela achava disto ou daquilo e ela respondia "não sei". Sempre. Respondia a tudo "não sei". Esta agora que se chama Érnia, a minha actual mulher, então sabe tudo, tem opiniões sobre tudo, anda sempre toda contente, é insuportável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;[...]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Luísa Costa Gomes&lt;/span&gt; - &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Quadro Abstracto&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; in Ler nº 51 (pág. 52) ou Império do Amor - contos - ed. Tinta Permanente (pág. 89)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115257214209490120?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115257214209490120/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115257214209490120' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115257214209490120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115257214209490120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/07/quadro-abstracto.html' title='Quadro Abstracto'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115226112606986302</id><published>2006-07-07T09:29:00.000+01:00</published><updated>2006-07-07T09:32:06.080+01:00</updated><title type='text'>Sete anos de pastor</title><content type='html'>&lt;dl&gt;&lt;dd&gt;Sete anos de pastor Jacob servia&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Labão, pai de Raquel, serrana bela;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Mas não servia ao pai, servia a ela,&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;E a ela só por prémio pretendia.&lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt;  &lt;dl&gt;&lt;dd&gt;Os dias, na esperança de um só dia,&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Passava, contentando-se com vê-la;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Porém o pai, usando de cautela,&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Em lugar de Raquel lhe dava Lia.&lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt;  &lt;dl&gt;&lt;dd&gt;Vendo o triste pastor que com enganos&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Lhe fora assi negada a sua pastora,&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Como se a não tivera merecida;&lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt;  &lt;dl&gt;&lt;dd&gt;Começa de servir outros sete anos,&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Dizendo: – Mais servira, se não fora&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Para tão longo amor tão curta a vida!&lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Luís Vaz de Camões&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115226112606986302?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115226112606986302/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115226112606986302' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115226112606986302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115226112606986302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/07/sete-anos-de-pastor.html' title='Sete anos de pastor'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115178719090522641</id><published>2006-07-01T21:51:00.000+01:00</published><updated>2006-07-01T21:54:14.580+01:00</updated><title type='text'>A tradução</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;i&gt;Ao folhear com entusiasmo e ingenuidade a versão inglesa de certo filósofo chinês, dei com esta memorável passagem: &lt;/i&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-style: normal;" align="justify"&gt;A um condenado à morte não lhe importa bordejar um precipício, porque renunciou à vida.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-style: normal;" align="justify"&gt;&lt;i&gt;Neste ponto, o tradutor colocou um asterisco e advertiu-me que a sua interpretação era preferível à de outro sinólogo rival que traduzia desta maneira:&lt;/i&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-style: normal;" align="justify"&gt;Os utilizadores destroem as obras de arte, para não terem de julgar as suas belezas e os seus defeitos.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;i&gt;Então, como Paolo e Francesca, deixei de ler. Um misterioso cepticismo tinha-se apoderado da minha alma.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-style: normal;" align="right"&gt;J. L. Borges  &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pablo de Santis, &lt;i&gt;A tradução &lt;/i&gt;(Asa, 2000 - pag.7)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115178719090522641?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115178719090522641/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115178719090522641' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115178719090522641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115178719090522641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/07/traduo.html' title='A tradução'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115161186608014055</id><published>2006-06-29T21:00:00.000+01:00</published><updated>2006-07-01T21:55:12.530+01:00</updated><title type='text'>Di-gestão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/File0035.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/400/File0035.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/File0036.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/400/File0036.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/File0037.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/320/File0037.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Scott Adams, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Expresso&lt;/span&gt; (21-10-2004)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115161186608014055?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115161186608014055/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115161186608014055' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115161186608014055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115161186608014055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/di-gesto.html' title='Di-gestão'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115128262463642347</id><published>2006-06-26T01:31:00.000+01:00</published><updated>2006-06-26T02:01:32.813+01:00</updated><title type='text'>La bombe humaine</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Je veux vous parler de l'arme de demain&lt;br /&gt;Enfantée du monde, elle en sera la fin&lt;br /&gt;Je veux vous parler de moi, de vous&lt;br /&gt;Je vois à l'intérieur, des images, des couleurs&lt;br /&gt;Qui ne sont pas à moi, qui parfois me font peur&lt;br /&gt;Sensations qui peuvent me rendre fou&lt;br /&gt;Nos sens sont nos fils&lt;br /&gt;nous pauvres marionnettes&lt;br /&gt;Nos sens sont le chemin qui mène droit a nos têtes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La bombe humaine, tu la tiens dans ta main&lt;br /&gt;Tu as l'détonateur juste à côté du cœur&lt;br /&gt;La bombe humaine&lt;br /&gt;C'est toi, elle t'appartient&lt;br /&gt;Si tu laisses quelqu'un prendre en main ton destin, c'est la fin, la fin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mon père ne dort plus sans prendre ses calmants&lt;br /&gt;Maman ne travaille plus sans ses excitants&lt;br /&gt;Quelqu'un leur vend de quoi tenir le coup&lt;br /&gt;Je suis un électron, bombardé de protons&lt;br /&gt;Le rythme de la ville, c'est ça mon vrai patron&lt;br /&gt;Je suis chargé d'électricité&lt;br /&gt;Si par malheur, au cœur de l'accélérateur&lt;br /&gt;J'rencontre une particule qui m'mette de sale humeur&lt;br /&gt;Oh, faudrait pas que j'me laisse aller&lt;br /&gt;Faudrait pas que j'me laisse aller, non&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La bombe humaine, tu la tiens dans ta main&lt;br /&gt;Tu as l'détonateur juste à côté du cœur&lt;br /&gt;La bombe humaine,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;C'est toi elle t'appartient&lt;br /&gt;Si tu laisses quelqu'un prendre en main ton destin, c'est la fin&lt;/p&gt;          &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Bombe humaine, c'est l'arme de demain&lt;br /&gt;Bombe humaine, tu la tiens dans ta main&lt;br /&gt;Bombe humaine&lt;br /&gt;C'est toi, elle t'appartient&lt;br /&gt;Si tu laisse quelqu'un prendre ce qui te tient, c'est la fin, la fin&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jean-Louis Aubert, &lt;/span&gt;&lt;i style="font-weight: bold;"&gt;Crache ton Venin&lt;/i&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; (1979) - Téléphone&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115128262463642347?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115128262463642347/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115128262463642347' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115128262463642347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115128262463642347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/la-bombe-humaine.html' title='La bombe humaine'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115101741148059048</id><published>2006-06-23T00:02:00.000+01:00</published><updated>2006-06-23T00:05:28.033+01:00</updated><title type='text'>Português "moderno"</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;(...)&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Para ter algum préstimo, a Academia (das Ciências de Lisboa) devia denunciar a verborreia que de facto usamos e não devíamos.  &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;É recorrente, é fácil, o gozo devotado ao jargão do futebol (o famoso "futebolês", já de si um neologismo imbecil). E o resto? E quem se preocupa com o imenso jargão em que toda a língua parece transformada, repleta de incorrecções semânticas, chavões, vocábulos fora do contexto e puros disparates?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;É que não há paciência para a exposição "patente" no "multiusos", a qual, aliás, se "insere" numa "dinâmica" de "cariz" cultural. Não há paciência para autarcas que "fazem cidade" com grande "empenhamento", "nomeadamente", claro, "ao nível" das "sustentabilidades". Não há paciência para médicos que nos mandam "fazer Aspirina" e "fazer gelo" como se fôssemos um laboratório farmacêutico ou uma arca frigorífica. Não há paciência para escritores que "investem" na "vertente" dos "afectos". Não há paciência para cançonetistas cujo último disco "reflecte" determinadas "vivências". Não há paciência para "programadores" televisivos que "apostam" na "multiplicidade" dos "conteúdos". Não há paciência para "vipes" que, talvez para "serem iguais a si próprios", precedem cada grunhido com um "é assim". E não há paciência para governantes que anunciam "desígnios", para deputados que "assumem desafios", e para reles peões partidários que vêem o mundo através da sua "óptica".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Ou seja, "em termos" de Português, não há português em termos. Descemos do idioma de António Vieira a uma babugem retorcida e ridícula.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Alberto Gonçalves, &lt;i&gt;Sábado&lt;/i&gt; (edição de 4 de Maio) pág. 98 &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115101741148059048?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115101741148059048/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115101741148059048' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115101741148059048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115101741148059048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/portugus-moderno.html' title='Português &quot;moderno&quot;'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115092430697160493</id><published>2006-06-21T22:10:00.000+01:00</published><updated>2006-06-21T22:11:46.983+01:00</updated><title type='text'>Prometeu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A lenda tenta explicar o que não se pode explicar; porque vem de um fundamento de verdade, tem de terminar no que não se pode explicar.&lt;br /&gt;De Prometeu conhecemos quatro lendas. Diz a primeira que ele foi agrilhoado ao Cáucaso por ter traído os deuses aos homens e que os deuses enviaram águias que lhe devoravam o fígado que se renovava sem fim.&lt;br /&gt;Diz a segunda que, com a dor das bicadas que o atormentavam, Prometeu se apertou cada vez mais contra a rocha até se tornarem um.&lt;br /&gt;Diz a terceira que passados milhares e milhares de anos a sua traição foi esquecida, os deuses esqueceram, as águias, ele próprio.&lt;br /&gt;Diz a quarta que todos se cansaram do que já não tinha fundamento. Os deuses cansaram-se, as águias. A ferida fechou-se cansada.&lt;br /&gt;Restou o rochedo inexplicável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;Franz Kafka - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Contos&lt;/span&gt; - Relógio de Água(2005) pág. 41&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115092430697160493?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115092430697160493/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115092430697160493' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115092430697160493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115092430697160493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/prometeu.html' title='Prometeu'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115075986960416530</id><published>2006-06-20T00:25:00.000+01:00</published><updated>2006-06-20T00:51:44.990+01:00</updated><title type='text'>Les mots</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;C'est étrange,&lt;br /&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;je n'sais pas ce qui m'arrive ce soir,&lt;br /&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Je te regarde comme pour la première fois.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Encore des mots toujours des mots&lt;br /&gt;les mêmes mots&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Je n'sais plus comment te dire,&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Rien que des mots&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mais tu es cette belle histoire d'amour...&lt;br /&gt; que je ne cesserai jamais de lire.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Des mots faciles des mots fragiles&lt;br /&gt;C'était trop beau&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tu es d'hier et de demain&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Bien trop beau&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De toujours ma seule vérité.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Mais c'est fini le temps des rêves&lt;br /&gt;Les souvenirs se fanent aussi&lt;br /&gt;quand on les oublie&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tu es comme le vent qui fait chanter les violons&lt;br /&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;et emporte au loin le parfum des roses.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Caramels, bonbons et chocolats&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Par moments, je ne te comprends pas.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Merci, pas pour moi&lt;br /&gt;Mais tu peux bien les offrir à une autre&lt;br /&gt;qui aime le vent et le parfum des roses&lt;br /&gt;Moi, les mots tendres enrobés de douceur&lt;br /&gt;se posent sur ma bouche mais jamais sur mon cœur&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Une parole encore.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ecoute-moi.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Je t'en prie.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Je te jure.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole, parole, parole&lt;br /&gt;encore des paroles que tu sèmes au vent&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Voilà mon destin te parler....&lt;br /&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;te parler comme la première fois.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Encore des mots toujours des mots&lt;br /&gt;les mêmes mots&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Comme j'aimerais que tu me comprennes.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Rien que des mots&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Que tu m'écoutes au moins une fois.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Des mots magiques des mots tactiques&lt;br /&gt;qui sonnent faux&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tu es mon rêve défendu.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Oui, tellement faux&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mon seul tourment et mon unique espérance.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Rien ne t'arrête quand tu commences&lt;br /&gt;Si tu savais comme j'ai envie&lt;br /&gt;d'un peu de silence&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tu es pour moi la seule musique...&lt;br /&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;qui fit danser les étoiles sur les dunes&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Caramels, bonbons et chocolats&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Si tu n'existais pas déjà je t'inventerais.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Merci, pas pour moi&lt;br /&gt;Mais tu peux bien les offrir à une autre&lt;br /&gt;qui aime les étoiles sur les dunes&lt;br /&gt;Moi, les mots tendres enrobés de douceur&lt;br /&gt;se posent sur ma bouche mais jamais sur mon cœur&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Encore un mot juste une parole&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ecoute-moi.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Je t'en prie.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Je te jure.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole, parole, parole&lt;br /&gt;encore des paroles que tu sèmes au vent&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Que tu es belle !&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Que tu est belle !&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Que tu es belle !&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Que tu es belle !&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Parole, parole, parole, parole, parole&lt;br /&gt;encore des paroles que tu sèmes au vent&lt;/span&gt; &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt; &lt;/p&gt;   &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Paroles et Musique: Michaele, M.Chiosso, G.Ferrio   1973&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115075986960416530?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115075986960416530/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115075986960416530' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115075986960416530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115075986960416530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/les-mots.html' title='Les mots'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-115063675876215180</id><published>2006-06-18T14:16:00.001+01:00</published><updated>2006-06-18T14:20:38.973+01:00</updated><title type='text'>O sangue</title><content type='html'>&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Levando um velho avarento&lt;br /&gt;Uma pedrada num olho,&lt;br /&gt;Pôs-se-lhe no mesmo instante&lt;br /&gt;Tamanho como um repolho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo doutor, não das dúzias,&lt;br /&gt;Mas sim médico perfeito,&lt;br /&gt;Dez moedas lhe pedia&lt;br /&gt;Para o livrar do defeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Dez moedas! ( diz o avaro )&lt;br /&gt;Meu sangue não desperdiço:&lt;br /&gt;Dez moedas por um olho!&lt;br /&gt;O outro dou eu por isso.»&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Manuel Maria Barbosa du Bocage&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-115063675876215180?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/115063675876215180/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=115063675876215180' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115063675876215180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/115063675876215180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/o-sangue.html' title='O sangue'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-114992451855396817</id><published>2006-06-10T08:22:00.000+01:00</published><updated>2006-06-10T08:30:23.406+01:00</updated><title type='text'>África minha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;«Eu tinha uma fazenda em África...». É esta a primeira frase de uma narrativa que este filme conta com a inteligência de saber mostrar que a primeira frase de uma história é sempre e irrecuperavelmente última de outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Eduardo Prado Coelho, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Expresso&lt;/span&gt; (1980 e tal)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-114992451855396817?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/114992451855396817/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=114992451855396817' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114992451855396817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114992451855396817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/frica-minha.html' title='África minha'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-114977207896210030</id><published>2006-06-08T14:06:00.000+01:00</published><updated>2006-06-08T14:07:58.973+01:00</updated><title type='text'>4 de Janeiro de 1943</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Apesar de todo o respeito que parecemos ter por tudo o que está sujeito a perecer, acostumámo-nos facilmente à matança. Beneficiamos de certa maneira desse matança e quase não temos pena das vítimas. Isto não começou com a guerra, já estávamos preparados muito antes de ela começar; só agora parece mais aparente. Não nos retraímos ao ver tantas vidas desaparecerem; nem esses que morreram teriam sofrido alguma coisa se fôssemos nós as vítimas. Não gosto de pensar no que nos governa. Não gosto de pensar nisso. Não é fácil e é perigoso. O menos que nos pode revelar é que os nossos sentidos e a nossa imaginação não são totalmente competentes. O velho Joseph, que, perante a transitoriedade da vida, se opunha ao bater e ao rasgar, disse que lamentava que, com a melhor das boas vontades do mundo, uma pessoa tinha que repartir pelos outros o seu quinhão de escoriações... Escoriações! Que inocência! Sim; ele reconhecia que mesmo os que queriam ser pacíficos não podiam deixar de fustigar os outros. E isto era muito pouco.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Estamos, contudo, como povo, preocupados com a efemeridade; há imensos frigoríficos. Mandam-se gatos de estimação a centenas de quilómetros de distância para serem tratados com soros raros; e os vizinhos de uma aldeia de Arcansas fazem turnos, dia e noite, para salvar a vida de um nonagenário.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Morre Jeff Forman; o meu irmão Amos guarda um arsenal de calçado para o futuro. Amos é bom. Amos não é nenhum canibal. Não pode ouvir dizer que estou em dificuldades, que preciso de dinheiro, que me recuso a preocupar-me com o meu futuro. Jeff, debaixo do mar, está para além da virtude, do valor, do brilho, do dinheiro ou do futuro. Digo estas coisas incapaz de ver ou pensar claramente e o que sinto não é tanto injustiça ou desumanidade como perturbação.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Eu próprio preferia morrer na guerra que consumir os seus benefícios. Irei quando me chamarem e não protestarei. E, é claro, espero sobreviver. Mas antes queria ser vítima do que beneficiar da guerra. Sustento a guerra, embora talvez seja gratuito dizer isto; temos o hábito de fazer com que estas coisas sejam o resultado da moral pessoal ou da vontade própria, o que não são de maneira nenhuma. O equivalente seria dizer que, se Deus realmente existisse, sim, Deus existe. Ele existiria, quer o reconhecêssemos ou não. Mas entre o imperialismo deles e o nosso, se fosse possível uma opinião clara, preferiria o nosso. As alternativas, especialmente as alternativas desejáveis, só crescem em árvores imagináveis.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Sim, eu atirarei, matarei; serei alvejado, e morrerei. Trocar-se-á sangue por meias razões, como em todas as guerras. De qualquer maneira não consigo encontrar um erro contra mim próprio.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Saul Bellow - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Na corda bamba&lt;/span&gt; - Publicações Dom Quixote (1976) pág.83 &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-114977207896210030?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/114977207896210030/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=114977207896210030' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114977207896210030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114977207896210030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/4-de-janeiro-de-1943.html' title='4 de Janeiro de 1943'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-114963362623878826</id><published>2006-06-06T23:36:00.000+01:00</published><updated>2006-06-06T23:50:21.780+01:00</updated><title type='text'>Teoria da conspiração</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/calvin9906111.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/400/calvin9906111.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/calvin9906112.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/400/calvin9906112.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:85%;"  &gt;&lt;b&gt;Bill Watterson, in &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt; de 11 de Junho de 1999&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-114963362623878826?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/114963362623878826/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=114963362623878826' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114963362623878826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114963362623878826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/teoria-da-conspirao.html' title='Teoria da conspiração'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-114954217189926379</id><published>2006-06-05T22:12:00.000+01:00</published><updated>2006-06-07T00:01:41.523+01:00</updated><title type='text'>Fala do homem nascido</title><content type='html'>(Chega à boca da cena, e diz:)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho da terra assombrada,&lt;br /&gt;do ventre da minha mãe;&lt;br /&gt;não pretendo roubar nada&lt;br /&gt;nem fazer mal a ninguém.&lt;br /&gt;Só quero o que me é devido&lt;br /&gt;por me trazerem aqui,&lt;br /&gt;que eu nem sequer fui ouvido&lt;br /&gt;no acto de que nasci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trago boca para comer&lt;br /&gt;e olhos para desejar.&lt;br /&gt;Com licença, quero passar,&lt;br /&gt;tenho pressa de viver.&lt;br /&gt;Com licença! Com licença!&lt;br /&gt;Que a vida é água a correr.&lt;br /&gt;Venho do fundo do tempo;&lt;br /&gt;não tenho tempo a perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha barca aparelhada&lt;br /&gt;solta o pano rumo ao norte;&lt;br /&gt;meu desejo é passaporte&lt;br /&gt;para a fronteira fechada.&lt;br /&gt;Não há ventos que não prestem&lt;br /&gt;nem marés que não convenham,&lt;br /&gt;nem forças que me molestem,&lt;br /&gt;correntes que me detenham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero eu e a Natureza&lt;br /&gt;que a Natureza sou eu,&lt;br /&gt;e as forças da Natureza&lt;br /&gt;nunca ninguém as venceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com licença! Com licença!&lt;br /&gt;Que a barca se faz ao mar.&lt;br /&gt;Não há poder que me vença.&lt;br /&gt;Mesmo morto hei-de passar.&lt;br /&gt;Com licença! Com licença!&lt;br /&gt;Com rumo à estrela polar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;António Gedeão , &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teatro do Mundo&lt;/span&gt;, 1958 &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-114954217189926379?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/114954217189926379/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=114954217189926379' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114954217189926379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114954217189926379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/fala-do-homem-nascido.html' title='Fala do homem nascido'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-114945880927721043</id><published>2006-06-04T23:03:00.000+01:00</published><updated>2006-06-04T23:06:49.286+01:00</updated><title type='text'>O eterno retorno</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Com eterno retorno, em que se tornou a vida portuguesa, volta a leitura, desta vez com um "plano". Pôr a criançada a ler e o público em geral. Muito bem. A ler o quê? Os "clássicos", dizem. Mas que espécie de "clássicos"? Gil Vicente, Camões, Vieira, Garrett, Camilo, Eça, Oliveira Martins, Cesário, Pessoa? Infelizmente, não há "clássicos" que se possam ler: tirando a poesia (um caso complicado), um pouco de Eça, de Camilo e Oliveira Martins, quanto muito. E o inevitável Júlio Dinis, se conseguir passar por "clássico" e se alguém hoje o aturar. O facto é que a literatura portuguesa é pobre. Ainda por cima, os "protegidos" do "plano" não a percebem: nunca viram grande parte das palavras, tropeçam na sintaxe, ignoram as referências. Pegue, por exemplo, um dos promotores do "plano" em, por exemplo, Viagens na Minha Terra ou A Relíquia e explique o que lá está (um centésimo basta). Gostava de assistir.&lt;br /&gt;Não conheço muita gente, gente da minha idade, que leia, apesar de uma educação tradicional. Porquê? Porque ler implica um esforço: de atenção, de inteligência, de memória. Ler é uma actividade e a nossa cultura é quase inteiramente passiva. A televisão, o DVD, a música popular ou a conversa de computador não exigem nada, deixam a pessoa num repouso imperturbado e bovino. Mudar isto equivale a mudar o mundo. Não se faz com um "plano". Claro que o romance de aeroporto se continua a vender, e bem: não puxa pela cabeça e vai matando o tempo. Talvez que Miguel Sousa Tavares (300 mil exemplares só em Portugal, mandou ele corrigir) e Margarida Rebelo Pinto levem a melhor. O Estado missionário não leva com certeza a parte alguma. Ou leva, leva a uns milhares de empregos para burocratas, bibliotecários, "mediadores de leitura" (um truque novo) e para a tropa fandanga do costume.&lt;br /&gt;José Manuel Fernandes lamenta que os portugueses não leiam jornais, sentimento que do coração partilho. Mas também não existe em Portugal uma verdadeira discussão política (nem no Parlamento). A sério, a sério, não se discute coisíssima nenhuma: nem o regime, nem a ideologia do regime, nem religião, nem moral, nem moral social, nem sequer os deploráveis costumes da tribo. Porque iria um cidadão comprar sofregamente o jornal? E por que raio de lógica ler Eça e Camilo (que, de resto, execravam jornalistas) convenceria um adulto (ou uma criança) da bondade da imprensa? Desde o "25 de Abril", Portugal sofreu uma série infinita de obras de misericórdia, para chegar ao poço. É altura de acabar com a brincadeira.&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vasco Pulido Valente&lt;/span&gt; - &lt;a href="http://www.publico.clix.pt/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Jornal Público&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; - de 3 de Junho de 2006&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-114945880927721043?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/114945880927721043/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=114945880927721043' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114945880927721043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114945880927721043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/o-eterno-retorno.html' title='O eterno retorno'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-114929394380577517</id><published>2006-06-03T01:10:00.000+01:00</published><updated>2006-06-03T01:19:03.816+01:00</updated><title type='text'>Os treze anos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:geneva,arial,helvetica;font-size:-1;"&gt;Já tenho treze anos,&lt;br /&gt;que os fiz por Janeiro:&lt;br /&gt;Madrinha, casai-me&lt;br /&gt;com Pedro Gaiteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sou mulherzinha,&lt;br /&gt;já trago sombreiro,&lt;br /&gt;já bailo ao domingo&lt;br /&gt;com as mais no terreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não sou Anita,&lt;br /&gt;como era primeiro;&lt;br /&gt;sou a Senhora Ana,&lt;br /&gt;que mora no outeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos serões já canto,&lt;br /&gt;nas feiras já feiro,&lt;br /&gt;já não me dá beijos&lt;br /&gt;qualquer passageiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando levo as patas,&lt;br /&gt;e as deito ao ribeiro,&lt;br /&gt;olho tudo à roda,&lt;br /&gt;de cima do outeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E só se não vejo&lt;br /&gt;ninguém pelo arneiro,&lt;br /&gt;me banho co'as patas&lt;br /&gt;Ao pé do salgueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miro-me nas águas,&lt;br /&gt;rostinho trigueiro,&lt;br /&gt;que mata de amores&lt;br /&gt;a muito vaqueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miro-me, olhos pretos&lt;br /&gt;e um riso fagueiro,&lt;br /&gt;que diz a cantiga&lt;br /&gt;que são cativeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tudo, madrinha,&lt;br /&gt;já por derradeiro&lt;br /&gt;me vejo mui outra&lt;br /&gt;da que era primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu gibão largo,&lt;br /&gt;de arminho e cordeiro,&lt;br /&gt;já o dei à neta&lt;br /&gt;do Brás cabaneiro,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizendo-lhe: «Toma&lt;br /&gt;gibão, domingueiro,&lt;br /&gt;de ilhoses de prata,&lt;br /&gt;de arminho e cordeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim já me aperta,&lt;br /&gt;e a ti te é laceiro;&lt;br /&gt;tu brincas co'as outras&lt;br /&gt;e eu danço em terreiro».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sou mulherzinha,&lt;br /&gt;já trago sombreiro,&lt;br /&gt;já tenho treze anos,&lt;br /&gt;que os fiz por Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não sou Anita,&lt;br /&gt;sou a Ana do outeiro;&lt;br /&gt;Madrinha, casai-me&lt;br /&gt;com Pedro Gaiteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero o sargento,&lt;br /&gt;que é muito guerreiro,&lt;br /&gt;de barbas mui feras&lt;br /&gt;e olhar sobranceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mineiro é velho,&lt;br /&gt;não quero o mineiro:&lt;br /&gt;Mais valem treze anos&lt;br /&gt;que todo o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão-pouco me agrado&lt;br /&gt;do pobre moleiro,&lt;br /&gt;que vive na azenha&lt;br /&gt;como um prisioneiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marido pretendo&lt;br /&gt;de humor galhofeiro,&lt;br /&gt;que viva por festas,&lt;br /&gt;que brilhe em terreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que em ele assomando&lt;br /&gt;co'o tamborileiro,&lt;br /&gt;logo se alvorote&lt;br /&gt;o lugar inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que todos acorram&lt;br /&gt;por vê-lo primeiro,&lt;br /&gt;e todas perguntem&lt;br /&gt;se ainda é solteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sempre com ele,&lt;br /&gt;romeira e romeiro,&lt;br /&gt;vivendo de bodas,&lt;br /&gt;bailando ao pandeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, vida de gostos!&lt;br /&gt;Ai, céu verdadeiro!&lt;br /&gt;Ai, páscoa florida,&lt;br /&gt;que dura ano inteiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da parte, madrinha,&lt;br /&gt;de Deus vos requeiro:&lt;br /&gt;Casai-me hoje mesmo&lt;br /&gt;com Pedro Gaiteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;António Feliciano de Castilho - &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Escavações Poéticas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;; 1844&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-114929394380577517?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/114929394380577517/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=114929394380577517' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114929394380577517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114929394380577517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roubarte.blogspot.com/2006/06/os-treze-anos.html' title='Os treze anos'/><author><name>Zumbido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05820504332363323457</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://photos1.blogger.com/blogger/8098/1134/1600/z3bido.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29162982.post-114925629515828073</id><published>2006-06-02T14:42:00.000+01:00</published><updated>2006-06-02T14:51:35.166+01:00</updated><title type='text'>Naturalista</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nós, os naturalistas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(*)&lt;/span&gt;, consideramos que é preferível, de longe, a honra da invenção do que a honra da citação. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(*) Partidários do natural.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;Montaigne - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pequeno vade-mécum&lt;/span&gt; - Antígona &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29162982-114925629515828073?l=roubarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://roubarte.blogspot.com/feeds/114925629515828073/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29162982&amp;postID=114925629515828073' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29162982/posts/default/114925629515828073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' 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